Ai Portugal VozesEclipse e Popoi André Namora - 17 Ago 202617 Ago 2026 Dois fenómenos invulgares aconteceram em Portugal e mobilizaram milhares de pessoas. O eclipse solar total não era visto em território português desde 17 de Abril de 1912. Desta vez, mobilizou milhares de pessoas, de todas as idades, para ver um fenómeno que só volta a acontecer em 2144. Os óculos especiais para ver o eclipse esgotaram. Em Rio de Onor, Bragança, o Sol desapareceu por completo para gáudio de centenas de curiosos que se deslocaram ao local incluindo os maiores especialistas de astronomia. Houve palmas, gritos de alegria e a festa prolongou-se pela noite fora a fim de observar uma chuva de estrelas que ocupou todo o firmamento. O eclipse solar total ocorre quando a Terra, a Lua e o Sol estão perfeitamente alinhados, e a Lua oculta completamente o disco solar por alguns momentos. Ao longo dos séculos, os chineses dedicaram esforços consideráveis à previsão de eclipses, sendo a astronomia uma actividade governamental durante a China Antiga. O papel do astrónomo era acompanhar os movimentos solares, lunares e planetários e explicar o seu significado simbólico ao Imperador no poder. Segundo dados históricos, o registo mais antigo de um eclipse solar provém do tempo em que os astrónomos chineses realizaram estudos. As datas estimadas estariam entre 2165 e 1948 a.C., mas a data mais aceite será em 2137 a.C. No entanto, foi no século XIX que as primeiras expedições científicas foram organizadas para observar eclipses na Europa. O eclipse total de 28 de Julho de 1851 atraiu observadores para o norte do continente europeu e foi responsável pelas primeiras fotografias bem-sucedidas de uma coroa solar. Portugal conta com vários astrónomos e astrofísicos de renome mundial que se distinguem em investigação de ponta, quer a trabalhar em instituições nacionais quer em importantes centros internacionais e missões espaciais globais. Há que distinguir nomes tais como Rui Agostinho, professor na Universidade de Lisboa e figura central na divulgação científica e na gestão do Observatório Astronómico de Lisboa; David Sobral, astrofísico e professor na Universidade de Lancaster (Reino Unido), reconhecido internacionalmente pelos seus estudos em evolução de galáxias e cosmologia e Hugo Messias, investigador associado ao Observatório ALMA (Chile), que integrou a equipa internacional responsável pela primeira imagem de um buraco negro. Uma coisa é certa, nenhum dos milhões de pessoas que em Portugal e Espanha observaram o eclipse solar total da semana passada irá cá estar em 2144 quando o fenómeno se repetir. Um outro fenómeno peculiar, que foi notícia a nível mundial e que ocorreu no Zoo de Vila Nova de Gaia, foi o nascimento do Popoi, um hipopótamo-pigmeu, cuja espécie encontra-se em extinção. Para os amantes da defesa das espécies animais foi uma alegria estonteante. Todas as televisões acorreram ao zoo para filmar o “bebé” Popoi. Este nascimento foi muito raro e importante porque apenas cerca de um em cada dez filhotes desta espécie nasce macho. Estes hipopótamos-pigmeus, encontram-se em perigo de extinção e restam apenas cerca de 2000 a 2400 animais em todo o mundo. A sua origem vem das florestas e pântanos da África Ocidental como na Libéria. A sua diferença para um hipopótamo comum deriva de ser muito mais pequeno, pesa até 270 quilos (em vez de toneladas) e tem hábitos mais solitários e terrestres. As tratadoras do zoo de Gaia, que vivem uma alegria imensa, já começam a pensar no dia triste em que o Popoi irá para outro zoo internacional a fim de continuar a reprodução da espécie. Na verdade, numa só semana Portugal foi falado em todo o mundo por estes dois fenómenos da natureza. Valha-nos o eclipse e o Popoi, porque ultimamente as notícias sobre a vida dos portugueses apenas se têm baseado em casos e casinhos políticos que deixam a imagem do país pelas ruas da amargura.