Sam Hou Fai em Lisboa: AICEP pede investimento em “projectos concretos”

Foi numa sala do MEO Arena, em Lisboa, que se assinaram dezenas de acordos de cooperação entre empresas portuguesas e chinesas e se apresentaram, esta segunda-feira, as vantagens económicas de Macau e Hengqin. Uma empresa chinesa, a Tenways, vai produzir bicicletas eléctricas em Aveiro. A AICEP pede investimento com impacto real

Imagine-se que investir na RAEM é como aceder a um menu gastronómico, neste caso no tipicamente português Tromba Rija, em Macau. Há de tudo, desde novas tecnologias de ponta à medicina ou outras áreas da saúde, e não faltam robots a anunciar as vantagens de uma economia com baixos impostos e flexibilidade na criação de empresas.

Este foi o conteúdo do vídeo visionado esta segunda-feira no MEO Arena, em Lisboa, na “Sessão de Promoção da Cooperação Económica e Comercial Macau-Portugal”, que acolheu dezenas de empresários de Portugal, Macau e China em sessões de negócio e assinatura de protocolos de cooperação. No período da manhã, foram assinados 20 acordos, à tarde 18 (ver texto secundário).

Incluem-se nas parcerias e bolsas de contactos empresas como os grupos Nam Kwong e Bai Li, a OWLPlaces AI, a Teixeira Duarte ou o município de Sintra, sem esquecer associações e câmaras de comércio. No eclodir da manhã foram-se sentando alguns empresários nas mesas, seguindo-se apresentações sobre aquilo que Macau tem para oferecer em conjugação com Hengqin e o interior da China, e o que Portugal pode dar: entre a vontade de diversificar e o panorama de negócios em língua portuguesa, ficou a promessa de muitas vantagens que podem ser aproveitadas.

À margem do evento, falou António Martins da Cruz, antigo embaixador que preside à Oeiras Valley Investment Agency (OVIA), uma entidade de captação de investimento para o município de Oeiras.

Um dos projectos destacado por Martins da Cruz é a construção de um parque empresarial em Oeiras, anunciado em 2024 com um investimento de 400 milhões de euros. “Temos vários acordos assinados quer com instituições de Macau, quer de Hengqin. Dois dos nossos associados, a China State Construction Engineering, através da sociedade que está em Macau, e o grupo Teixeira Duarte, que é uma das grandes empresas de construção em Portugal, vão começar a construir, penso que no mês que vem, um enorme parque empresarial e habitacional em Oeiras. Entendemos que, quando estiver pronto, é o local ideal para as empresas chinesas que estão em Portugal ou que querem instalar-se em Portugal, incluindo as de Macau, Hengqin e Grande Baía. Uma das razões para a nossa ida para Macau é esta”, salientou.

Sobre a visita de Sam Hou Fai, Chefe do Executivo, a Portugal e Espanha, na qual se integrou a sessão de contactos empresariais, o presidente da OVIA destacou que “é muito importante para Macau e Portugal”, já que, actualmente, e além da ligação histórica existente, “Macau é a plataforma ideal para as relações políticas, económicas e culturais não apenas entre Portugal e a China, mas entre a China e os países de língua portuguesa”.

Estabilidade no país

Madalena Oliveira e Silva, presidente do conselho de administração da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), disse que Portugal tem hoje um “ambiente estável e previsível” em termos económicos, sendo importante que, no tocante ao papel de Macau como plataforma, haja “benefícios concretos para as empresas, em particular as portuguesas”.

Isto porque, no seu entender, “continua a ser essencial facilitar o acesso ao mercado da China, nomeadamente através de soluções que permitam uma maior eficiência, previsibilidade e redução de custos no acesso a este mercado”.

Para Madalena Oliveira e Silva, este “é um momento particularmente relevante para o aprofundamento da relação económica entre Portugal e a República Popular da China”, sendo que Portugal “reafirma a sua total disponibilidade para continuar a aprofundar a cooperação económica com Macau, reforçando os fluxos domésticos, de investimento e cooperação empresarial”.

Neste contexto, “Portugal está plenamente aberto ao investimento da China, incluindo a agentes económicos sediados em Macau”, mas o que se procura é “investimento com impacto real, projectos produtivos e tecnológicos que sejam geradores de emprego qualificado e que contribuam para a transformação da nossa base económica” e ainda “valor a longo prazo”.

A responsável da AICEP acrescentou no seu discurso que “Portugal posiciona-se como uma porta inteligente para a entrada na Europa”, sendo uma “base estratégica que permite a empresas aceder a um espaço económico de cerca de 450 milhões de consumidores no quadro da União Europeia”.

Bicicletas em Aveiro

Shawn Liang, fundador e director-geral da Tenways, empresa chinesa dedicada a meios de mobilidade amigos do ambiente, como é o caso das bicicletas eléctricas, anunciou no evento desta segunda-feira um investimento superior a mil milhões de renminbis numa fábrica em Aveiro. A produção será, essencialmente, de bicicletas eléctricas.

“A minha empresa vai investir numa fábrica em Aveiro, com um investimento que ultrapassa os mil milhões [de renminbis] e depois a empresa vai fornecer produtos a toda a Europa. Estou confiante neste projecto.”

Na visão deste empresário, “Portugal pode oferecer muitos recursos empresariais e governamentais”, referindo que persistem entraves de ordem prática. “A minha empresa já investiu em Portugal, mas o processo de estabelecimento da confiança entre empresas da China e Portugal é muito lento. Este evento pode ajudar a acelerar o processo para a criação de confiança entre duas empresas”, rematou.

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