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Faleceu, na madrugada de ontem, o mestre Jao Tsung-I, que nos anos 80 veio para Macau onde fundou, na antiga Universidade da Ásia Oriental, o departamento de história e literatura chinesa. No território, Jao Tsung-I deu também o nome a uma academia dedicada às artes e cultura. O Chefe do Executivo dedicou condolências à família

Surpresa e consternação. Foram estas as primeiras palavras que o Chefe do Executivo, Chui Sai On, usou para se referir ao falecimento do mestre de estudos chineses e grande nome das artes, Jao Tsung-I. Este morreu na madrugada de ontem, depois de uma carreira preenchida, que passou pela criação de duas academias com o seu nome, em Macau e Hong Kong.
Jao Tsung-I veio para Macau em 1981, quando foi convidado para ser professor catedrático da antiga Universidade da Ásia Oriental, actual Universidade de Macau (UM). Foi ele o fundador do departamento de história e literatura chinesa desta instituição de ensino.
Chui Sai On referiu-se a ele como sendo “um grande mestre dos estudos chineses, uma personalidade conceituada na China e no exterior”. “O professor Jao Tsung-I foi um famoso historiador, paleógrafo, literato, calígrafo e educador, cuja fama cruzou mares. Durante toda a sua vida, divulgou a cultura chinesa, contribuindo de forma importante para o ensino superior e a investigação académica em Macau.”
O Chefe do Executivo destacou ainda a importância que Jao Tsung-I continuou a ter na sociedade local após o regresso de Macau à China.
Este “continuou a dedicar-se e a orientar os estudos na área da paleografia, apoiando veementemente o nosso desenvolvimento cultural”. “Expôs aqui repetidas vezes os seus trabalhos de caligrafia e pintura, tendo oferecido algumas das suas obras aos museus locais”, disse Chui Sai On. Essas obras levariam à criação da Academia Jao Tsung-I.
Além disso, o mestre de estudos chineses tinha “o espírito patriótico”. “O trabalho académico meticuloso do professor Jao Tsung-I são um modelo para todos nós”, acrescentou o Chefe do Executivo.

Um grande contributo

De acordo com a biografia disponível no website da Academia Jao Tsung-I, o mestre, ao criar o departamento na Universidade da Ásia Oriental, com cursos de mestrado e doutoramento, “contribuiu consideravelmente para o desenvolvimento académico local lançando as sementes de estudos subsequentes em literatura chinesa”.
Em 2004 a UM concedeu a Jao Tsung-I o grau de doutor honoris causa em Humanidades, tendo-lhe sido atribuído também o título de Professor Honorário da universidade. A sua biografia aponta que o mestre “deu bastante atenção aos estudos arqueológicos em Macau, dando conselhos e orientando as escavações do sítio arqueológico da baía de Hac-Sa, Coloane, em 2006”.
Em 2011, Jao Tsung-I doou 30 pinturas e caligrafias da sua autoria ao Museu de Arte de Macau, além de 159 peças de arte e trabalhos académicos ao Governo, em 2013. “Ter estas peças de arte entre nós é uma honra e sentimo-nos gratos pois servirão de inspiração aos artistas locais e às gerações vindouras”, aponta a biografia do mestre.
Foram diversas as exposições que Jao Tsung-I realizou no território: Terra Pura – Exposição de Pintura e Caligrafia do Jao Tsung-I (Centro UNESCO de Macau, Novembro de 1999); Exposição de Caligrafia e Pintura de Rao Zongyi (Museu de Arte de Macau, Julho de 2001) onde, a par de 103 obras de arte de autoria do Professor Jao, foram apresentados outros trabalhos de artistas chineses do continente e ultramarinos, bem como uma variedade de objectos ornamentais e estudos; Lótus Imortal: Pintura e Caligrafia de Jao Tsung-i.
Alem disso, em Novembro de 2006 foi feita uma exposição para celebrar o seu 90º aniversário, tendo sido realizada, em Novembro de 2011, a iniciativa Aspirações Convergentes: Exposição de Pinturas e Caligrafias Doadas ao Museu de Arte de Macau por Jao Tsung-I, patente no Museu de Arte de Macau.

O apoio à Macaulogia

Entretanto, a UM reagiu também à morte do mestre, tendo referido, num comunicado, que os membros da universidade “nunca se vão esquecer” do seu contributo.
Jao Tsung-I foi, aos olhos da UM, “um académico erudito e um escritor prolífero”, bem como “um mestre da sinologia, um historiador, arqueólogo e académico de Confúcio”.
“Ele dedicou toda a sua vida à promoção da sinologia, também com grandes realizações na arte e literatura. O professor Jao Tsing-I e a sua persistência nos objectivos académicos é um exemplo para todos nós.”
Na UM, Jao Tsing-I “apoiou activamente o desenvolvimento da Macaulogia, tendo dado uma grandiosa contribuição para a UM na implementação e desenvolvimento da disciplina”.

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