Grande PlanoSemana começou com oito concelhos portugueses em perigo de incêndio Hoje Macau - 30 Jun 2026 Todas as regiões do interior de Portugal continental enfrentaram ontem um perigo de incêndio rural muito elevado, com oito concelhos dos distritos de Castelo Branco, Portalegre e Faro em risco máximo, segundo o IPMA. Esta semana as temperaturas vão subir significativamente e o perigo de incêndio, previsto pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), vai intensificar-se diariamente, e na quinta-feira todo o território continental vai estar com perigo máximo ou muito elevado. Cinco distritos do interior do país estavam ontem sob aviso amarelo devido à previsão de tempo quente e seco, com a temperatura máxima a oscilar entre os 31 e os 37 graus. Os avisos vão ser estendidos a todo o território continental amanhã. Num comunicado divulgado no domingo, o IPMA alertou que se prevê “um longo período com tempo quente e seco com a temperatura máxima a atingir valores entre os 40 e os 43 graus no vale do Tejo e Alentejo, na quinta-feira, e que poderão estender-se a alguns locais das restantes regiões no final da semana”. De acordo com as previsões, a temperatura mínima também vai aumentar nos próximos dias “para valores superiores a 20 graus centígrados”, ficando grande parte do território “com condições de noites tropicais”. Armadilha no golfo Dada a previsão de temperaturas elevadas, o IPMA indica no boletim meteorológico que “é muito provável que o nível dos avisos seja agravado em vários distritos nas actualizações ao longo dos próximos dias”. Esta subida da temperatura deve-se a um anticiclone “localizado a norte/noroeste do arquipélago dos Açores, estendendo-se em crista até ao Golfo da Biscaia” e que a partir de segunda-feira “irá deslocar-se para leste”. O perigo de incêndio rural determinado pelo IPMA tem cinco níveis, que vão de reduzido a máximo. Os cálculos são obtidos a partir da temperatura do ar, humidade relativa, velocidade do vento e quantidade de precipitação nas 24 horas anteriores. Ministra alerta para possível impacto do calor na mortalidade A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu ontem preocupações com a vaga de calor que se avizinha e admitiu que as temperaturas venham a ter impacto na mortalidade à semelhança de outros países. “Quando existem ondas de calor com esta magnitude, naturalmente que o nosso indicador, o Ícaro [sistema do INSA que avalia o impacto das altas temperaturas na mortalidade em Portugal] que mede a relação entre o aumento significativo de temperatura e o impacto potencial na mortalidade, obviamente que acusa aqui a possibilidade de um impacto na mortalidade, tal como está a acontecer noutros países. A França, por exemplo, tem sido um dos países muito fustigado”, disse Ana Paula Martins. Em declarações aos jornalistas em Matosinhos, no distrito do Porto, onde assinalou a abertura do programa de intervenção para dependência de videojogos do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD), a ministra da Saúde admitiu que a onda de calor que se avizinha é “muito preocupante”. “Naturalmente, fazemos tudo para que esse impacto não se faça sentir e, de facto, na primeira onda de calor, felizmente, não houve impacto. Mas esta que vamos viver agora é uma onda de calor muito, muito preocupante”, disse.