Armazém do Boi | A beleza de uma perspectiva feminina em exposição

“The Golden Ratio – Macau Exchange Exhibition” traz ao público local, a partir de sexta-feira, visões femininas do que é a beleza no Armazém do Boi. Recorrendo a expressões artísticas e culturais como a instalação, fotografia ou vídeo, dez artistas de Macau e da China mostram emoções, pensamentos e reflexões em torno desta temática

O Armazém do Boi traz para a sua agenda, a partir desta sexta-feira, uma proposta cultural que remete para as visões de beleza a partir de uma perspectiva feminina. “The Golden Ratio – Macau Exchange Exhibition” (Cacece Contemporary Art: Women Artists Series) é o nome da mostra que nos traz trabalhos de artistas como Wang Lu, natural de Chengdu; Bianca Lei Sio-Chong e Hio Lam Lei, de Macau; de entre um total de dez artistas.

Segundo a informação oficial sobre a exposição difundida nas redes sociais do Armazém do Boi, trata-se de uma exposição que pretende dar respostas sobre “quem define os padrões de beleza”.

“Como parâmetro de beleza, a ‘proporção áurea’ foi, ao longo da história, construída em grande parte através de perspectivas masculinas em diferentes campos, em vez de ser estabelecida pelas próprias mulheres. Esta lógica estética centrada na aparência está frequentemente desligada da saúde, do conforto e da realidade vivida pelas mulheres.”

Desta forma, com a evolução de “tendências estéticas, tradições culturais e valores sociais”, as mulheres passam a ser “frequentemente, e de forma invisível, pressionadas a conformar-se a imagens específicas”, além de que “as definições de felicidade são limitadas por estas estruturas”. Desta forma, entende a organização da mostra, “estes padrões, com o tempo, solidificam-se gradualmente em grilhões de valores dos quais é difícil libertar-se, confinando as mulheres a uma forma de ser predeterminada”.

As “dez artistas mulheres consagradas da China Continental e de Macau” participam em “The Golden Ratio” com recurso a vídeo, pintura, fotografia, instalação e outros meios, revelando “emoções interiores, experiências pessoais e perspectivas distintas, que podem ser articuladas num contexto artístico”.

O público pode, assim, ver obras que ” não só desafiam os papéis de género tradicionais e expectativas sociais, como também procuram reimaginar e redefinir uma ‘proporção áurea’ pertencente às mulheres, preparando o terreno para um diálogo profundo”.

Dinâmicas de vida

Um dos exemplos nesta exposição de como a mulher artista se relaciona com o ambiente que a rodeia, e o imagina, reside no trabalho da artista local Bianca Lei Sio-Chong. Com mestrado em Belas Artes obtido na Universidade de Middlesex em 2001, em Londres; e uma licenciatura na mesma área pela Universidade de Nottingham Trent em 2000, em Nottingham, Reino Unido, Bianca tem-se focado “principalmente na relação dinâmica entre o ser humano e os factores ambientais”, nomeadamente o lugar ou o tempo.

Segundo o Armazém do Boi, Bianca pensa também, quando produz arte, sobre “questões decorrentes do rápido desenvolvimento urbano em Macau ao longo da última década, explorando fronteiras entre diferentes meios, suportes de imagem (como a tela) e a própria imagem, bem como entre uma obra de arte e o seu espaço de exposição”.

Também de Macau, apresenta-se o trabalho de Hio Lam Lei, descrita como uma “artista interdisciplinar cujo trabalho abrange imagens em movimento, escultura, gravura, fotografia e texto”. Esta artista “utiliza frequente a Psicologia Analítica como ferramenta de investigação”, sendo que a sua prática artística “examina as normas sociais e a sua influência na autoidentificação dos indivíduos”. Além disso, “o seu interesse de investigação recente centra-se na psicodinâmica subjacente aos rituais e práticas de cura nas tradições religiosas populares Han”.

Da China, mais concretamente de Chengdu, chega-nos o trabalho de Wang Lu, com formação em Belas Artes em Sichuan. É professora associada da Academia de Belas Artes de Chengdu, na área de arte em meios digitais, dedicando-se principalmente a trabalhos em meios digitais, fotografia, imagem e outros. O seu trabalho faz-se, na sua maioria, no formato videoarte.

A curadoria desta mostra é, também ela, dividida entre a RAEM e a China. De Chengdu chega a colaboração de Zhao Huan, também artista e licenciado pela Utrecht Graduate School of Visual Art and Design. Foi fundador do re-C Art Space e do He Duoling Art Museum e ainda iniciador do projecto de arte pública “Symbiosis” e do C.sth Art Group, um “selo artístico feminista interdisciplinar”. Este curador “há muito que se dedica a práticas experimentais que apoiam o intercâmbio artístico, a colaboração e a voz colectiva”.

No caso de Wendy Wong, licenciada pelo departamento de comunicação em inglês da Universidade de Macau, já foi repórter cultural e editora, sendo escritora freelancer, crítica de teatro e curadora. Mais recentemente trabalhou em projectos como “Who Am I With: Li Aixiao”, ou no Festival Internacional de Artes Performativas de Macau (MIPAF), nas edições de 2022 e 2024, entre tantos outros.

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