Trump passa a integrar lista de “predadores da imprensa” da Repórteres Sem Fronteiras

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi incluído na lista de “predadores da imprensa”, elaborada pela organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), após ataques para reduzir o jornalismo à comunicação política e restrições impostas aos profissionais da informação.

Na lista anual de 2026, publicada ontem, Trump figura ao lado de outros líderes que já constavam de edições anteriores da RSF e que continuaram a utilizar o aparelho do Estado para amordaçar os meios de comunicação, como os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Nicarágua, Daniel Ortega (juntamente com a esposa, Rosa Murillo); ou da Bielorrússia, Alexander Lukashenko.

A RSF (Reporters sans frontières, sedeada em Paris) sublinha que, no caso do Presidente norte-americano, desde o início do segundo mandato, em Janeiro de 2025, “os seus ataques contra a imprensa ultrapassam cada vez mais o âmbito da retórica e das políticas públicas, traduzindo-se em restrições físicas impostas aos jornalistas”.

A organização insiste que Trump “multiplicou os ataques para reduzir o jornalismo a mera comunicação política” e recorda que, com o chefe de Estado republicano, os Estados Unidos desceram, num ano, sete lugares no seu ranking sobre a liberdade de imprensa, figurando agora numa pouco honrosa 64.ª posição.

Outra das personalidades que integram esse grupo de ameaças à segurança dos jornalistas — no qual figura o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman — é o Presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi , a quem se atribui nas últimas semanas a prisão dos jornalistas do portal de verificação Matsaddash e o encerramento do Mada Masr, um meio de comunicação de referência.

Outras pressões

No plano económico, a RSF aponta os gigantes tecnológicos norte-americanos Alphabet (proprietária, nomeadamente, da Google) e Meta (Facebook, WhatsApp, Instagram), mas também multimilionários como o francês Vincent Bolloré (proprietário, entre outros, de jornais, canais de televisão e rádios) e o georgiano Bidzina Ivanichvili por enfraquecerem os meios de comunicação independentes ou por colocarem a independência editorial sob pressão.

A organização de defesa da liberdade de imprensa reitera a designação de Elon Musk como um dos “predadores” por fomentar a desinformação, nomeadamente através da rede social X, que lhe pertence, bem como por propagar o ódio contra os jornalistas e obstruir a liberdade de informação.

No relatório deste ano, figura igualmente o Presidente argentino, Javier Milei, que, desde a chegada ao poder em Dezembro de 2023, “multiplica os ataques contra jornalistas e meios de comunicação críticos, aos quais acusa regularmente de corrupção, mentiras e manipulação política”.

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