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Roman Khromov é o nome do turista russo que no passado dia 10 foi detido pela PSP por colocar fotografias da sua viagem no passeio de uma rua da cidade. O artista estaria a vender as lembranças para pagar uma viagem à volta do mundo, mas foi a ocupação da via pública que lhe valeu uma ida até à esquadra.
Segundo Khromov, não lhe foi explicada a razão pela qual, na tarde de segunda-feira, foi detido. Ao HM, o jovem explicou que lhe foi pedido que registasse as impressões digitais e que assinasse um papel das autoridades inteiramente escrito em Chinês. Khromov recusou a assinatura e o passo seguinte foi uma viagem até aos Serviços de Migração, onde novamente lhe foram pedidas as impressões digitais e lançado um aviso com a nota de que era contra a legislação local fazer o que fez.
“Fui detido pela polícia de Macau por estar a partilhar a minha viagem sob a forma de fotografias e fui detido somente por isso, quando nem sequer tive tempo de colocar as imagens no chão”, conta o turista numa publicação que fez no Facebook na terça-feira. De acordo com o seu depoimento, o jovem não era o único nesta situação.
“Quando estava na esquadra, vi um homem francês que também tinha sido detido por estar a tocar violino na rua”, explica, acrescentando que este tinha mais de 60 anos.

Recordado para sempre

O depoimento público na rede social é claro. O jovem russo, que está a viajar pelo mundo, foi levado para a esquadra por volta das 17h30 e só foi solto por volta da meia-noite, tendo “todo o processo demorado aproximadamente seis horas e meia”. Depois disso, diz, “não teve como comer” ou voltar para o seu alojamento – o parque de campismo da praia de Hac-Sá. “Todos estes ‘felizes’ incidentes aconteceram porque partilhei convosco as fotografias da minha viagem como um artista de rua”, lamenta.
No entanto, o turista deixa uma mensagem para quem esteja interessado: afirma que não vai parar com a partilha, seja onde for. O certo é que, por aqui, o jovem infringiu a lei, que diz que os espaços públicos não podem ser ocupados.
“Convenci-me, há muito tempo, que as leis não são feitas a pensar no bem da população, mas sim de pessoas específicas.” O texto, sublinha o seu autor, vem em jeito de debate sobre a matéria, com a esperança de que “o Governo ouça” o que ali é dito. Roman Khromov fica por Macau mais dois dias, altura em que viaja para as Filipinas. Agora sem as suas fotografias e com um aviso da polícia.

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