VozesRetratos de homens célebres que conheci Duarte Drumond Braga - 18 Mar 2026 uma vez vi o couto viana, reduzido aos coutos, numa homenagem (neo-sal)az(ar)ista ao palácio da independência uma vez vi o cesariny no lux, na festa da assírio & alvim, com o dedo no ar uma vez vi o herberto helder a tomar uma cerveja nas galegas e não tive coragem de me aproximar, como moisés da sarça ardente uma vez vi o manuel da silva ramos a fugir duma manifestação, a dizer que era surrealista certa vez vi o meu pai na curva da estrada, a perder o juízo uma vez vi o antónio barahona a beijar a testa do defunto gil de carvalho, como mandam as religiões do livro uma vez acenei para o alexandre vargas do outro lado da rua, frente à casa da índia, e ele não me devolveu o cumprimento uma vez bebi um vermute com o eduíno de jesus, o pedro ivo e a maria joão ruivo uma vez vi o meu avô, que era marceneiro homossexual em angra do heroísmo, a cozinhar-me uma faca uma vez ouvi o eduardo lourenço em aix-en-provence a queixar-se do ressonar da cunhada uma vez fingi que não conhecia o manuel cintra uma vez ouvi joaquim manuel magalhães contar uma anedota sobre a mulher a dias do eugénio de andrade a primeira vez que vi o antónio cândido franco ele estava de calções, como um rapazola da mocidade portuguesa a primeira vez que vi o cruzeiro seixas ficou espantado quando lhe disse que o sobrinho do pascoaes era jeitoso o fernando grade pôs-me uma vez no seu “livro do cão” por não ter dinheiro para lhe pagar a revista que me estava a impingir uma vez vi a minha mãe envolvida numa massa de sombras, torcidas e tremidas