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Eles juram a pés juntos que “Cristòfor Colom ès el nostre” e que “la independència de Portugal ha afectat a la nostre”, ainda que outros reinos, como o de Castela, Navarra e Aragão se tenham tornado independentes.

A questão da independência pôs-se quando Almansor assediou Barcelona, e o conde de Borrell, descendente de Vifredo I de Barcelona pede ajuda aos Capetos que sucedem aos Carolíngeos. Aconteceu que Hugo Capeto não apoiou Borrell, e este deixou de prestar vassalagem. Tal como o Portucalense, nascem os Condados Catalães, “sinó pela misteris del desti, Portugal va aconseguir la independència i no ho va fer Catalunya”.

Posta a história nestes termos, dir-se-á que reside algures uma má-vontade histórica no longuíssimo processo de não reconhecimento da independência Catalã, sobretudo agora que três partidos independentistas lograram juntos, uma maioria absoluta mais dois, apesar da vitória de Inés Arrimadas.

Queda-se certamente no público, nos países da Europa Comunitária, e no mundo inteiro, a expectativa sobre como se irão desenrolar os acontecimentos seguintes.

Porém, se por um lado este é o assunto candente do fim do ano, por outro existem interessantes antecedentes sobre os quais vale a pena pensar.

À mente ocorre-me o Brexit, um divórcio, uma separação que, a meu ver, foi no mínimo feia e muito britânica, criando, porventura, na Europa Comunitária, um desaconselhável precedente.

Ocorre-me também à memória o País Basco e os Etarras, e a Irlanda do Norte e o seu Exército Republicano (I.R.A.). Em ambos os casos, bem recentes no correr da história, houve luta armada, que as independências conquistam-se pela força das armas e não por votos ou exílios.

A história de Portugal é paradigma disso, incluindo a revolta do filho contra a Mãe.

Quanto a mim não estão em causa os novos métodos, pelo simples facto de que nenhum país se dispõe a uma secessão pacífica. Assim foi com os casos do Reino Unido e da Espanha, que corre também o risco de a Andaluzia querer separar-se e, por simpatia, a Flandres e a Valónia e o mais que se verá.

Do que a história recente nos mostra, recordemo-nos da Sérvia e da Bósnia Herzegovina, e do genocídio de Srebrenica, apenas como exemplo de como foi perverso o desenho do mapa da Europa Oriental do pós-guerra. Nestas coisas de países, um surto de xenofobia pode aparecer de um momento para o outro.

Perante todos estes e outros omissos antecedentes, pergunto-me o que pensará fazer Carles Puigdemont com a maioria absoluta que obteve? Negociar o que para a Espanha é inegociável? Iniciar um combate militar? Com que tropas? E a população votante, irá nisso? Irão os independentistas acolher no seu seio os potenciais combatentes?

Não, parece-me que o que Carles Puigdemont quer é conversar com o poder central. Será eventualmente um pacifista forçado que acredita que de lá longe, da Bélgica dos flamengos e valões, poderá convencer o chefe de um governo que se recusa a falar de independência.

Então, não havendo exército Catalão, não havendo vontade ou vestígios de uma insurreição armada conducente à independência, o que poderá Puigdemont aspirar?

Esta a grande questão que se põe ao ex-inquilino da Generalitat e a todos os que o apoiaram e que, segundo as mais recentes notícias na altura em que esta crónica é escrita, quer voltar a ocupar o mesmo lugar na mesma Generalitat aquando da tomada de posse do mesmo Parlamento do mesmo Governo Regional, a 23 de Janeiro p.f..

Perante isto, e porque vontade não é tudo, nas suas tumbas devem rebolar-se e. os gritantes de Ipiranga, Pedro de Alcântara, José Bonifácio de Andrade e Silva, Maria Leopoldina da Áustria e Joaquim Ledo, e com eles todos os que morreram por todas as independências.

Assim, infelizmente para a História, a montanha pariu um Puig.

 

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