Imagens para ver na galeria Ochre Space até ao dia 24

A galeria Ochre Space, em Lisboa, fundada pelo curador, fotógrafo e advogado João Miguel Barros, apresenta até ao próximo dia 24 a exposição de fotografia “Kamaitachi”, de Hosoe Eikoh. A coordenação e curadoria está a cargo do próprio João Miguel Barros, sendo este um dos mais importantes fotógrafos japoneses do período contemporâneo.

Segundo o catálogo da mostra, são 13 as imagens deste fotógrafo que podem ser vistas pelo público português. “Esta exposição parte de uma pergunta simples: o que muda quando algumas fotografias de um livro passam das páginas para as paredes de uma sala? Para responder, escolhemos treze imagens de ‘Kamaitachi’ e demos-lhes uma ordem própria, inspirada na lenda que dá nome ao projecto. Explicar essa ordem obriga a começar pelo livro e pelo nome”, é explicado.

“Kamaitachi” é um livro de fotografia com grande no género de dança do pós-II Guerra Mundial, intitulado “Ankoku Butoh”, também conhecido como “dança das trevas” ou “dança da escuridão”. A primeira edição aconteceu em 1969, em Tóquio, mas já várias edições posteriores da mesma obra foram realizadas.

Projecto de monta

Conforme explica João Miguel Barros no texto que acompanha a exposição, “antes de ser livro, ‘Kamaitachi’ foi uma viagem”, já que o fotógrafo tentou lidar com as memórias da sua saída de Tóquio em 1944, em plena II Guerra Mundial, com apenas 11 anos. “Viveu até Setembro de 1945 em Yonezawa, onde nascera, junto da família materna. Duas décadas depois escolheu Akita, terra natal de Hijikata Tatsumi, figura fundadora do ankoku butō. A memória do fotógrafo encontraria no corpo do bailarino uma experiência próxima da sua, embora vivida por outra pessoa. Em Setembro de 1965, trabalharam dois dias na aldeia de Tashiro, em plena colheita do arroz.”

O termo “Kamaitachi” remete para “cortes súbitos na pele, atribuídos ao vento, sem que se veja o que os provocou”, ou ainda “o nome da criatura invisível que os provocaria, frequentemente imaginada como uma doninha de garras em forma de foice que habita o redemoinho”.

“A criatura chega, fere e vai-se embora; quem a recebe encontra o corte, mas não vê o que o causou. Nesta exposição, a dobra e a ferida sugerem duas relações com o que não se vê: a página aberta revela a fotografia que ocultava; o corte é a marca de uma causa que permanece invisível”, acrescenta-se. O público pode ver 13 imagens dispostas em oito paredes com uma organização muito própria.

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