Óscares | Paul Thomas Anderson foi o grande vencedor da noite

Paul Thomas Anderson foi o rei dos Óscares, após 14 nomeações, com “Batalha Atrás de Batalha” a ser o filme mais premiado com meia dúzia de estatuetas, seguido de “Pecadores”. Entre os “oscarizados” das principais categorias, destaque para Michael B. Jordan, Jessie Buckley, Amy Madigan e Sean Penn

 

“Batalha Atrás de Batalha” confirmou o favoritismo imparável que adquiriu ao longo de toda a época de prémios, em que triunfou na maioria dos colégios de eleitores, e levou seis Óscares para casa – mais do que qualquer outra longa-metragem a concurso este ano – incluindo o tão cobiçado Melhor Filme, na 98.ª gala dos prémios da Academia de Cinema norte-americana, que se realizou ontem, no Dolby Theatre, em Los Angeles.

Três destas estatuetas foram entregues à mesma pessoa: Paul Thomas Anderson. A vontade de consagrar um dos nomes mais relevantes do Cinema norte-americano contemporâneo, depois de 14 nomeações, terá sido um factor importante.

Aliás, esta é uma tendência da Academia que se repete pelo terceiro ano consecutivo. “Oppenheimer” permitiu a consagração de Christopher Nolan, em 2024, e “Anora” fez o mesmo por Sean Baker, no ano passado.

No entanto, desengane-se quem possa assumir que “Batalha Atrás de Batalha” é apenas um prémio de carreira. Trata-se de (mais) uma grande obra de Paul Thomas Anderson, com uma ambição técnica só superada pela sua execução, um elenco ultra-carismático – que valeu a Cassandra Kulukundis o primeiro Óscar de Melhor Casting de sempre – e um argumento colorido de frases que ficam na memória (Melhor Argumento Adaptado foi, de resto, a categoria que rendeu a Paul Thomas Anderson o primeiro Óscar da noite e da carreira). Pelo meio, Sean Penn conseguiu o seu terceiro Óscar, vencendo em Melhor Actor Secundário por assumir o papel de um antagonista marcante.

“Batalha Atrás de Batalha” chega no primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump. É um filme que aborda temas como a supremacia branca, abre com uma sequência em que revolucionários salvam imigrantes latino-americanos do exército norte-americano e o palco do ponto intermédio da narrativa é um confronto nas ruas de uma pequena localidade entre agentes da autoridade e manifestantes. No entanto, o filme foi produzido antes de Donald Trump ter sido sequer eleito. A verdade é que “Batalha Atrás de Batalha” fala da América actual, porque na verdade está a falar da América de sempre. É um filme que tem tanto de actual, como intemporal, e esta dupla faceta, somada a um mérito artístico evidente, tornou o filme inevitável.

Multiculturalidade na História

“Tenho muito orgulho nele, por me ter dado o presente das suas histórias sobre o Mississípi, por ter posto a tocar música ‘blues’ para eu ouvir e ter conversado comigo sobre isso”, afirmou Ryan Coogler, vencedor do Óscar de Melhor Argumento Original por “Pecadores”. “Ele era o mais próximo que tive de um avô”, contou, considerando que o tio, que já morreu, continua a dar-lhe presentes até hoje.

Coogler também se mostrou agradecido pelo sucesso de bilheteira de “Pecadores”, que cativou uma grande audiência em todo o mundo. “Estou incrivelmente grato pela interacção do público com a história na sala de cinema”, afirmou. “Isto foi algo em que sempre pensei. Perceber que, com a escrita, o que nos importa muitas vezes também importa a outras pessoas se conseguirmos comunicar os sentimentos da forma certa”, continuou.

“Pecadores” bateu o recorde de nomeações para os Óscares, com 16 indicações, e deu a Michael B. Jordan a primeira vitória como Melhor Actor. Coogler revelou que pensou nele para interpretar o papel duplo de Smoke e Stack Moore antes mesmo de ter pronta a versão final do argumento. “Assim que imaginei o que estes dois personagens iam ser, soube que tinha de telefonar ao Mike”, contou o realizador.

Coogler também elogiou os educadores e aqueles que preparam as próximas gerações, referindo que foi incentivado a fazer filmes por uma professora, quando tinha apenas 17 anos. “Ela leu uma coisa que escrevi e disse, ‘acho que devias ir para Hollywood e escrever argumentos'”, contou.

Elevadas categorias

Olhando para os diversos vencedores e vencidos por categoria, “Batalha Atrás de Batalha”, que o realizador Paul Thomas Anderson adaptou do romance “Vineland”, de Thomas Pynchon, venceu sobre os nomeados “Bugonia”, “Frankenstein”, “Hamnet” e “Sonhos e Comboios”.

Sean Penn, ausente da cerimónia, foi o escolhido entre nomeados que incluíam Benicio Del Toro (“Batalha Atrás de Batalha”), Jacob Elordi (“Frankenstein”), Delroy Lindo (“Pecadores”) e Stellan Skarsgård (“Sentimental Value”).

“Pecadores” obteve o primeiro prémio da noite, com Ryan Coogler a ser distinguido pelo Melhor Argumento Original, suplantando Robert Kaplow, por “Blue Moon”, Jafar Panahi, por “Foi Só Um Acidente”, Ronald Bronstein e Josh Safdie, por “Marty Supreme”, e Eskil Vogt e Joachim Trier, por “Sentimental Value”.

O Óscar de Melhor Design de Produção — ou Dirceção Artística — foi para Tamara Deverell e Shane Vieau, por “Frankenstein”, deixando para trás “Hamnet”, “Marty Supreme”, “Batalha Atrás de Batalha” e “Pecadores”. Enquanto “Avatar: Fogo e Cinzas” garantiu o Óscar de Melhores Efeitos Visuais a Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett. Os outros nomeados eram “F1”, “Mundo Jurássico: o Renascimento”, “The Lost Bus” e “Pecadores”.

Lugar ao sentimento

“Valor Sentimental”, de Joachim Trier, vence Óscar de Melhor Filme Internacional. O prémio foi anunciado pelo actor Javier Barden, que recordou a guerra e clamou por “Palestina Livre!” Eram também candidatos a Melhor Filme Internacional “Foi só um Acidente”, de França, e “Sirât”, de Espanha.

Durante a cerimónia, a Academia de Hollywood homenageou os profissionais de cinema que morreram durante o ano que passou, detendo-se em particular no realizador Rob Reiner, na actriz Diane Keaton e no actor, realizador e produtor Robert Redford.

O director de fotografia português Eduardo Serra, a actriz italiana Claudia Cardinale, o dramaturgo britânico de origem checa Tom Stoppard e o realizador húngaro Béla Tarr foram outros homenageados, numa longa lista que também incluía realizadores como Robert Benton, Frederick Wiseman e Marcel Ophuls, e os actores Robert Duvall, Val Kilmer, Catherine O’Hara e Terence Stamp, entre profissionais de diferentes áreas do cinema.

Subscrever
Notifique-me de
guest
0 Comentários
Mais Antigo
Mais Recente Mais Votado
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários