Máscaras | Nova ronda começa com longas filas nos pontos de venda

O primeiro dia de mais uma ronda do plano de fornecimento de máscaras ficou marcado por longas filas de residentes em busca de obter as unidades a que têm direito. No dia da estreia de venda de máscaras infantis alguns tiveram medo que estas pudessem esgotar. Mais de 100 mil residentes já adquiriram máscaras, revelaram as autoridades

 
“Decidi vir hoje [ontem] porque tenho medo que as máscaras esgotem”, confessou ao HM uma mulher na casa dos 20 anos residente de Macau, que tinha chegado há poucos minutos à longa fila que percorria quase na totalidade a rua de São Lourenço até fazer a esquina, continuando pela Rua Inácio Baptista. “Na segunda ronda não vim levantar as máscaras e agora queremos garantir que levantamos as 10 unidades a que tenho direito antes que cheguem ao fim os 10 dias para o levantamento”, explicou.
Contrariando o apelo feito no dia anterior por Lei Wai Seng, responsável dos Serviços de Saúde (SS), no sentido de evitar uma “corrida às farmácias” e “criar ajuntamentos de pessoas que podem aumentar o risco de infecções”, o HM constatou que se formaram longas filas nalguns pontos de venda, nomeadamente nos centros de saúde do Tap Seac e de São Lourenço. Uma agente da polícia destacada para garantir a segurança junto ao centro de saúde de São Lourenço, estimou estarem reunidas cerca de uma centena de pessoas às 14h30. “Não sei porque é que as pessoas decidiram vir todas no primeiro dia”, partilhou.
Num dia que ficou também marcado pelo início do fornecimento de máscaras infantis, sendo estas vendidas exclusivamente nos centros de saúde, foi possível verificar que muitos compareceram propositadamente à sua procura. “Vim porque amanhã [hoje] vou viajar para Hong Kong e tenho um filho com cinco anos”, afirmou uma mulher residente de Macau, de apelido Cheong, enquanto esperava na fila para adquirir máscaras no centro de saúde de São Lourenço. “Penso que o número de máscaras que estão a fornecer destinadas às crianças é suficiente”, acrescentou. De opinião contrária é outra residente de Macau que à sua compra pretendia juntar a compra de máscaras para a irmã mais nova. “Cinco máscaras não é suficiente”, partilhou com o HM.
Recorde-se que as máscaras infantis disponíveis a partir de ontem são destinadas a crianças entre os três e os oito anos, podendo ser adquiridas cinco máscaras por cada criança e de cada vez. “Com base no princípio da justiça, as crianças desta faixa etária também podem ter acesso a cinco máscaras para adultos, ao mesmo tempo, ou podem em alternativa ter 10 máscaras para adultos”, pode ler-se numa nota divulgada ontem pelo Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus. Nesta terceira fase de fornecimento foram colocadas à disposição da população, um milhão de máscaras infantis que o Governo adquiriu.
“Devido à falta de máscaras para crianças em todo o mundo, no plano de fornecimento foi estabelecida uma faixa etária”, justificou o Governo em comunicado.
O funcionário de um hotel dispensado de trabalhar por estes dias que também se encontrava na fila para comprar máscaras revelou ao HM que tem passado a última semana em casa “a jogar jogos e a navegar na internet”. “Em casa tento usar o mínimo possível para poupar as máscaras e só volto ao trabalho no dia 19”, partilhou o homem de apelido Kim. Já Cheong, que continuava à espera que chegasse a sua vez para comprar máscaras para o filho, diz estar a aproveitar o tempo em casa “para ensinar sobre alguns assuntos” o filho de cinco anos.

Mais um milhão

No total, já tinham sido vendidas, ao final da tarde de ontem 1,14 milhões de máscaras, revelaram dados oficiais do Serviços de Saúde, por ocasião da conferência de imprensa diária sobre o novo tipo de coronavírus. Assim, no primeiro dia da terceira ronda, os SS confirmaram que foram mais de 100 mil os residentes que se deslocaram aos 87 pontos de venda de máscaras em Macau, entre as farmácias convencionadas e os 21 pontos de serviço das associações cívicas que participam no plano. Quanto ao número de máscaras infantis vendidas no primeiro dia da terceira ronda de fornecimento, foram vendidas 19 unidades.
Acerca do stock total de máscaras actualmente disponível, as autoridades de saúde confirmaram na terça-feira já terem sido vendidas 10 milhões de máscaras ao fim das duas rondas de fornecimento, ou seja, metade da encomenda total feita pelo Governo de 20 milhões de unidades. “O Governo está a dar o seu melhor para adquirir mais máscaras em todo o mundo e é assim que vamos garantir o fornecimento de máscaras aos residentes de Macau”, explicou na altura, Lei Wai Seng.

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