Japão | Iene bate recordes e cai para o valor mais baixo em quase 40 anos

A moeda japonesa caiu ontem para 162 ienes por dólar, atingindo o nível mais baixo desde 1986, após uma intervenção falhada das autoridades japonesas que apenas teve efeitos temporários perante a valorização da divisa norte-americana

 

Desde 1986 que o iene não desvalorizava para o valor que atingiu ontem: 162 ienes por dólar. Mesmo com as medidas lançadas pelo Governo, a estabilidade cambial foi sol de pouca dura devido à valorização do dólar.
Durante a madrugada de ontem, o iene chegou a ser transaccionado a 161,98 por dólar, registando valores entre 161,90 e 162,36 mesmo após a abertura da bolsa de Tóquio, segundo a emissora pública NHK.

Este patamar representa a queda mais acentuada em 39 anos e meio, desde Dezembro de 1986, quando a moeda oscilava entre 158 e 163 por dólar no mercado cambial.

A desvalorização do iene reflecte as expectativas de que a Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos avance nos próximos meses com uma subida das taxas de juro, que em Junho se mantiveram inalteradas entre 3,5 e 3,75 por cento, acompanhadas da divulgação do relatório trimestral de projecções económicas.

Assim, a divisa nipónica apagou os ganhos obtidos após a intervenção no mercado cambial entre Abril e Maio pelo Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, e pelo Banco do Japão, que tinham levado a uma valorização do iene de 160 para 155 por dólar nos primeiros dias de Maio.

Firme e hirto

“Tomaremos as medidas adequadas em qualquer momento e conforme necessário”, afirmou ontem o porta-voz do Governo japonês, Minoru Kihara, em conferência de imprensa, acrescentando que o Executivo pretende “construir uma estrutura económica resistente” às flutuações cambiais.

As autoridades japonesas não excluíram uma nova intervenção na semana passada, depois de a ministra das Finanças, Satsuki Katayama, ter mantido conversações com o homólogo norte-americano, Scott Bessent, garantindo que ambos os países actuariam “com firmeza quando fosse necessário”.

A nova queda ocorreu apesar de o Banco do Japão ter aumentado a taxa de juro de referência de curto prazo para 1 por cento, o nível mais alto em mais de três décadas, prosseguindo os esforços para controlar os riscos inflaccionistas derivados da subida dos preços do petróleo e da fraqueza do iene.

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