Jogo | Fitch avalia novas obrigações da SJM como especulativas

A agência de notação financeira acredita que o grupo tem um longo caminho para percorrer para reduzir o endividamento. Um dos problemas identificado é a incerteza sobre os resultados do Grand Lisboa Palace e a falta de atracção a nível do mercado de massas

A agência de notação financeira Fitch avaliou como especulativos os novos títulos não subordinados que vão ser emitidos em Janeiro pela SJM. Este é um tipo de dívida pago de forma prioritária face a outros tipos e o anúncio da emissão foi feito na segunda-feira, embora os pormenores só devam ser conhecidos nos próximos dias.

De acordo com o relatório da Fitch, citado pelo portal GGR Asia, a nota “BB-” para os novos títulos de dívida foi justificada com “as perspectivas negativas que recaem sobre o próprio grupo”. O nível “BB-” da escala de avaliações significa que os títulos são encarados como especulativos e que existem riscos “elevados” de incumprimento.

Os factores com impacto negativo na avaliação do grupo, elencados pelos analistas Samuel Hui, Rebecca Tang e Tyran Kam, apontam para a redução dos lucros da empresa nos próximos anos. A Fitch explica que 2025 vai confirmar um crescimento dos lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização da SJM Holdings, tal como aconteceu em 2024, mas em 2027 espera-se uma redução desses lucros, que deverão ficar abaixo da performance de 2024.

No relatório, a agência observa igualmente que a SJM está a fazer um caminho positivo para reduzir os níveis de endividamento. Contudo, não deixa de se mostrar preocupada com os impactos dos resultados do Grand Lisboa Palace, no Cotai, e o encerramento de vários casinos-satélite.

Dias de incerteza

Sobre o desenvolvimento do Grand Lisboa Palace, é referido que o casino sofre do problema de estar afastado do centro do Cotai. No entanto, os analistas apontam que a empresa tem feito todos os esforços para aumentar a atractividade do espaço em termos do mercado de massas, o que tem passado por tentar melhorar a ligação com o resto da cidade.

Em relação aos casinos-satélite, a aquisição pela SJM do L’Arc Macau, que vai passar a explorar directamente, é tida como positiva e uma forma de tentar “reter metade da quota de mercado dos casinos-satélite encerrados”, utilizando para este efeito as mesas de jogo que ficaram livres com os outros satélites que fecharam as portas.

A Fitch entende também que o L’Arc Macau tem a vantagem de estar virado para o segmento de clientes que frequentava os casinos encerrados.

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