Economia | Operadoras vão contribuir com quase metade de fundo público

O Governo anunciou que as seis concessionárias do jogo vão contribuir com 45 por cento de um novo fundo público de 20 mil milhões de patacas. Os recursos serão canalizados para indústrias emergentes, modernização industrial, investigação científica e empresas tecnológicas

O fundo arranca com uma participação de 11 mil milhões de patacas provenientes das reservas financeiras acumuladas do Governo e uma contribuição total de 9 mil milhões de patacas das seis concessionárias, que assumem a posição de primeiros investidores privados.

A gestão do fundo ficará a cargo da Sociedade de Investimento e Gestão de Macau, sendo que os documentos constitutivos foram assinados na sexta-feira pelo presidente da empresa pública, Che Weng Keong, e representantes das seis concessionárias.

Segundo o Governo, o fundo funcionará ao abrigo da lei dos fundos de investimento e do regime de gestão dos fundos de orientação governamental, tendo três níveis, compostos por um fundo de orientação, fundos-mãe e sub-fundos, geridos por profissionais seleccionados através de mecanismos de mercado.

Os recursos serão dirigidos prioritariamente para indústrias emergentes, modernização industrial, transformação de resultados de investigação científica e empresas tecnológicas em fase inicial, com o objectivo de apoiar o desenvolvimento articulado entre Macau, a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin e a região da Grande Baía.

Na intervenção durante a cerimónia, a secretária para a Economia e Finanças, Dora Ng Wai Han, classificou a diversificação adequada da economia como uma “tarefa imperativa” para Macau e defendeu que a industrialização avançada, a inovação tecnológica e a transferência de resultados científicos exigem investimentos “avultados e de longo prazo”. A governante afirmou que a criação do fundo segue “experiências de mercados vizinhos mais maduros” e visa mobilizar capital privado através de uma gestão orientada para o mercado, promovendo o desenvolvimento de indústrias emergentes e futuras.

Dora Ng destacou ainda o papel das concessionárias na estratégia de diversificação económica do território, sublinhando que as empresas têm vindo a cumprir os compromissos de investimento em projectos não relacionados com o jogo previstos nos contratos de concessão. Segundo a secretária para a Economia e Finanças, a constituição do fundo resulta de negociações entre o Governo e as seis operadoras, reflectindo a “cooperação entre ambas as partes e a confiança do sector empresarial no futuro desenvolvimento de Macau”.

Focar investimentos

Em diferentes comunicados, as operadoras Sands China e a Wynn Macau confirmaram que vão contribuir para o fundo, a primeira com 2,3 mil milhões de patacas e a segunda com 1,3 mil milhões, que serão contabilizados no cumprimento dos compromissos de investimento não associados ao jogo assumidos ao abrigo do contrato de concessão.

“A Sands comprometeu-se a investir pelo menos 35,84 mil milhões de patacas até ao final de 2032, dos quais cerca de 33,39 mil milhões de patacas deverão ser canalizados para projectos não relacionados com o jogo. A contribuição para o novo fundo governamental substituirá outros projectos e despesas inicialmente previstos no âmbito desse programa de investimentos”, destacou a operadora.

Recorde-se que as seis operadoras de jogo em Macau estão contratualmente comprometidas a investir mais de 130 mil milhões de patacas em elementos não relacionados com o jogo até 2032. Nos primeiros nove meses do ano, os casinos de Macau registaram receitas totais de 187,11 mil milhões de patacas, um aumento de 3,2 por cento em comparação com o mesmo período de 2025.

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