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A organização ambiental Greenpeace revelou ontem ter encontrado 226 substâncias poluentes em amostras de águas, ar e solo, recolhidas em torno de um conhecido parque industrial químico no leste da China.

“O parque de Lianyungang demonstra uma chocante negligência em termos de segurança”, assegurou ontem em comunicado Cheng Qian, responsável da Greenpeace no leste asiático.

Segundo a organização, o complexo recebeu desde a abertura mais de duzentas multas, tanto das autoridades provinciais como municipais, “por incumprimento das normas ambientais”.

“Os trabalhadores, a saúde pública e o meio ambiente estão em sério risco devido aos danos causados pelos químicos”, acrescentou.

A Greenpeace detectou ainda nas amostras três Poluidores Orgânicos Persistentes – substâncias químicas tóxicas para a saúde e o meio-ambiente – e assegurou que aquelas substâncias são “ilegais”, segundo a legislação chinesa e internacional.

A investigação, realizada nas imediações do Parque Químico Industrial Lianyungang, revelou que entre as referidas substâncias nocivas havia “até 16 de tipo cancerígena para o ser humano”, sobretudo metais prejudiciais para a saúde.

Ponta do iceberg

Os resultados da investigação são “sintomáticos de um problema muito maior de gestão negligente da indústria química na China”, nota a organização.

Apesar de a China ser o maior produtor de químicos do mundo e onde o sector cresce ao ritmo mais acelerado, a gestão desta indústria no país é “extremamente negligente”, denuncia.

A Greenpeace aconselha as autoridades a adoptar um sistema para que a “indústria não se desenvolva como uma bomba relógio”.

Em 2016, a indústria química chinesa alcançou 8,7 biliões de yuan  em volume de negócios, com 25.000 empresas a operar no sector, entre as quais 18.000 produzem “químicos nocivos”.

A Greenpeace estima que a indústria química chinesa crescerá em média 66%, por ano, entre 2012 e 2020. Acidentes complexos químicos acontecem regularmente.

Em Agosto de 2015, uma explosão num armazém no porto de Tianjin, no norte do país, devido á armazenagem ilegal de químicos, provocou 173 mortos.

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