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Não tenho os créditos desta expressão maravilhosa, os créditos vão para o anúncio de um hotel com propósito de receber casais calorosamente e sexualmente envolvidos. Faz-se amor porque ele não existe realmente. Digamos que num mundo de materialismo pouco poderá tornar o amor mais real do que fazê-lo. Manuseando as formas mais naturais dos corpos, tal e qual como viemos ao mundo, permitindo o rubor de certas partes mais propícias ao prazer. Assim acontece o amor, o sexo, pronto.

Mas o amor, apesar de se poder fazer de forma tão (aparentemente) simples não se mantém só porque sim. O amor será como construir uma bela casa, que precisa de estrutura, tijolos, pintura e decoração adequada. Há elementos mais importantes que outros, e diria que há alguns mais universais e outros mais particulares aos casais em causa. A terapia de casal tenta explorar algumas destas dinâmicas amorosas de forma a reestruturar o amor – que pode estar simplesmente perdido, à espera de ser reencontrado.

Em certos contextos de tradição judaico-cristã o amor deveria ser para sempre, mas já ninguém acredita nisso. O amor que ‘seja infinito enquanto dure’ já dizia o Vinicius de Moraes. A prova viva é de muitos recém-casados se divorciarem em menos de um ano. Afinal, como é que se garante um final feliz se o amor não existe? Trabalhar o amor como uma figura de barro, com alguma delicadeza e cuidado. Quem é que está para isso? Talvez os mais tradicionais e antigos ainda consigam imaginar vidas românticas com um só protagonista. O primeiro namorado torna-se no primeiro e último marido. Ainda que seja uma ideia que tenha funcionado e ainda funcione para alguns, nunca funcionará para todos. O mundo está tão cheio de tentações e de pecados, para manter o tom da semana santa que ainda agora passou, que os desafios ao amor romântico são muitos. Um casal amoroso é amoroso até certo ponto. A violência pode estar presente, a infidelidade, o desentendimento, a opressão e o medo. Quando a união poderia representar a mais pura forma de confiança e de entendimento mútuo das almas e dos corpos, nem sempre é isso que acontece.

Conhecer o outro de uma forma mais profunda tem muito que se lhe diga. Atrever-me-ei a dizer que o amor é a arte do conhecimento e da compreensão, na medida porém, o conhecimento total do outro é inatingível Alguma coisa se vai descobrindo ao longo do tempo e dos tempos, nunca sem medo da inevitável transformação que faz com que a total desmistificação do outro seja improvável. O amor é como encontrar o equilíbrio entre o que conhecemos do outro e nos faz confortável e daquilo que nunca seremos capazes de alcançar.

O tesão dá uma ajudinha ao amor e à paixão. Excluindo os assexuais, outras orientações e identidades concordarão com a estreita relação entre o amor e o sexo, ou o desejo. Alguns dar-lhe-ão mais importância do que os outros – porque eu acho que cada um tem a liberdade de expressar-se sexual e amorosamente como bem entender– mas a exploração do corpo faz parte do pacote de conhecimento. Conhecer o outro é saber quando ele está rabugento e respeitar o seu espaço, mas também é conhecer-lhe o cheiro, saber como consegue atingir o orgasmo ou saber onde é que ele prefere ejacular.

Na minha humilde opinião, fazer amor não se limita ao sexo. Essa seria uma visão simplista demais. Pretendo incentivar o poder ‘agêntico’ dos seres – o que nos faz ter controlo das situações – pelas questões amorosas, porque o amor faz-se. O amor não é uma coisa que acontece zás-trás, plim-plim. O amor faz-se acontecer.

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