Camboja liquida banco de magnata líder de rede de burlas

O Camboja anunciou ontem a liquidação imediata do Prince Bank, propriedade do magnata chinês Chen Zhi, detido esta semana e extraditado para a China, onde é investigado por liderar uma rede transnacional de fraude e tráfico de pessoas.

Numa resolução publicada pelo Banco Nacional do Camboja, a entidade ficou impedida de aceitar depósitos e conceder empréstimos, um dia após Phnom Penh confirmar a detenção e entrega de Chen a Pequim. A liquidação será supervisionada pela empresa Morisonkak MKA, que deverá garantir o levantamento dos depósitos pelos clientes e a continuação do pagamento dos créditos em curso.

O Prince Bank era uma das mais de 100 empresas do conglomerado Prince Group, fundado por Chen Zhi, que ao longo da última década expandiu-se em áreas como turismo, tecnologia, logística, alimentação e finanças. Várias dessas empresas foram identificadas por Washington como fachadas para esquemas de burla ‘online’ e redes de tráfico humano no Sudeste Asiático.

O ministério do Interior cambojano afirmou que a detenção de Chen, de 37 anos, ocorreu na terça-feira, “no âmbito da cooperação para combater o crime transnacional e a pedido das autoridades chinesas”. A operação incluiu também a captura dos cidadãos chineses Xu Ji Liang e Shao Ji Hui, igualmente extraditados.

Investigação conjunta

Phnom Penh revelou que Chen foi despojado da nacionalidade cambojana em Dezembro, por decreto real, meses depois de garantir que o empresário a tinha obtido legalmente. A detenção, segundo o comunicado, foi resultado de “meses de investigação conjunta” com a China.

Em Outubro passado, o Departamento de Justiça dos EUA acusou Chen de crimes financeiros ligados ao trabalho forçado. As autoridades norte-americanas alegam que o empresário liderava uma operação de burla ‘online’ “em escala industrial”, envolvendo centenas de vítimas mantidas sob coação em instalações semelhantes a prisões no Camboja. A justiça dos EUA confiscou 15 mil milhões de dólares em bitcoin ao grupo, na maior apreensão de criptomoedas na sua história.

No ano passado, o porta-voz do ministério do Interior do Camboja declarou que Chen não se encontrava no país e que nem ele nem a sua empresa enfrentavam acusações locais. A mudança de posição foi agora interpretada como sinal de maior alinhamento com Pequim no combate ao crime financeiro e às redes de burla transfronteiriça.

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