A Era Brilhante do Divino Pintor Yang Zihua

Feng Xiaolian (-581), que foi uma talentosa e brilhante concubina de Gao Wei (565-577) o quinto e penúltimo imperador da dinastia Qi do Norte (550-577), por ser o centro da atenção do monarca cuja extrema extravagância e falta de habilidade para governar conduziu à queda da breve mas florescente dinastia, tornar-se-ia um exemplo do brilho que pode encadear um governante, distraindo-o das suas obrigações.

Um episódio em particular é apontado. O que levaria ao derrube militar do seu governo, quando o imperador Wu da dinastia Zhou atacava a cidade de Pingyang, actual Linfen, e Gao Wei com a sua concubina que já elevara ao grau shufei, o mais alto do concubinato, estava numa caçada junto ao lago Qilian, actual Xinzhou (Shanxi). Regressando para combater os invasores, o monarca insistiu que ela observasse a batalha vestida com um brilhante uniforme militar. E foi o que o poeta Li Shangyin (813-58) recordou anos depois em dois poemas como uma admoestação, perante o receio de incúria imperial.

No primeiro, escreve: «Sabendo que o seu sorriso astuto tinha o valor de dez mil assuntos de Estado, Uma beleza capaz de derrubar uma cidade, apresentava-se vestida com uniforme militar. Jinyang já tinha caído, mas ela pediu-lhe que não olhasse para trás, Rogando ao seu senhor, o imperador, que fizesse mais uma ronda na sua caçada.»

A desgraça seria tanto mais trágica quanto a dinastia alardeava um inegável esplendor que ainda hoje se observa, por exemplo, no túmulo do aristocrata e alto funcionário Lou Rui em Taiyuan (Shanxi). Especialmente impressionantes são os murais que se estendem por cerca de duzentos metros quadrados que, entre outros objectos artísticos, acompanhariam o senhor na sua vida do além. Cenas de procissões militares e caçadas, pelo cuidado desenho das cabeças humanas e dos cerca de duzentos cavalos, são associadas a um ilustre pintor de quem o reconhecido Yan Liben (c.600-73) disse ser capaz de «captar na perfeição as subtilezas» da representação.

Yang Zihua foi pintor na corte do imperador Wucheng, Gao Zhan (r. 561-65) e se dos murais do túmulo de Lou Rui apenas se deduz a autoria, auxiliada por assistentes, de outras pinturas só se conhecem cópias. A mais conhecida, data da dinastia Song (960-1279) e mostra Eruditos da dinastia Qi analisando textos clássicos (rolo horizontal, tinta e cor sobre seda, 114 x 27,5 cm, no Museu de Belas Artes de Boston). Ilustra um momento de descontração dos eruditos que trabalhavam a pedido de Wenxuan, Gao Yang (r.550-59), o primeiro imperador de Qi do Norte.

Do sentimento nostálgico que envolve a figura de Yang Zihua, dito huasheng, o «pintor divino», falam dois versos do poema que Su Shi escreveu quando visitava Changzhou (Jiangsu): «Desejariamos captar numa pintura a beleza incomparável desta cidade, Mas neste Mundo já não existe Yang Zihua.»

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado