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“Belonging” é a produção que revelou um jovem da RAEM no panorama cinematográfico. O destaque em Paris abre portas a um futuro promissor do jovem cineasta

Belonging é a história de George, um jovem sírio em busca da sua identidade depois de deixar o país e ir para Paris. George acaba por evocar as suas memórias enquanto escuteiro e assim redescobrir a sua pertença a uma comunidade. O filme está já seleccionado para inúmeros festivais incluindo o PLURAL+ Film Fest apoiado pelas Nações Unidas e teve também a sua passagem pela RAEM no Macau Short Sound and Image Challage. Foram estas nomeações que trouxeram a Pierre Ieong, produtor e realizador, a confiança para o futuro. O filme é de alguma forma uma procura de identidade que o realizador também viveu. Nasceu e cresceu em Macau, passou por Hong Kong e agora, aos 18 anos, está em Paris a terminar o ensino secundário com distinção governamental enquanto se aventura como freelancer na produção de fotografia e vídeo.
Belonging foi a primeira produção de Pierre Ieong e o sucesso que a acompanhou trouxe o interesse do público e da indústria do cinema que está agora de olhos postos no jovem realizador.
Apesar do sucesso do filme, a sua produção foi “relâmpago” diz Pierre Ieong ao HM. O realizador teve conhecimento do “dead line” de candidaturas ao Plural+ 15 dias antes da mesma. Foram duas semanas de produção que incluíram a concepção do guião, casting e construção de equipa de produção. As filmagens ocuparam quatro dias e a edição e montagem, “20 horas sem parar” para que o filme desse entrada a cinco minutos do fim de prazo que lhe veio a valer o reconhecimento, afirma o realizador. Belonging abriu as portas a financiamentos que, para Pierre Ieong já têm destino: novas produções baseadas em questões socioculturais, não deixando de frisar a sua esperança de que um dia possa fazer um filme sobre Macau.

Da RAEM para o Mundo

Pierre Ieong com apenas 18 anos já vê o seu nome nos ecrãs de cinema com produções e realizações próprias. Actualmente vive em Paris onde está a acabar o liceu tendo passado a infância na RAEM. Para além dos livros já abraça a profissão de fotógrafo e cineasta. O bichinho do cinema remonta a 2010 quando foi protagonista no Pavilhão de Macau na expo Xangai. Pierre relembra esta altura como o início do fascínio pela sétima arte. Refere a experiência como fonte de inspiração para começar a fazer os seus próprios filmes. Foi com 16 anos, e com a chegada a Paris que conheceu “mais pessoas com a mesma paixão pelo cinema” tendo-se voluntariado para participar na série juvenil Tatane.
Para o realizador, apesar de considerar Macau um território próspero e emergente , é ainda um espaço onde faltam as oportunidades para jovens artistas e criadores. Pierre Ieong alerta ainda para a necessidade de dar mais apoio a actividades culturais de modo a encorajar os mais novos, ao mesmo tempo que defende que o envolvimento dos jovens em actividades culturais é “essencial para o crescimento mental”. Para Macau, deseja que enquanto centro de convergência entre várias culturas seja reconhecido internacionalmente, ao mesmo tempo que deixa o recado para os artistas locais: “empenho na aprendizagem com coragem porque os anos de juventude são aqueles em que há mais tempo, energia e vontade”. Estes são os motes para sair da zona de conforto e partir para o desconhecido onde se pode crescer e aprender, remata.

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