Apologia da arrogância

Primeiro, ocuparam as ruas, pediram sufrágio directo sem escolha prévia e foram corridos com gás pimenta. Não lhes deram nada. Apesar da natureza pacífica do Occupy Central, os “líderes” foram presos. Depois, foram às urnas e votaram para o LegCo. Elegeram pró-democratas e localistas.

Se a crise dos juramentos permite apoiar a expulsão dos dois separatistas, as restantes foram uma purga política. Mas eles não desistiram e apresentaram-se novamente a sufrágio. Em várias decisões ilegais, que não resultaram na prisão de ninguém, o Governo impediu-os de participar nas eleições. Mais uns meses em Hong Kong levaram com um comboio que fica sob jurisdição do Interior, apesar de ser em território da RAEHK. Houve muitas críticas que foram ignoradas.

Entretanto o criador do lema “revolução dos nossos dias” foi preso, por agressões a polícias em Mong Kok e levou uma pena de seis anos. Só que os polícias no Occupy Central espancaram um manifestante indefeso atrás de uma viatura, tentaram encobrir o crime e levaram penas mais leves.

Alguns até já foram absolvidos porque a polícia nunca erra. Este ano veio a Lei de Extradição. Muitos protestos, deputados a serem expulsos da LegCo e Carrie Lam (sozinha?) a forçar o abismo. Um milhão veio para a rua e Lam ignorou: “well noted, thanks”. No dia da votação veio a violência que nesse dia teve origem na polícia. Ainda de madrugada já andava a identificar pessoas e às 8h30 começaram a gasear os manifestantes. Foram precisos mais três meses, violência e 1.000 detenções para haver uma retirada. Agora a violência das “baratas” é constante.

É, não haja dúvidas que há crimes. Mas quem manda de facto já fez um mea culpa sincero e tentou criar harmonia? Não! Preferem proibir máscaras e libertar o homicida de Taiwan para culparem os manifestantes… Como se isso resolvesse alguma coisa. É o estadismo da arrogância, que deixa arder Hong Kong e prejudica irremediavelmente a China.

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Jorge
Jorge
7 Out 2019 14:58

Como diz o lema: UM PAÍS, DUAS DITADURAS!