Dinheiro enviado de Portugal para paraísos fiscais aumentou 16,4%

As transferências de clientes com contas bancárias em Portugal para instituições financeiras localizadas em paraísos fiscais aumentaram 16,4 por cento em 2025, para 9.400 milhões de euros, com a Suíça como primeiro destino dos fluxos, segundo estatísticas do fisco.

A praça helvética concentra um terço do montante transferido (33,6 por cento), num total de 3.166 milhões de euros, enquanto que em Hong Kong, o segundo destino preferido do dinheiro que escapa ao fisco nacional, recebeu 22,2 por cento do total (2.088 milhões de euros). A lista de territórios de destino em 2025 engloba mais de 70 jurisdições. A Suíça e Hong Kong continuam a ser as duas para onde seguem mais fluxos de capital.

Os dados mais recentes da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) sobre transferências para jurisdições com um regime fiscal considerado mais favorável, publicados ontem no Portal das Finanças, mostram que os fluxos de capitais aumentaram 1.325 milhões de euros num ano, de 8.078,6 milhões de euros em 2024 para 9.403,3 milhões de euros em 2025.

Por força da Lei Geral Tributária, a AT é obrigada a publicar todos os anos no Portal das Finanças informação estatística sobre qual o valor que os clientes com contas bancárias abertas em Portugal transferiram para territórios de baixa ou nula tributação nos quatro anos anteriores, baseando-se nos dados que as instituições financeiras têm de comunicar ao fisco até até ao final do mês de Março de cada ano.

Os dados que a AT publicou ontem dizem respeito ao dinheiro transferido entre 2022 e 2025.
No ano passado, o número de operações bancárias cresceu 10,4 por cento, com os clientes portugueses a dar 144.644 ordens de transferências, mais 13,6 mil do que em 2024. As transferências foram realizadas por 18.244 ordenantes, dos quais 9.629 são pessoas em nome individual e 8.615 são empresas e outras pessoas colectivas.

Embora haja mais particulares a realizar transferências para paraísos fiscais, 87 por cento do valor tem origem em entidades comerciais, totalizando 8.209 milhões. Em contraponto, o montante associado a fluxos de capitais movimentados por pessoas em nome individual vale corresponde a 1.194 milhões de euros.

A medalha de bronze

No terceiro lugar surgem territórios considerados paraísos fiscais nos Estados Unidos da América, num valor que ascende a 879 milhões de euros. Os Emirados Árabes Unidos, que em 2024 apareciam em terceiro lugar como destino das transferências, surgem agora em quarto. Em 2025, foram para ali transferidos 767 milhões de euros.

Os territórios imediatamente abaixo na lista são destinatários de fluxos anuais inferiores a 500 milhões de euros, casos de Singapura (475,9 milhões de euros), Macau (314,9 milhões de euros), Maurícias (239,5 milhões) Cabo Verde (157,0 milhões) Liechtenstein (141,9 milhões), Egipto (106, 6 milhões) e Mónaco (81,8 milhões).

A maior parcela das operações relativas a 2025 corresponde a transferências de gestão de tesouraria, que incluem transferências executadas para equilibrar saldos, centralizar liquidez ou optimizar fundos empresariais, movimentações gerais de fundos em que o ordenante e o beneficiário final são a mesma entidade ou pessoa, e o envio de dinheiro entre diferentes bancos (desde que não represente o pagamento de uma factura comercial, serviço ou investimento a um terceiro).

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