Enviado especial chinês ao Médio Oriente põe questão palestiniana na agenda

O enviado especial chinês para o Médio Oriente, Zhai Jun, sublinhou ontem, no Cairo, ao ministro dos Negócios Estrangeiros egípcio, Badr Abdelatty, que a questão palestiniana “não deve voltar a ser ignorada nem esquecida”.

Zhai indicou que a “questão palestiniana é fundamental para a paz, estabilidade e segurança a longo prazo no Médio Oriente” e que os acordos posteriores à guerra em Gaza “devem estar em consonância com a implementação da ‘solução de dois Estados'”, segundo um comunicado publicado ontem pelo ministério dos Negócios Estrangeiros da China.

O diplomata chinês declarou que “uma maior propagação do conflito causaria maiores perdas, afectando o desenvolvimento económico regional e a segurança energética mundial”, sublinhando a “urgência” de um “cessar-fogo” para “retomar o caminho correcto da resolução de disputas através de canais diplomáticos”.

Abdelatty afirmou que “a actual escalada de tensões regionais tem graves consequências e não beneficia nenhuma das partes”, instando o Irão a “cessar os ataques contra países árabes”. “O actual conflito não deve desviar a atenção internacional da questão palestiniana, nem do acordo de cessar-fogo em Gaza, bem como dos acordos de governação e reconstrução no pós-guerra”, afirmou o diplomata egípcio, de acordo com o comunicado chinês.

Segundo Abdelatty, “o Egipto e a China partilham um elevado grau de consenso em questões regionais, e o Egipto está disposto a reforçar a coordenação e cooperação com a China para promover conjuntamente o restabelecimento da paz e da estabilidade na região”.

No terreno

Zhai, cuja agenda de reuniões nos países do Médio Oriente não foi detalhada, encontra-se na região a realizar uma “mediação activa” no conflito, no âmbito da qual tem previstos contactos com as partes envolvidas para promover o regresso às negociações, informou recentemente o ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

O diplomata já visitou outros países como a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos ou o Bahrein, onde defendeu um cessar-fogo e o “respeito” pela “soberania, segurança e integridade territorial dos Estados árabes da região do Golfo”. O conflito opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel desde o final de fevereiro, quando ambos os países lançaram ataques contra território iraniano, aos quais Teerão respondeu com ofensivas contra vários países do Golfo e posições ligadas a Washington na região.

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