Rota das Letras | Poesia e Salvador Sobral marcam a edição deste ano

A oitava edição do festival literário Rota das Letras acontece no próximo mês e será dedicado à poesia, lembrando não só o centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner como os 200 anos do nascimento de Walt Whitman. Na música, destaque para o concerto de Salvador Sobral

 

Nem só de romances se fará a nova edição do festival literário Rota das Letras, que este ano muda de casa e acontece em vários pontos da cidade. O programa foi ontem divulgado e dá destaque à poesia escrita em português e inglês, mas também à música. Agendado para os dias 15 a 24 de Março, o festival acontece no Centro de Arte Contemporânea, localizado no Porto Interior.

Grandes nomes da poesia norte-americana, como Walt Whitman e Herman Melville serão recordados, sem esquecer o centenário da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner. Jorge de Sena, autor que ficou conhecido essencialmente pela sua poesia e que escreveu um único romance, “Sinais de Fogo”, também será lembrado.

A organização do festival vai recordar o poeta macaense Adé dos Santos Ferreira, que escreveu poemas em Patuá. “Todos eles serão homenageados durante o evento, em sessões de poesia, debates, projecção de filmes, performances e exposições, envolvendo convidados locais e vindos do exterior”, aponta o comunicado oficial.

Na música destaque para a presença de Salvador Sobral, o cantor português que venceu o Festival Eurovisão da Canção com o tema “Amar pelos Dois”. O concerto acontece a 17 de Março, estando prevista a realização de outros eventos com “músicos, romancistas e cineastas”, que serão “anunciados oportunamente”.

Nova literatura

A primeira edição do festival sem Hélder Beja como director de programação celebra também o centésimo aniversário do 4 de Maio, a efeméride que marca o nascimento do chamado Movimento da Nova Literatura da China. O programa irá destacar o contributo de alguns dos seus mais importantes mentores, como Lu Xun, Hu Shi e Zhu Ziqing, entre outros.

Está garantida a presença dos poetas chineses Jidi Majia, vice-presidente da Associação de Escritores da China, Bei Dao, Yan Ai-Lin, Chris Song, Yam Gon, Chen Dong Dong, Shu Yu, Huang Fan, Lu Weiping, Na Ye, Tan Wuchang e Hsiu He, a maioria proveniente da China Continental, mas também alguns oriundos de Taiwan e Hong Kong.

Dos países de expressão portuguesa vão chegar, entre outros, José Luís Tavares (Cabo Verde), Pedro Lamares (Portugal), Hirondina Joshua (Moçambique), Gisela Casimiro (Guiné-Bissau) e Eduardo Pacheco (Angola).

A associação local de poesia O Outro Céu junta-se ao evento através dos seus membros Mok Hei Sai, Lou Kit Wa, Wong In In e Gaaya Cheng. O grupo de teatro de Macau Rolling Puppets levará à cena, nos últimos três dias do Festival, nas antigas Oficinas Navais, a peça de teatro de marionetas Droga, adaptação do romance homónimo de Lu Xun publicado em 1919.

Além do Centro de Arte Contemporânea o festival Rota das Letras terá sessões públicas em diversos outros locais da cidade, como o Art Garden, Albergue da Santa Casa, Centro de Indústrias Criativas de Macau, Instituto Português do Oriente, Cinemateca Paixão e Livraria Portuguesa.

A oitava edição conta com o jornalista e escritor Carlos Morais José e a artista plástica Alice Kok na direcção do festival. O director do jornal Hoje Macau assume as funções de director de programação, sendo que Alice Kok, presidente da Associação Arts For All, passa a ocupar o cargo de directora executiva.

A saída de Hélder Beja aconteceu depois de ter sido retirado o convite aos autores Jung Chang, Suki Kim e James Church, cujas obras são sensíveis ao Governo chinês, tendo a direcção do festival sido informada por parte do Gabinete de Ligação do Governo Central na RAEM que a sua presença no território não era oportuna.

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