Conversa sobre caligrafia de Macau e Hong Kong este domingo

O Barra Slow Festival prolonga-se até ao final do mês com palestras e exposições que podem ainda ser visitadas, incluindo os pavilhões em bambu da autoria de João Ó e Rita Machado e que permanecem na zona da Barra.

Apesar dos principais eventos do festival deste ano já terem tido lugar, este domingo, às 15h, acontece a palestra “Traços de Tinta do Sul – Um século de coexistência da caligrafia aplicada entre Hong Kong e Macau”, com moderação do calígrafo Mok Hei Sai e apresentação de Westley Wong Chun Yat, de Hong Kong.

O evento acontece no segundo andar das Oficinas Navais nº2, das 15h às 17h, servindo de complemento à exposição, “Nuvens e Fumo — Exposição de Caligrafia e Cerimónia do Chá de Mok Hei Sai”, disponível até ao final do mês, também nas Oficinas Navais.

Segundo uma nota oficial, nesta palestra explora-se o tema da “estreita relação entre a caligrafia, cultura local e o desenvolvimento histórico” nos dois territórios, contando-se a história do universo da caligrafia que liga China, Macau e Hong Kong.

“Desde o final da dinastia Qing até ao período da República da China, estudiosos e calígrafos foram migrando para sul, circulando entre Hong Kong e Macau, ensinando discípulos e transmitindo técnicas”, além de estabelecerem “uma estreita ligação entre os dois territórios”.

Explora-se, assim, nesta sessão “a evolução histórica da ‘caligrafia aplicada’ em ambos os territórios”, além de se discutir “o valor comercial da arte da caligrafia desde o final da dinastia Qing”.

Marcas documentadas

Um dos pontos centrais desta sessão é o projecto de investigação desenvolvido pelo orador desde 2020, “Marcas de Tinta”, que documentou o trabalho de “diversos calígrafos que contribuíram para a cultura visual de Hong Kong”, e que resultou no livro “Marcas de Tinta de Hong Kong”. Esta obra, editada em 2024, recebeu, no ano passado, o Prémio Bienal de Publicação de Hong Kong, na categoria “Livros Ilustrados”.

Os casos estudados no projecto “Marcas de Tinta” visam ainda uma reflexão “sobre estratégias futuras de preservação da história da arte pública”. Foi desenvolvido um trabalho de recolha e documentação das obras destes calígrafos que foram integradas em espaços públicos, nomeadamente “letreiros comerciais, monumentos, epitáfios, dísticos, cartões de visita e embalagens publicitárias”.

Wong Chun Yat, que tem o nome artístico de Suen Yau, é também director criativo e professor convidado da Universidade Politécnica de Hong Kong. O projecto “Marcas de Tinta” recebeu apoio de entidades como a Sir David Wilson Heritage Trust e Hong Kong Design Ambassadors.

Outra mostra do Barra Slow Festival que ainda pode ser vista até ao final do mês, no primeiro andar das Oficinas Navais nº2, é “From Inside Out: The Appearance of Tea Exhibition”, com trabalhos de 35 designers de Macau e China, com curadoria de Au Chon Hin e Young Huale.

Apresentam-se aqui “trabalhos de mais de 50 marcas de chá”, recorrendo-se ao “minimalismo, sustentabilidade e experiência sensorial”. Aqui, o chá revela-se como um “meio que permite às pessoas abrandar o ritmo, explorando novas possibilidades no fluxo do tempo e espaço”.

“A exposição mostra como o chá transcende as fronteiras físicas através da embalagem, da marca e da comunicação, evoluindo para uma forma de expressão e uma atitude de vida”, destaca a organização do festival.

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