China / ÁsiaChina pede para participar nas consultas pedidas pelo Brasil contra EUA na OMC Hoje Macau - 12 Ago 2026 A China pediu para participar nas consultas abertas na Organização Mundial do Comércio (OMC) na sequência da disputa iniciada pelo Brasil contra os Estados Unidos sobre tarifas adicionais aplicados a determinados produtos brasileiros, revelou segunda-feira a organização. O pedido chinês foi apresentado em 06 de Agosto e comunicado ao Órgão de Solução de Controvérsias da OMC, refere um documento divulgado pela organização. A China, detalha, pretende juntar-se às consultas solicitadas pelo Brasil no âmbito da disputa “Estados Unidos – Direitos adicionais sobre determinados produtos originários do Brasil”, cujo pedido foi distribuído pela OMC em 30 de Julho. Pequim justificou o pedido com o argumento de que possui um “interesse comercial substancial” nas consultas entre Brasil e Estados Unidos. Segundo as regras da Organização Mundial do Comércio, os países envolvidos nas consultas, a exemplo do Brasil e dos EUA, precisam de autorizar a participação de um terceiro membro, no caso, a China. Brasília accionou a OMC contra duas tarifas aplicadas pela administração de Donald Trump, sendo uma de 25 por cento pelo facto de Washington entender que o Brasil adopta práticas desleais relativamente às empresas norte-americanas. Os EUA também aplicaram tarifas de 12,5 por cento ao Brasil, assim como a outras dezenas de países que supostamente falharam na fiscalização de importação de produtos produzidos a partir do trabalho forçado. Pequim destacou que essas medidas afectam as suas exportações para o mercado norte-americano, com excepção de determinados produtos, e alteram as condições de concorrência dos produtos chineses devido às tarifas adicionais impostas. Manobras de Donald Também segunda-feira, a Organização Mundial do Comércio informou que os EUA aceitaram o pedido do Brasil para iniciar consultas no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. No documento, Washington sinalizou estar disponível para reunir com representantes da missão brasileira numa data que seja conveniente para ambas as partes. A aplicação das sobretaxas dos EUA ao Brasil é mais um capítulo da crise diplomática entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto. O executivo liderado pelo Presidente Lula da Silva tem dito, reiteradas vezes, que são falsas as alegações de Washington contra o Brasil e acusa Donald Trump de aplicar sanções ao país como forma de interferir no processo eleitoral brasileiro.