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Um centro de apoio jurídico para mulheres em Pequim, apoiado pela possível candidata à presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton, foi “provavelmente” encerrado por ter recebido donativos provenientes do estrangeiro, avançou ontem um jornal estatal.
“O requerimento terá sido feito na sequência dos fundos atribuídos por organizações estrangeiras”, afirma o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo Diário do Povo, órgão central do Partido Comunista Chinês (PCC).
O jornal detalha que o centro recebeu donativos da Fundação Ford, uma entidade sediada em Nova Iorque.
O anúncio do encerramento do Centro de Serviços e Aconselhamento Jurídico para Mulheres Zhongze, destinado a chinesas com baixos rendimentos, foi confirmado na segunda-feira através de um comunicado.
Na nota, a organização agradece aos seus apoiantes, sem avançar com uma explicação.

Parcerias obrigatórias

A decisão surge numa altura em que o Governo chinês pretende aprovar um projecto de lei que, entre outras medidas, estipula que as Organizações Não Governamentais (ONG) estrangeiras estabeleçam uma parceria com pelo menos um órgão governamental e submetam os seus planos de acção à polícia, para aprovação.
Os voluntários de ONG estrangeiras a operar na China são frequentemente acusados na imprensa local de pretenderem sabotar a segurança nacional ou “conspirar” contra o PCC, que governa num sistema unipartidário.
No mês passado, a China deteve e deportou o sueco Peter Dahlin, co-fundador da ONG China Action, que cooperou com advogados chineses, por alegadamente representar uma ameaça à segurança nacional.
O centro Zhongze foi fundado pelo advogado Guo Jianmei, depois de uma conferência de alto nível organizada em 1995 pelas Nações Unidas, em Pequim, em torno da questão dos direitos das mulheres.

A voz da América

Hillary Clinton, que marcou presença na referida conferência, reagiu, entretanto, através da sua conta oficial no Twitter: “O que em 1995 era verdade em Pequim; é verdade hoje: os direitos das mulheres são direitos humanos. O centro devia manter-se – o meu apoio para Guo”.
Só no ano passado, mais de 130 advogados dos Direitos Humanos e funcionários relacionados foram detidos na China.
Em editorial, o Global Times refere que “casos sensíveis” e “fundos oriundos do estrangeiro” recebidos pelo centro “ajudam a explicar o caso”.
“Os donativos tinham um cunho político e selectividade passível de perturbar sociedade chinesa”, acusa o jornal.
O centro mediatizou-se por defender Deng Yujiao, que ao reagir com uma faca a uma tentativa de violação por um funcionário do Governo, em 2009, acabou por o matar.

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