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É louvável o optimismo do novo director do hospital público de Macau, demonstrado na entrevista que ontem publicámos neste jornal. Kuok é falado como sendo um bom gestor, por isso não seria difícil acreditar que as suas expectativas fossem realmente fundamentadas. Contudo, contra ele, está essa coisa aborrecida e difícil a que damos o nome de realidade.

Quanto ao estado das coisas, ele é praticamente indefensável. Os casos, documentados pela imprensa ou meramente passados de boca a ouvido, são inúmeros. Ainda ontem o JTM narrava um evento, no mínimo, de assombrar, passado nas assombrosas urgências, que Kuok garantia estarem em condições, se não perfeitas, pelo menos aceitáveis. Para além do atendimento médico, muitos se queixam igualmente do estado de conservação do material hospitalar, incluindo lençóis, almofadas, etc..

É natural que o novo director não queira espetar a faca no passado, mas também não pode dourar a pílula do presente, sob pena de não conseguirmos acreditar que seja capaz das melhorias que os cidadãos entendem como essenciais no futuro, num território cuja riqueza obriga o Governo a proporcionar aos seus cidadãos excelentes cuidados de saúde.

Todos sabemos, da Praia Grande a Zhongnanhai, que a maior dificuldade dos serviços públicos de saúde na RAEM se prende com os serviços de saúde privados da RAEM. É o não-dito da situação, tão difícil de chamar pelo nome que se assemelha ao cancro. O seu efeito no sector público não deixa de ser algo parecido à doença oncológica, embora uma comparação com certas formas de parasitismo também não fosse de descurar. E não nos parece uma doença fácil de curar. Pelo contrário, inventam-se paliativos que, curiosamente, ao invés de resolver a situação, fortalecem a doença e enfraquecem o paciente.

Não sabemos se Kuok pode ou quer resolver o estado das coisas. Provavelmente sim, contornando como puder os ditames do Altíssimo. Inegável é que, 15 anos depois da transferência de soberania, a saúde está doente.

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