EUA | Pequim condena intercepção de navio ligado à Rússia

Pequim denunciou ontem a apreensão por parte dos Estados Unidos de um petroleiro que navegava sob bandeira russa em águas internacionais, classificando a acção como “arbitrária” e uma violação do direito internacional. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Mao Ning afirmou que a detenção de navios de outros países em alto-mar “contraria gravemente o direito internacional” e os princípios da Carta das Nações Unidas.

As declarações surgem após a Guarda Costeira dos EUA ter interceptado o petroleiro Marinera – anteriormente conhecido como Bella 1 – no Atlântico Norte, acusando-o de violar o regime de sanções imposto por Washington. Segundo os Estados Unidos, o navio tentava aceder a águas venezuelanas para carregar crude.

Moscovo já qualificou a operação como uma “intercepção ilegal” e exigiu um tratamento “humano e digno” para a tripulação. Pequim reiterou também a sua oposição às sanções unilaterais impostas por Washington sem respaldo das Nações Unidas, considerando que estas “carecem de base legal”.

Em resposta a notícias sobre um possível agravamento das sanções norte-americanas contra a Rússia – com advertências dirigidas a empresas de países como a China, Índia ou Brasil – Mao Ning sublinhou que a cooperação económica, comercial e energética entre Pequim e Moscovo é “normal” e “não visa terceiros”, pelo que “não deve ser interferida”.

A apreensão do Marinera insere-se na crescente pressão dos EUA sobre as exportações de petróleo da Rússia e da Venezuela. Washington anunciou recentemente novas medidas para confiscar navios ligados ao comércio de petróleo venezuelano e controlar indefinidamente as receitas associadas.

Segundo órgãos de comunicação norte-americanos, o Marinera fazia parte da chamada “frota fantasma” usada para contornar as sanções ocidentais, o que tem alimentado fricções diplomáticas entre Washington, Moscovo e agora também Pequim.

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