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Wang Bing filmou o seu segundo documentário, He Fengming, em 2005.

Só com uma câmara, centrada numa mulher que sobreviveu aos horrores da era de Mao, Wang Bing conta uma história intimista, minimalista, quase privada. Antiga professora e jornalista, He Fengming relata de forma vivida, dolorosa e detalhada o pesadelo que viveu durante 30 anos, após a revolução.

A narrativa começa com Fengming a descer a rua coberta de neve que vai dar ao seu apartamento. Agora, sentada na sala, a mulher idosa, mais excepcionalmente bem conservada, fala para a câmara de Wang durante cerca de três horas, quase sempre em tempo real. A estratégia, totalmente não comercial, coloca o espectador numa humilde posição de receptor, quase como convidado de He. Estamos perante um estilo que preserva a pureza dos contadores de histórias. A narrativa nunca é interrompida por perguntas ou comentários. Durante quase três horas, esta mulher descreve os tormentos por que passou na prisão, num enquadramento decididamente não cinematográfico, mas sempre hipnótico. O olhar do realizador marca a forma como a história é contada, todo o seu drama e toda a sua tragédia. A abordagem totalmente estoica de Wang parece ser a forma certa e respeitadora de trazer ao espectador todo um mundo de emoções, embora este universo lhe seja desconhecido e nunca tenha imaginado sequer experiências tão degradantes.

He Fengming foi premiado no Festival Internacional de Cinema Documental de Yamagata em 2007.

Veja aqui uma entrevista com o realizador – a verdadeira natureza das histórias:

http://bit.ly/2xGebQ0

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