Portugal representado pela primeira vez no centenário do armistício em Hong Kong

Portugal esteve ontem representado pela primeira vez nas comemorações em Hong Kong do Dia do Armistício da I Guerra Mundial, numa estreia que um representante da Liga dos Combatentes considerou positiva para a imagem internacional do país.

A presença reveste-se de especial importância pela “projecção da imagem do país junto da comunidade internacional”, afirmou Vitório Rosário Cardoso, após a cerimónia, durante um encontro do representante português, o adido da Defesa da embaixada em Pequim, com membros da comunidade lusófona de Hong Kong, vizinha de Macau.

“Normalmente, nestas ocasiões, quem não aparece, não existe (…) no mundo diplomático e no circuito diplomático, seja militar ou político”, o que tem um significado muito importante porque (…) projectou o nome de Portugal junto de uma comunidade multissetorial”, acrescentou.

Para o adido da Defesa em Pequim, Mário Mendes Saraiva, esta primeira representação “é uma grande honra”, sobretudo pela “distinção que fez o representante inglês ao mencionar o nome da embaixada de Portugal, em detrimento de outras comunidades”.

Cem anos depois do fim simbólico da Primeira Guerra Mundial, milhares de pessoas reuniram-se ao largo do Cenotáfio de Hong Kong, bem no centro da cidade, para homenagear as vítimas das duas guerras mundiais.

A comemoração do aniversário do centenário prosseguiu no Club de Recreio de Hong Kong, de grande significado para a comunidade lusa, porque “recorda os portugueses em combate na I e II Guerra Mundial, esta última já sob bandeira britânica”, sublinhou Vitório Cardoso, responsável pela reactivação da delegação da Liga dos Combatentes em Macau e Hong Kong, e ainda de uma outra extensão em Timor-Leste.

De resto, destacou, “os próprios militares portugueses em Hong Kong formaram uma companhia só de portugueses no regimento real de Hong Kong”.

Neto de um soldado que combateu na I Guerra Mundial, Francisco Roza disse à Lusa que esta primeira representação portuguesa nas cerimónias tem um valor simbólico pessoal. “O meu avô esteve envolvido na I Guerra Mundial, tenho comigo o certificado: era soldado voluntário”, lembrou, emocionado.

Igualmente comovido, Anthony Cruz disse ter evocado a memória do pai e dos tios que combateram nas duas guerras mundiais. “Pela primeira vez, prestei hoje homenagem a todas as almas valentes” envolvidas nos conflitos e que “lutaram para sobreviver”, disse.

Conhecido como Tony Cruz, seis vezes campeão nas corridas de cavalos em Hong Kong, proeminente personalidade da comunidade portuguesa na antiga colónia britânica, o descendente luso salientou ter pena de que só agora Portugal tenha marcado presença nas cerimónias do Dia do Armistício.

“Já devíamos [descendentes de portugueses] ter sido representados antes, porque somos aqueles que ficámos, depois de todos terem emigrado para os países falantes de língua inglesa”, declarou.

Hoje está prevista uma cerimónia, ainda para assinalar o Dia do Armistício, na capela de São Miguel Arcanjo, em Macau.

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