Zona Norte | Elevado fluxo de turistas sem impacto nos negócios

Apesar do elevado número de turistas que visitou Macau nos últimos dias, os efeitos na económica comunitária continuam a ser reduzidos. Alguns comerciantes queixam-se de um Natal pouco movimentado

Apesar do elevado número de turistas que entrou no território nos feriados do Natal e Ano Novo, comerciantes da zona norte da península revelam que a actividade económica não apresentou melhorias. O relato foi traçado pelo jornal Ou Mun, na edição de ontem, e contrasta com as enchentes nas principais atracções turísticas.

De acordo com o cenário traçado no Bairro do Iao Hon, alguns restaurantes que são actualmente mais populares nas redes sociais conseguiram mais clientes. No entanto, esta movimentação não contribuiu para melhorar a actividade económica naquela zona da cidade. Ao jornal Ou Mun, Chan, uma trabalhadora de uma loja de venda de roupa afirmou que as ruas continuaram desertas e que o Bairro do Iao Hon nunca foi um lugar popular para turistas.

Chan indicou que a realização de eventos pelo Governo com base em desenhos animados e descontos de consumo tiveram um impacto reduzido, mas que mesmo assim não é sustentável. Assim que as iniciativas terminam, o número de turistas que vai àquela zona baixa imediatamente.

A funcionária da loja de vestuário explicou ainda que é cada vez mais difícil para os negócios físicos competirem com a concorrência dos preços praticados no Interior da China ou das compras online. Chan revelou que a competição levou ao encerramento de várias lojas encerrassem, produzindo um efeito dominó, que contribuiu para a “desertificação” comercial do bairro.

A mulher deixou assim o desejo que o Governo organize novas iniciativas no Iao Hon durante o novo ano e que continue a embelezar as ruas, para tornar o local mais atractivo.

Efeitos limitados

Também uma residente de apelido Leong, responsável por um restaurante no Iao Hon, reconheceu que o impacto dos visitantes é limitado. Em relação ao seu negócio, a residente afirmou que tem beneficiado do turismo. No início servia mais os clientes locais, mas as redes sociais vieram tornar o seu espaço muito popular entre visitantes do Interior da China, o que leva a que cada vez mais turistas visitem o restaurante para comer e tirar fotografias.

Apesar do sucesso, Leong observou que o impacto dos turistas é limitado, porque as deslocações àquela zona são orientadas para restaurantes. Assim que acabam as refeições e tiram as fotografias, os turistas deixam a zona norte, sem se aventurarem pelo bairro ou visitarem outras lojas.

A empresária reconheceu também que a maioria dos restaurantes na zona enfrenta dificuldades e que o volume de negócios durante o período do Natal foi extremamente reduzido.

Sobre o futuro, Leong destacou a importância das medidas adoptadas pelo Governo para apoiar as pequenas e médias e empresas (PME). Contudo, reconheceu que as medidas são temporárias e que os comerciantes têm de lidar sozinhos com a queda do volume de negócios, dado que o cenário presente não deverá sofrer alterações.

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