Poemas de Meng Haoran 孟浩然 (689-740)

孟浩然 (689-740)

(五言古體詩)

 

春初漢中漾舟

 羊公峴山下
神女漢皋曲
雪罷冰復開
春潭千丈綠
輕舟恣來往
探翫無厭足
波影搖妓釵
沙光逐人目
傾杯魚鳥醉
聯句鶯花續
良會難再逢
日入須秉燭

 

 

MENG HAORAN (689–740)

(Pentâmetros ao Estilo Antigo)

Tradução Rui Cascais

 

Vogando no Rio Han ao Começar a Primavera

 

À ilharga do Monte Xian de Lorde Yang Hu, [1]

Num meandro do Han, dito das donzelas celestes,[2]

Agora que a neve cessou e o gelo se abre de novo,

Por águas de Primavera verdes e longas,

O meu barco vai onde quer,

Buscando prazer sem fadiga ou tédio.

Há reflexos de ondas no cabelo da concubina

E o brilho das areias queima-nos a visão.

Inclinamos as taças – estão ébrios os peixes e as aves;

Encadeamos versos – papa-figos e flores imitam-nos.

Encontros destes são difíceis de repetir;

Quando o sol se retira, devemos pegar numa vela.[3]

 

 

 

 

[1] Yang Hu foi governador militar da cidade de Xiangyang em meados do século III. No Monte Xian, alguns quilómetros a sul da cidade, e sobranceira ao Rio Han, existia uma estela em sua homenagem.

[2] Diz-se que um tal Zheng Jiaofu teria encontrado aqui duas donzelas que se banhavam e lhe ofereceram os seus pendentes quando se despediram. Voltando-se para trás, Zheng reparou, com sobressalto, que haviam desaparecido sem rasto, concluindo que se tratavam de seres sobrenaturais.

[3] Referência a uma copla da dinastia Han tardia: “Curto é o dia, longa a noite amarga. /Melhor pegar numa vela e irmos folgar”.

 

 


 

 

孟浩然 (689-740)

(五言古體詩)

宿來公山房期丁大不至

 夕陽度西嶺 群壑倏已暝 松月生夜凉 風泉滿清聽

樵人歸欲盡

煙鳥棲初定

之子期宿來

孤琴候蘿逕

 

 

 

MENG HAORAN (689–740)

(Pentâmetros ao Estilo Antigo)

Tradução Rui Cascais

 

 

Pernoito e Espero na Casa de Montanha de Lai, mas o Velho Ding Não Chega[1]

 

A incandescência do sol já só lambe a cumeeira a ocidente;

As inúmeras ravinas de súbito cinzeladas a negro.

Atrás de um pinheiro a lua traz o fresco da noite;

Soa uma nascente batida pelo vento, derramando limpidez.

Regressando a casa, já quase se foram os lenhadores;

Pássaros nevoentos pousam agora nos galhos.

Vim ter contigo nesta noite combinada –

Uma cítara solitária, vigiando a vereda que as trepadeiras tolhem.

 

 

[1] Há aqui um jogo óbvio, mas delicioso, entre lái (來, o verbo “vir”, neste caso feito nome do proprietário da casa na montanha) e zhì (至, o verbo “chegar”).

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