Fortaleza do Monte | Exposição celebra restauro das Grutas de Mogao

A partir da próxima sexta-feira, dia 16, será possível conhecer melhor as Grutas de Mogao, em Dunhuang, China, classificadas pela UNESCO e que, nos últimos cem anos têm sido alvo de sucessivas acções de restauro, tendo em conta a importância do seu património arquitectural, cultural e histórico. A “Exposição do Centenário do Restauro das Grutas de Dunhuang” estará disponível na galeria da Fortaleza do Monte

A galeria da Fortaleza do Monte acolhe, a partir de sexta-feira, dia 16, uma exposição sobre um dos grandes monumentos da China, classificado pela UNESCO. Trata-se da “Exposição do Centenário do Restauro das Grutas de Dunhuang”, mais concretamente as Grutas de Mogao. A mostra conta com apoio do Instituto Cultural (IC) e a organização da Associação dos Estudos do Património de Macau e Associação de Amigos da Cultura de Dunhuang de Macau. A inauguração acontece a partir das 18h30.

Segundo uma nota divulgada nas redes sociais pela Associação dos Estudos do Património de Macau, esta mostra pretende apresentar ao público “o trabalho de protecção das grutas de Dunhuang ao longo dos últimos cem anos, um dos únicos dois sítios, a nível mundial, que cumpre todos os seis critérios do Património Cultural Mundial [por parte da UNESCO], sendo também o maior e mais bem preservado santuário de arte budista em grutas existente no mundo”.

Segundo a mesma nota, “desde a sua descoberta que as Grutas de Mogao têm recebido grande atenção do público, sendo que, ao longo de mais de um século, têm sido feitos diversos esforços para a protecção deste precioso património”. Actualmente, segundo a associação, “a conservação das Grutas de Mogao tornou-se um modelo exemplar de protecção de património cultural, servindo de referência para a aprendizagem e salvaguarda conjunta do nosso património cultural”.

Grande tesouro

Segundo o portal da UNESCO, as Grutas de Mogao situam-se “num ponto estratégico ao longo da Rota da Seda, no cruzamento de influências comerciais, religiosas, culturais e intelectuais”, contendo 492 celas e santuários, bem como esculturas e pinturas murais, “que abrangem mil anos de arte budista”.

“Esculpidas nas falésias acima do rio Dachuan, a sudeste do oásis de Dunhuang, na província de Gansu, as Grutas de Mogao constituem o maior, mais ricamente dotado e mais longamente utilizado tesouro de arte budista do mundo. A sua construção teve início em 366 d.c., representando uma realização extraordinária da arte budista entre os séculos IV e XIV. Actualmente, estão preservadas 492 grutas, que albergam cerca de 45.000 metros quadrados de murais e mais de 2.000 esculturas pintadas”, descreve ainda a UNESCO.

Trata-se de um conjunto de património que testemunha “a evolução da arte budista no noroeste da China”, possuindo “um valor histórico incomparável”. Para a UNESCO, as Grutas de Mogao “fornecem abundante material visual sobre diversos aspectos da política, economia, cultura, artes, religião, relações étnicas e vestuário quotidiano da China medieval ocidental”.

As Grutas de Mogao foram descobertas em 1900, e incluem uma zona de biblioteca e “dezenas de milhares de manuscritos e relíquias”, sendo descritas como “a maior descoberta mundial da cultura oriental antiga”.

Um dos seis critérios referidos pela Associação dos Estudos do Património de Macau prende-se com o facto de “o conjunto de Grutas de Mogao representar uma realização artística única, tanto pela organização do espaço em 492 grutas distribuídas por cinco níveis, como pela criação de mais de 2.000 esculturas pintadas e cerca de 45.000 metros quadrados de murais, entre os quais se encontram numerosas obras-primas da arte chinesa”, aponta a UNESCO.

Outro critério, diz respeito a uma questão histórica, nomeadamente o facto de “durante mil anos, desde o período da dinastia Wei do Norte (386–534) até à dinastia Yuan de domínio mongol (1276–1386), as Grutas de Mogao terem desempenhado um papel decisivo nas trocas artísticas entre a China, a Ásia Central e a Índia”.

Além disso, existe um terceiro critério, relacionado com as pinturas das grutas, que “constituem um testemunho excepcional das civilizações da China antiga durante as dinastias Sui, Tang e Song”. Já um quarto critério, está ligado às “Grutas dos Mil Budas”, que constituem “um exemplo notável de santuário de arte rupestre budista”.

O quinto critério diz respeito à ocupação das grutas por parte de monges budistas “desde o final do século XIX até 1930”, sendo que o “conjunto de arte rupestre de Mogao, administrado pelo Instituto de Investigação de Relíquias Culturais de Dunhuang, preserva o exemplo de um assentamento monástico tradicional”.

O sexto e último critério da UNESCO para esta classificação, passa pela questão de as grutas estarem “fortemente associadas à história das relações transcontinentais e à disseminação do budismo por toda a Ásia”.

“Durante séculos, o oásis de Dunhuang, próximo da bifurcação dos dois ramos da Rota da Seda, beneficiou do estatuto de estação de passagem onde se trocavam não apenas mercadorias, mas também ideias, como demonstram os manuscritos chineses, tibetanos, sogdianos, de Khotan, uigures e até hebraicos encontrados nas grutas”, é descrito.

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