Tarifas de autocarros: Da moral (ou da falta dela)

Fazer os trabalhadores não residentes (TNR) pagar tarifas mais altas nos autocarros que os residentes é, no mínimo, imoral. O facto parece-me tão óbvio, tão constitutivo de uma normal formação ética, que me custa argumentar contra ele. É algo que me surge como profundamente estranho, inesperado, quase indizível. Imagino que, se isto for contado à minha frente noutro país qualquer, corarei de vergonha de ser residente de uma cidade com este tipo de práticas.

Os TNR, portadores de blue card, são a energia que mantém esta região limpa, movente, eficaz e internacional. Sem eles, este mundo, que vai das Portas do Cerco a Coloane, pararia. Por outro lado, tratam-se das pessoas que pior ganham nesta terra. Como é que pode passar na cabeça de alguém sobrecarregá-los com mais uma despesa, ainda por cima desnecessária aos cofres da RAEM?

Sinceramente, acho isto tudo muito estranho, de uma desumanidade atroz. Já nem se trata aqui de existirem cidadãos de primeira e de segunda categoria. Estamos, muito simplesmente, na área da benevolência (仁 Ren) e da caridade cristã, ou da falta delas. Como podem os nossos políticos querer ser lembrados por medidas tão ultrajantes da dignidade humana? Sobretudo da deles…

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