China / ÁsiaHong Kong | Número de mortos no incêndio sobe para 146 Hoje Macau - 1 Dez 2025 O número de baixas fatais no incêndio que devastou sete edifícios em Tai Po continua a subir e as previsões não são animadoras O número de mortos confirmados no incêndio que devastou um complexo residencial em Hong Kong na semana passada aumentou para 146 e o balanço pode ainda piorar, informou ontem a polícia. “O número de mortos aumentou para 146 às 16:00. Não podemos excluir a possibilidade de haver mais vítimas mortais”, disse à imprensa um representante da polícia, Tsang Shuk-yin. Hong Kong cumpre hoje o terceiro de três dias de luto pelo incêndio que consumiu o complexo residencial Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte da cidade. O incêndio deflagrou por volta das 15:00 de quarta-feira no bloco Wang Cheong House e afectou sete dos oito edifícios. As investigações preliminares indicam que o fogo teve origem na rede de protecção dos andaimes nos pisos inferiores e se propagou rapidamente na vertical. Placas de poliestireno expandido, altamente inflamáveis, utilizadas para vedar as aberturas e os caixilhos junto aos elevadores, bem como as lonas exteriores que violavam as normas de segurança contra incêndios, facilitaram a entrada das chamas nos apartamentos através dos corredores. Solidariedade geral Desde quarta-feira à noite, milhares de cidadãos, grupos de vizinhos, sindicatos, igrejas e voluntários mobilizaram-se espontaneamente, angariando milhões de dólares de Hong Kong e distribuindo água, alimentos, vestuário e abrigos temporários. O Governo anunciou um fundo inicial de 300 milhões de dólares de Hong Kong para ajudar as vítimas e as pessoas afectadas, que, entretanto, já alcançou 800 milhões de dólares de Hong Kong. Foi ainda anunciado o lançamento de uma campanha de “inspeção e retificação” contra os riscos de incêndio em edifícios altos. Segundo avançou no sábado o canal estatal CCTV, esta campanha incidirá, nomeadamente, nas obras de renovação exterior ou interior de edifícios ainda ocupados e na utilização de materiais inflamáveis nas obras e de bambu para os andaimes. Campanha contra riscos de incêndio A China lançou uma campanha de “inspecção e rectificação” contra os riscos de incêndio em edifícios altos, anunciou ontem a emissora de televisão pública CCTV, após o incêndio que causou pelo menos 146 mortes em Hong Kong. Segundo avançou o canal estatal, esta campanha incidirá, nomeadamente, nas obras de renovação exterior ou interior de edifícios ainda ocupados e na utilização de materiais inflamáveis nas obras e de bambu para os andaimes. A campanha terá como alvo “o uso de materiais e processos proibidos e equipamentos como andaimes de bambu ou redes de protecção sem efeito retardador” de chamas, segundo a CCTV. Também terá como alvo obras não autorizadas ou realizadas sem o cumprimento dos procedimentos, precisou o canal. Estudante detido O estudante que lançou uma petição a exigir responsabilização política, após o incêndio que matou pelo menos 146 pessoas em Hong Kong, foi detido por suspeita de “incitação à sedição”, noticiou ontem a imprensa local. O jovem foi detido no sábado por agentes da Polícia de Segurança Nacional, que o levaram para interrogatório. O promotor do colectivo “Tai Po Wang Fuk Court Fire Concern Group” lançou a petição ‘online’ na sexta-feira, exigindo quatro medidas ao Governo: alojamento imediato de quem perdeu casa, criação de uma comissão de inquérito independente, revisão do sistema de supervisão da construção e responsabilização, incluindo dos altos funcionários. Em menos de 24 horas, a petição ultrapassou as 10.000 assinaturas, tendo sido encerrada no sábado. Pouco tempo depois, as contas nas redes sociais do grupo e todas as ligações à petição desapareceram. O Gabinete para a Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong, do Governo central, denunciou anteriormente que “indivíduos anti-chineses e mal-intencionados” espalharam rumores e aproveitaram a tragédia para “satisfazer ambições políticas” e “provocar novamente o caos”, um comportamento que descreveu como “contrário à humanidade” e que será objecto de “punição legal”. Luto e detenções Hong Kong iniciou sábado três dias de luto pelo incêndio que consumiu o complexo residencial Wang Fuk Court, em Tai Po, no norte da cidade, e que causou pelo menos 146 mortos e cerca de 200 desaparecidos. Às 08:00 horas, o Chefe do Executivo, John Lee Ka-chiu, presidiu a uma sessão em que foram feitos três minutos de silêncio no exterior da sede do Governo. As bandeiras da China e da Região Administrativa Especial de Hong Kong (RAEHK) estão a meia haste em todos os edifícios públicos até hoje. Sábado de manhã, dezenas de famílias com crianças prestaram homenagem às vítimas em silêncio na praça Golden Bauhinia, em Wan Chai. O departamento de Assuntos Internos instalou áreas de condolências nos 18 distritos da cidade, com livros de assinaturas disponíveis ao público. O Governo cancelou ou adiou as actividades festivas financiadas com fundos públicos e os altos funcionários não participaram em eventos não essenciais durante o período de luto. O rei Carlos III enviou uma mensagem de condolências, afirmando que ele e Camila estão “profundamente tristes” com a tragédia e elogiando “a extraordinária coragem dos serviços de emergência” e “o espírito determinado” da comunidade da antiga colónia britânica. O responsável dos bombeiros, Andy Yeung, revelou que os sistemas de alarme dos oito blocos estavam avariados e anunciou a tomada de medidas contra os empreiteiros. Três gestores da Prestige Construction and Engineering Co, incluindo dois directores, foram detidos na quinta-feira por alegado homicídio por negligência, por utilização de materiais não conformes. A comissão independente contra a corrupção deteve um total de oito pessoas relacionadas com as obras de renovação.