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Estamos na Europa e foi 14 de Julho, nada de expressivo aconteceu, nem sequer a data pareceu interessar na azáfama da dívida grega e nos vãos de escada dos peditórios: a Europa é hoje um armazém de guarda-livros “merceeiros” e banqueiros, um rescaldo de contabilidades cujos princípios justificam os fins. A Revolução foi nas calendas de antanho e o tempo não está para grandes ardores. Nem sempre temos força física, anímica, para entrarmos em tais domínios, não nos podemos deixar galvanizar por ideais cujos resultados são imprecisos e utopias que não pagam contas. Parecendo grotesco o que agora digo, é assim que se vive, mesmo os mais aptos para uma participação de fundo.
É claro que ninguém fica sentado a ver uma Revolução passar, uns tomam-lhe o freio, outros transferem-se para heróis, outros fogem, uns são presos, e os que nada ganham ou perdem também entram na “dança” nesta actividade ígnea não há horas para as reuniões, para tocar nos colarinhos, para cada um fazer a sua “paneleirice” rasteira num marasmo que mata mais que mil soldados. A Reforma é agora a modalidade mais eficaz e a sabotagem do direito do outro à vida, a diversão mais requintada do capital estrangulador. Articular revoltas nesta “benemérita” sociedade é algo de inconcebível, está tudo pensado ao detalhe: quem rouba também dá e dá espectáculo e coisas para manter os “sans- culottes” devidamente entretidos e alienados. Ainda são precisos. Porém, creio, que no dia em que este «Cérebro» entender que estão a mais, haverá estruturas para os fazer desaparecer: as investigações nazis da «Bayer» só agora estão perfeitas. Aliás, estamos perto de um efeito que não desmerece um qualquer outro que possamos ter achado menos bom.
A Grécia lá teve que estender o fio de Ariadne, mas desta vez não matou o Minotauro e ao regressar a Atenas foi mais pobre, pois que os heróis morrem jovens e, no tempo deles e das Revoluções, o mundo também era outro, mais cativante em formato Humano. É nos Estios que elas se dão, pois que o Inverno não dá “pão”. Revolução é coisa Estival!
Nós não podemos estar pior, ou seja, podemos sempre vir a estar, é um facto, mas dado que desconhecemos o abismo, agora mesmo nos sentimos muito mal, mas com recurso a tudo, pois que o acto da sugestão nos pode induzir de forma “Voltariana” ao melhor dos mundos. Estávamos nós a festejar oniricamente a Revolução quando estas coisas paralelas de afundar mais a Grécia se produziram; a partir de um certo instante a salvação é o abandono e não vale a pena capitular, dado que hoje, e como nunca, quem pode sabe e tem razão. E os ricos têm muita, dado que são eles que fazem as leis. Apanhamos sustos vários cada vez que passamos certas datas, dado que elas efectivamente morreram, congelaram na inércia dos séculos, de tal ordem que haverá um doido que nos virá alertar futuramente que o passado nunca existiu.
No que diz respeito à Igualdade, ela, embora não designe de facto coisa nenhuma, devia ser neste tempo substituída por Equidade, ou seja, tratar diferentemente aquilo que é diferente, com formas de acção coordenadas, e não o simplismo igualitário, pondo nas portas das comissões este poema: «Todas as coisas têm o seu tempo, e todas elas passam debaixo do céu, segundo o termo que a cada um foi prescrito».
Descodificar tratados da União requer alguma filosofia, o que falta à Europa é uma estratégia política, apenas existe a financeira. Há países que estão calados, pois sabem, o quão maravilhoso seria serem geo-estrategicamente os “Bons Samaritanos” irem a correr dar água do seu poço; nesse dia os sonhos morrer-nos-iam, aqueles poucos que sobraram- porque, se bem entendo, essa expectativa é subliminar a todo este processo, quanto a nós, que há muito nos esquecemos da Revolução o melhor será irmos aos poucos esquecendo uma Civilização inteira. Penso que é isso que sabem lá no fundo os europeus, basta a «Pedra Angular» do berço dela se ir, para ruirmos e começarmos a perder-nos na penumbra dos tempos. O dinheiro, a Banca, os Banqueiros e a Economia vão matar o mundo, e nesse começar, somos agora o alvo que convém focar em silêncio.
A Liberdade, essa não é a mesma que aquela que se gritou da cima da Bastille, o nosso sopro não aguentou o voo de Ícaro, nem o Sol gosta dos que não são águias. Fraternos somos a modos que solidários numa desgraça colectiva que adjectivou o princípio para uma escalada de valores onde não queríamos ter voltado.
E foi nestes ditirambos que se passou a data do Grito Libertador, que tanto deu vida, como matou, dado que matar e dar vida, são actos da mesma “Revolução” e da primeira grande condição do Homem. Foram grandes esses tempos. Agora, sentados a uma mesa, vamos elaborando o estertor da última etapa.
Gostava de te ver voltar. Ninguém deve nascer para isto.
Se ao menos soubéssemos o dom da Equidade, dessa expressão que tem em si um principio inviolável de grande Justiça! Mas não: de tão iguais estamos exangues e o nosso sangue já não aquece a Terra.

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