Proteccionismo | Li Qiang adverte para “espiral destrutiva”

As políticas proteccionistas e que visam a dissociação económica entre a China e o Ocidente podem gerar um “círculo vicioso” e arrastar o mundo para uma “espiral destrutiva”, alertou ontem o primeiro-ministro chinês.

“Isto leva os países de todo o mundo a um círculo vicioso em que a luta por uma fatia maior do bolo acaba por encolher o bolo”, afirmou Li Qiang, num discurso proferido na abertura da reunião anual de Verão do Fórum Económico Mundial, que está a decorrer na cidade de Dalian, no nordeste da China.

Referindo-se à mentalidade do “pequeno quintal com uma vedação alta”, Li condenou os esforços de Washington para restringir o acesso da China a alta tecnologia e outras indústrias chave.

“A escolha certa é abordar as questões de desenvolvimento com uma visão de longo prazo e uma mente mais aberta, e juntarmo-nos a outros para expandir esse bolo. É assim que podemos sustentar o crescimento da economia mundial e abrir novos horizontes para o nosso próprio desenvolvimento”, insistiu.

O político chinês garantiu que a mentalidade proteccionista “não conseguirá travar o desenvolvimento dos outros”, em referência ao que Pequim considera serem as tentativas de Washington para conter a China: “No final, só acaba por prejudicar quem adopta essa postura”.

Li também dedicou parte do seu discurso àquilo a que a China chama “novos sectores energéticos”, como os painéis solares ou os veículos eléctricos, que estão a ser alvo dos EUA e da União Europeia (UE) devido aos subsídios industriais oferecidos por Pequim, vistos como potencialmente indutores de concorrência desleal.

“Não podemos abrandar a nossa velocidade na transição ‘verde’ em troca de crescimento a curto prazo, nem podemos praticar o proteccionismo em nome do desenvolvimento ‘verde’ ou da protecção ambiental”, afirmou.

O compromisso da China para com as energias renováveis – Li referiu que o país já representa mais de 50 por cento da capacidade instalada mundial – não se destina apenas a satisfazer as necessidades domésticas de energia limpa, mas também a alimentar o abastecimento internacional e a ajudar a aliviar a inflação mundial.

“Devemos abandonar o confronto entre blocos e ir contra a dissociação das cadeias de abastecimento”, afirmou, insistindo que “a história do desenvolvimento económico global mostra que a abertura traz progresso”.

Esforços comerciais

Referindo-se à economia chinesa e à recuperação da “dura doença” que sofreu durante os anos da política ‘covid zero’, Li reiterou a confiança na concretização dos objectivos de crescimento para este ano, de cerca de 5 por cento em termos anuais, e apelou às empresas estrangeiras para que aproveitem as oportunidades do “vasto mercado” chinês.

“Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para criar um ambiente empresarial orientado para o mercado e de classe mundial, no âmbito de um quadro jurídico sólido. Para o efeito, revogámos regulamentos que limitavam o acesso ao mercado e a concorrência leal”, afirmou o primeiro-ministro chinês, que apelou a medidas específicas e a progressos graduais na recuperação da economia nacional.

Criado pelo FEM – uma instituição privada famosa pelo seu encontro anual de líderes mundiais no Inverno em Davos (Suíça) – em 2007, o “Davos de Verão” realiza-se todos os anos na China e, nesta ocasião, está a ter lugar na cidade costeira de Dalian, desde ontem até quinta–feira.

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