Fronteiras | Secretário quer segurança contra forças externas

O secretário para a Segurança prometeu que a região irá reforçar a segurança nas fronteiras em 2026, “para evitar a interferência de forças externas”. Chan Tsz King destacou a importância da colaboração com as secretas do Interior da China e de Hong Kong

O secretário para a Segurança, Chan Tsz King, comprometeu-se com o reforço da segurança nos postos fronteiriços de Macau ao longo deste ano, “para evitar a interferência de forças externas”, mas sem apontar quaisquer ameaças.

“Aprimoraremos ainda mais a vigilância de segurança nos portos marítimos e terrestres, para evitar a interferência de forças externas”, disse Chan à emissora pública TDM – Teledifusão de Macau.

Numa mensagem a propósito do Ano Lunar do Cavalo de Fogo, que começou na semana passada, o dirigente não identificou quais as ameaças vindas do estrangeiro, mas prometeu “salvaguardar integralmente a segurança nacional”. “Continuaremos a fortalecer as nossas capacidades de recolha e análise de inteligência, especialmente através de intercâmbios de inteligência contínuos com a China continental e Hong Kong”, disse também Chan Tsz King.

Em Novembro, o secretário prometeu criar, em 2026, um sistema de alerta de riscos contra a segurança nacional e alertou contra “actos de interferência e destruição” por parte de “forças externas”.

Discórdia perigosa

Em 31 de Julho, a polícia de Macau anunciou a detenção do ex-deputado Au Kam San, cidadão português, no primeiro caso ao abrigo da lei de segurança nacional.

Em 5 de Fevereiro, o director da Polícia Judiciária garantiu aos jornalistas que havia provas suficientes para justificar a detenção de Au Kam San. “As provas são muitas e estamos a entrar no processo de julgamento, por isso não podemos divulgar os detalhes”, disse Sit Chong Meng.

Três dias antes, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch disse que o caso de Au Kam San ilustra a “erosão da autonomia e das liberdades fundamentais” em Macau.

Em Novembro, o chefe da Delegação da União Europeia (UE) em Hong Kong e Macau escreveu nas redes sociais que se tinha encontrado com o secretário para a Economia e Finanças de Macau, Anton Tai Kin Ip. “Também expressei preocupação com questões políticas”, acrescentou o britânico Harvey Rouse. Mas a representação da UE escusou-se a revelar à Lusa se o processo contra Au Kam San foi mencionado na reunião.

Em Setembro, durante uma visita a Macau, o primeiro-ministro Luís Montenegro admitiu que não discutiu a detenção do cidadão português com o líder do território, Sam Hou Fai. “Há alguns assuntos que merecem também algum recato no tratamento e esse é um deles”, defendeu o primeiro-ministro.

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