Automobilismo | Red Bull dispensa duplo vencedor do GP Macau

No passado mês de Novembro, Dan Ticktum entrou para o restrito painel de pilotos que venceram o Grande Prémio de Macau de Fórmula 3 por duas ocasiões. Depois da notícia de que a restrita porta da Fórmula 1 poderia estar aberta ao britânico, a Red Bull veio agora fechar essa possibilidade

 

Há seis meses, aclamado pela imprensa internacional especializada pelo seu triunfo irrepreensível entre nós, o inglês de 20 anos era um sério candidato a um lugar na Fórmula 1. Seis meses depois, Ticktum recebeu “ordem de marcha” de quem lhe ia proporcionar essa possibilidade, a Red Bull.

Depois do segundo triunfo consecutivo no Circuito da Guia e sem pontos suficientes para tirar a super-licença, e assim garantir um lugar na Fórmula 1 esta temporada, o piloto que igualou o feito de Edoardo Mortara (2009/10), António Félix da Costa (2012/16) e Felix Rosenqvist (2014/15) foi enviado pela Red Bull para o Japão. A ideia era que o vice-campeão europeu de Fórmula 3 seguisse as pisadas do francês Pierre Gasly que usou a experiência acumulada no exigente campeonato de monolugares nipónico Super Fórmula como trampolim para o “Grande Circo”.

Contudo, ao fim das três primeiras corridas, Ticktum só somou um ponto e ocupava uma modesta 14ª posição na classificação de pilotos.

Na passada quinta-feira, a Red Bull Junior Team comunicou que o mexicano Pato O’Ward iria tomar o volante de Ticktum no Japão. Não houve lugar a explicações, nem qualquer menção ao futuro do jovem inglês. Todavia, em declarações à imprensa durante o fim-de-semana do Grande Prémio da Áustria de Fórmula 1, o Dr Helmut Marko, que gere todas as actividades relacionadas com o automobilismo do gigante das bebidas energéticas, esclareceu que Ticknum não abandonou o Red Bull Junior Team, foi sim afastado.

Menino mal-comportado

Ticktum foi recebido de braços aberto no programa de jovens pilotos da Red Bull, apesar do seu passado colorido. Em 2015, o londrino, então com 16 anos, foi suspenso por duas temporadas por ter atingido propositadamente um rival durante um período de “safety-car” numa corrida da Fórmula 4 britânica. Regressaria à competição no final de 2016 após a Red Bull ter visto nele um campeão em potência.

O ano passado, quando era uma séria possibilidade para a Toro Rosso, a segunda equipa da Red Bull no mundial de Fórmula 1, Christian Horner, o chefe de equipa da Red Bull Formula 1, criticou o compatriota publicamente por “falar antes de pensar”. Isto, depois de Ticktum ter levantado suspeitas quanto à performance superior de Mick Schumacher na segunda metade no europeu de Fórmula 3. Na altura, Horner afirmou que Ticktum teria que moderar o temperamento se quisesse ser considerado um candidato viável à F1.

Colocado pela Red Bull nas séries de Inverno do asiático de Fórmula 3, com o objectivo de alcançar pontos para a tão desejada super-licença, Ticktum voltou a falar com coração quando os resultados ficaram muito aquém das expectativas. Com dois triunfos em Macau no bolso e o estatuto de super-favorito, Ticktum não conseguiu impor-se a uma concorrência teoreticamente mais fraca e lançou dúvidas infundadas sobre a legalidade dos carros dos seus adversários. A desilusão foi tão grande que a Red Bull colocou um fim prematuro a esta primeira aventura asiática.

O seu curto périplo na Super Fórmula também não correu bem, deixando críticas à equipa e levantando dúvidas sobre a condição do seu monolugar. A Red Bull não foi na conversa e desta vez cortou o mal pela raiz.

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