EventosChina | “Think Tank” divulga relatório sobre cultura Kunlun Andreia Sofia Silva - 21 Ago 2026 Há na China uma extensa zona montanhosa que contém uma cultura única e diversos grupos étnicos, e que foi agora alvo de um relatório por parte das autoridades. Trata-se das montanhas Kunlun, situadas na zona oeste da China e que se estendem por cerca de 2.500 quilómetros, indo até às regiões de Xinjiang, Tibete e Qinghai A importância cultural e as raízes históricas das montanhas Kunlun, na zona oeste da China, constam de um relatório da autoria de um “think tank” ligado à agência Xinhua, intitulado “National High-Level Think Tank of Xinhua News Agency”. O documento, intitulado “Roots and Echoes of a Civilization: The Historical Origins, Spiritual Essence and Contemporary Value of Kunlun Culture”, [Raízes e Ecos de uma Civilização: As Origens Históricas, Essência Espiritual e Valor Contemporâneo da Cultura Kunlun], foi apresentado no Fórum sobre a Cultura Kunlun, que se realizou esta terça-feira em Xining, capital da província de Qinghai. Segundo um comunicado, o relatório descreve que “as imponentes montanhas Kunlun são veneradas desde há muito como ‘a ancestral de todas as montanhas e a fonte de todas as águas'”. As montanhas estendem-se por mais de 2.500 quilómetros na zona oeste da China, possuindo ainda mais de 5 mil metros de altitude. Estas montanhas começam no planalto Pamir, perto da fronteira com a Ásia Central, passam pelas regiões de Xinjiang e Tibete e terminam na província de Qinghai. Tendo em conta “provas arqueológicas e registos históricos”, destaca-se como a cultura associada às montanhas Kunlun “preserva a memória histórica das origens partilhadas e da coexistência entre diferentes grupos étnicos em três dimensões”, nomeadamente a “concepção do universo dos primeiros povos chineses” ou o “símbolo territorial da antiga China”. São ainda identificados cinco conceitos que se podem associar à cultura das montanhas Kunlun, tal como a “harmonia entre o ser humano e a natureza, a grande unidade, a busca pelo aperfeiçoamento pessoal, a valorização da vida e o cuidado com o povo” e ainda a ideia de que “sob um só céu, todos são uma só família”. O mesmo relatório dá conta que “as regiões locais têm aproveitado os recursos culturais de Kunlun e feito esforços para a promoção da preservação cultural, a unidade étnica, a conservação ecológica e o desenvolvimento de indústrias”. No documento são também sugeridas actividades que podem ser feitas para preservar a cultura de Kunlun, nomeadamente “visitas de estudo temáticas, espectáculos de cultura popular ou a integração da cultura com o turismo”. Simbolismo e mitologia Muito além da dimensão e extensão, as montanhas Kunlun têm importância para a mitologia chinesa, sendo consideradas o “pico sagrado onde reside a Rainha-Mãe do Ocidente e onde o Imperador Amarelo, considerado um dos progenitores culturais da nação chinesa, construiu palácios que deram início à civilização dos ritos e da música”. Esta zona alberga cerca de 20 grupos étnicos, nomeadamente os Qiang, Yi, Jingpo e Pumi. Vários especialistas e académicos falaram da importância das montanhas Kunlun e da sua cultura no referido Fórum, que decorreu esta semana. Um deles foi Zhao Zongfu, antigo presidente da Academia de Ciências Sociais de Qinghai, que referiu que a cultura destas montanhas “transcende as fronteiras geográficas, étnicas e linguísticas”, sendo também “um elo cultural partilhado”. Já Hu Yu, docente na Universidade de Tsinghua, disse que as montanhas Kunlun contêm uma “memória histórica que é partilhada por muitos grupos étnicos e em diferentes regiões e épocas, incorporando a sabedoria dos primeiros antepassados com os laços afectivos, as raízes históricas e culturais comuns dos vários grupos étnicos”. O relatório divulgado pelo “think tank” dá ainda conta que as montanhas Kunlun têm uma importância histórica, por terem constituído “um eixo natural de ligação entre o Oriente e o Ocidente”. Mil anos antes da formação da Rota da Seda, “a Rota do Jade, estabelecida através da circulação do jade de Kunlun, contribuiu tanto para a integração cultural interna da China como para os primeiros intercâmbios civilizacionais entre a China e outras regiões da Eurásia”, é referido.