Main menu
Este é o jornal Hoje Macau na internet. Somos as notícias, a análise, a opinião e muito mais, em língua portuguesa, na Região Administrativa Especial de Macau. Este é um espaço de duas frentes: dar e receber. Por isso queremos a sua colaboração: os seus comentários, as suas histórias e o seu olhar sobre o mundo são bem vindos. Partilhe connosco o que sabe e partilhe com os outros o que lhe dizemos. Faça parte do Hoje Macau, desta cidade úbere de factos e de histórias, de enganos e de memórias, de desembarques e de partidas, de amores e de aventuras — aqui onde a liberdade suavemente escreve a história de uma perene saudade do futuro.

Mio Pang Fei represent…

O artista, cuja vida e obra va…

Cultura

Fronteiras | Horários …

A notícia é tida como “boa e i…

Destaque

Nova lei dos táxis pod…

O Executivo anunciou ontem que…

Destaque

Reportagem | Cheques p…

São funcionários públicos, fre…

Destaque

Adolescentes | Mais de…

A saúde mental dos mais jovens…

Destaque

4G | Rede no quarto tr…

Os projectos das operadoras já…

Destaque

Indústrias culturais |…

As indústrias culturais estão,…

Destaque

Tufões | Empresas obri…

O Governo vai rever um decreto…

Destaque

Metro |O projecto em “…

Deputados não conseguiram obte…

Destaque

Menores | Melinda Chan…

Avaliar a eficiência dissuasor…

Destaque

MGM | Fotografia e Esc…

O MGM inaugura hoje duas expos…

Cultura

Violência Doméstica | …

A proposta de lei deve estar n…

Destaque
«
»
Second Menu
Hoje MacauPerspectivasCrescimento económico e crise ecológica

Crescimento económico e crise ecológica

“Communism aspired to become the universal creed of the twentieth century, but a more flexible and seductive religion succeeded where communism failed: the quest for economic growth. Capitalists, nationalists indeed almost everyone, communists included worshipped at this same altar because economic growth disguised a multitude of sins”.
Ecological economics: principles and applications
Herman E. Daly and Joshua Farley

Não há mais espaço para a ilusão. O que estamos a fazer ao planeta neste momento, deteriorando a sua superfície e libertando gases de estufa na atmosfera a um ritmo sem precedentes, é uma experiência nova para a Terra. As consequências são imprevisíveis, mas sabemos que incluirão surpresas que neste momento começamos a pagar, e algumas podem ser aterradoras para os seres humanos.

ENFRENTAMOS UMA ameaça certa, a confusão ambiental, que passa pelo apelo à prática de acções contraditórias. Ambientalistas e políticos encararam o ambiente, apenas em termos humanos e consideram que as substâncias químicas de base científica, e as indústrias dependentes da energia nuclear constituem o único inimigo.
O seu comportamento é tão inconsistente e negativo, como o daqueles in
divíduos de esquerda, que depois de Munique, exigiam ruidosamente o desarmamento. Outros consideram que a preservação da vida selvagem, em especial de animais simpáticos e aves raras, é o principal, quando não o único problema.
A sua perspectiva é tão limitada como a dos indivíduos de direita, que viam na ex-União Soviética, e ainda na Rússia do presente, a única ameaça. Foi necessária a invasão da Boémia e da Polónia para provar quem era o inimigo, e qual era a verdadeira causa. Serão necessárias maiores surpresas, que estão para vir, para que a comunidade global, em particular a científica e política despertem, como aconteceu há setenta anos.
Não há mais espaço para a ilusão. O que estamos a fazer ao planeta neste momento, deteriorando a sua superfície e libertando gases de estufa na atmosfera a um ritmo sem precedentes, é uma experiência nova para a Terra. As consequências são imprevisíveis, mas sabemos que incluirão surpresas que neste momento começamos a pagar, e algumas podem ser aterradoras para os seres humanos.
Face a uma situação caracterizada por uma triple crise ecológica, económica e sociopolítica, os movimentos activistas, de contestação e de defesa dos mais diversos direitos, precisam de novas respostas e caminhos de actuação. Esquerdas e direitas nacionais perdem-se em lutas internas, mas sobretudo encontram-se desconcertadas sobre os seus planos de acção e os limites para propor questões inovadoras. O decrescimento aparece como um dos elementos chaves de futuro e de alteração de discurso.
Os movimentos ecológicos, alguns em fase de reformulação, têm uma oportunidade para criar pontes teóricas e práticas para outras tradições políticas ao redor do conceito de decrescimento, que se alimenta das mesmas raízes que a ecologia política, como sendo uma concepção selectiva e justa dos países em contracção no Hemisfério Norte, e daí apresenta-se como condição necessária, mas não suficiente, para ajudar de forma solidária e sustentável os países do Hemisfério Sul.
Neste momento da vida dos referidos movimentos, o decrescimento parece convergir com o pensamento do filósofo austríaco, André Gorz, que se suicidou conjuntamente com a mulher em 2007, que pensava que a liberdade só se produz através de movimentos sociais, que continuamente se redefinem, através de revoltas ou perturbações político-sociais. Por exemplo, um movimento de esquerda que perca a ligação com a liberdade, destrói a própria razão de ser e solidifica-se, à custa dos seus causadores, em instrumento de domínio.
Pode ser entendida também, como uma evolução sócio-ecologicamente eficiente para os países em convergência, sem passar pelo mau caminho do desenvolvimento ocidental, mas com um direito ao crescimento possível e desejável.
Não é possível definir o que é de esquerda, centro ou de direita política de forma duradoura. Alterados os instrumentos de poder e as formas de domínio, mudam também, os objectivos e as formas dos diversos movimentos, que determinam no seu conteúdo as diversas preferências políticas. A partir dessa visão, uma parte da esquerda anti-capitalista e a ecologia política concederam ao decrescimento um papel de instrumento político de grande validade.
Pensamento que pode servir para substituir um capitalismo neoliberal, direccionado para a lógica do produtivismo, enquanto entronização da produção pela produção, que ambiciona inclinar-se para o ecológico, sem pôr em causa o seu pensamento impróprio e intolerável, bem como suportar o amargo futuro, que nos trazem as alterações climáticas, se não agirmos com determinação.
O agravamento de carências de diversas espécies devido à crise ecológica, é uma bomba colocada no centro do sistema, que não pode ser resolvida com outra reviravolta nos mercados, nos rendimentos e na especulação por muito ecológica que nos pretendam convencer, razão pela qual este modelo não é praticável.
A ideia de decrescimento põe em causa os principais alicerces do produtivismo, ao defender que não existe a mínima possibilidade de um desenvolvimento interminável, num planeta de recursos finitos. Sendo o decrescimento crucial à continuidade da vida, está em oposição com o pensamento geral e consensualmente aceite, de que o crescimento económico, é a única força motriz capaz de produzir a melhor qualidade de vida e bem-estar dos cidadãos, aceite sociopoliticamente.
Apesar, de há mais de cinquenta anos, o PIB mundial ter vindo constantemente a aumentar, a marca ecológica do ser humano, ou seja, os efeitos prejudiciais da comunidade global sobre o meio ambiente, ultrapassam actualmente em cerca de 35 por cento a capacidade de renovação do planeta, representando o consumo global 20 por cento.
Se todos os habitantes da Terra, vivessem como os americanos e europeus eram necessários quatro planetas. Considerando o consumo desenfreado que se está a instalar nos países de economias emergentes, serão precisos sete planetas em 2025.
Entretanto, as injustiças e as disparidades aumentam criando uma ruptura não apenas nos países do Hemisfério Sul, mas também em cerca de 22 por cento da população mundial que vive abaixo do limiar da relativa pobreza; sem ter em conta o deficit democrático na maioria dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, sem possibilidade dos cidadãos poderem fiscalizar o cumprimento das políticas energéticas, acrescido da falta de instrumentos para o exercício da democracia directa, participativa, deliberativa ou liberal.
É de salientar que o decrescimento não é um pensamento novo, nem tão pouco um modelo económico bem determinado. Nas décadas de 1960 e 1970, pensadores e organizações não-governamentais (ONGs), aparecem como contestatários quanto à exequibilidade dos programas ecológicos, políticos e sociais de um sistema global assente no crescimento. As preocupações dos movimentos activistas da década de 1980, deixaram estagnada tal matéria, virando-se para outras questões sociais.
A década de 1990, marca o nascimento de objecção ao comércio injusto como arma da globalização. Quer a esquerda, quer a direita política tinham bastante dificuldade em encontrar um conceito que encadeasse questões até essa altura desconhecidas, e que se desviavam das ideias de trabalho e produção.
Vivemos outro tempo, que chegou rapidamente. É viável e saudável considerar algumas características que contém o conceito de decrescimento. Por um lado, pode ser uma concepção inadequada, ainda que possa ter uma forte capacidade de mobilização, e por outro lado, pode afectar principalmente, o Hemisfério Norte, trazendo um aumento de actividades como a agricultura ecológica e as energias renováveis.
Pese alguns dos seus méritos, a sua falta de aceitação camufla um forte receio ao seu conteúdo revolucionário e à difícil possibilidade de alteração arbitrária. Ao contrário do que acontece com o desenvolvimento sustentável, o conceito de decrescimento, apresenta maiores dificuldades de acolhimento e de fuga ao seu cumprimento pelo sistema.
No entanto, cada vez um maior número de pessoas e movimentos sociais começa a usar o decrescimento não apenas para viver em conformidade com princípios de simplicidade voluntária, traduzidos no consumo moderado, consciência ecológica e crescimento pessoal, mas também como forma de se organizarem, reflectirem e apresentarem propostas reais de mudança. Os movimentos ecológicos e de esquerda anti-capitalista, nalguns países da União Europeia, nomeadamente do Sul mediterrâneo, vão defendendo cada vez mais o decrescimento sustentável, diante da resignação ao caos capitalista e às suas crises endémicas.

Deixe um comentário

Conversas com quem sabe

Melody Lu, professora do Departamento de Sociologia da UM: “É preciso ter um plano sobre…

A ideia é simples: antes de se mandarem os TNR embora, deve ser criado um plano real sobre a situação de Macau ao nível da população, dos recursos humanos e das indústrias de Macau. É…

Destaque na edição de 19 Nov 2014

James Chu, artista e curador da Art for All Society: "Deveríamos focar-nos mais na política…

É uma das figuras mais importantes do panorama artístico local, e assume que nunca sofreu pressões no seu trabalho. Curador da Art for All Society e quase a assumir funções como presidente da Associação de…

Destaque na edição de 18 Nov 2014

Cecilia Ho: “Preocupa-me a falta de seguros de vida”

A representante do Grupo de Cidadãos pela Violência Doméstica como Crime Público, Cecilia Ho, conta que está “feliz” com a decisão do Governo criar uma legislação que criminalize estes abusos. Há, no entanto, muitas arestas…

Destaque na edição de 14 Nov 2014

Elvo Sou, vice-presidente da Associação de Psicologia de Macau: “Há pouco apoio a doentes mentais…

A Associação de Psicologia de Macau defende que a responsabilidade de dar acreditação aos profissionais deve continuar a ser do Governo, mas lembra que no sector privado ainda há psicólogos que não são sujeitos a…

Destaque na edição de 13 Nov 2014

Bobo Lo: “Asiáticos são tímidos na procura de ajuda psicológica”

A Psiquiatria ainda é uma área “sensível” para a maioria dos asiáticos, confessa Bobo Lo, directora de um programa de reabilitação psicológica e professora no Instituto Politécnico de Macau (IPM). Há muitos casos de jovens…

Destaque na edição de 12 Nov 2014

Song Wai Kit: “Governo deve impulsionar elementos exteriores ao jogo”

Foi inspector da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos e acabou por criar uma associação com outros inspectores há cerca de dois anos. Song Wai Kit considera que os elementos exteriores ao Jogo poderão,…

Destaque na edição de 11 Nov 2014

José Gil, filósofo: “O descaramento passou a ser uma das características do discurso político”

Desejo e medo, pensamento oriental, o mito do Império português ou ainda o papel do intelectual na realidade contemporânea, foram alguns dos temas abordados com o filósofo português na sua recente passagem por Macau

Destaque na edição de 06 Nov 2014

Jaime Carion, ex-director das Obras Públicas e Transportes: "“Saio de consciência limpa”

Do início da carreira ao impacto que Ao Man Long deixou na sua vida e à forma de trabalhar de Lau Si Io, Jaime Carion faz uma reflexão à sua passagem pelo Governo e fala…

Destaque na edição de 05 Nov 2014

José Luís da Cruz Vilaça, juiz do Tribunal de Justiça da União Europeia: “UE considera…

A política portuguesa de ‘vistos gold’ tem sido considerada um brilhante exemplo de sucesso no plano internacional, admite José Luís da Cruz Vilaça, que alerta, contudo, que este não e o único caminho para investir…

Destaque na edição de 22 Out 2014

  • 1
  • 2
  • 3

Escolhidas

Central Point, empresa…

A Central Point começou há menos de u…

3000 dias e 3000 noite…

Esta é a edição 3000 do Hoje Macau. D…

Reportagem | "Chamávam…

Três professores chineses contam como…

Reportagem | Empresári…

Acusações visam má organização e repr…

Reolian | Empresa fali…

A morte da Reolian saiu ontem à rua d…

Por ocasião do lançame…

Passaram este ano 500 anos desde que,…

Que mal fez a populaçã…

Que mal fizeram os residentes para qu…

Património | Um despre…

Um dos maiores problemas do restauran…

«
»

+ Lidos Hoje

Comentários

  1. Interacção entre comunidades locais acontece apenas a nível básico |

    […] Um estudo de uma docente do Instituto Politécnico de …

  2. O sueco Felix Rosenqvist ganha o Grande Prémio de Macau de 2014 | Crônicas Macaenses

    […] Jornal Hoje Macau - http://hojemacau.com.mo/?page_id=78553 […]

  3. Babs Yan

    MASTER!

Pessoas

Contactos

Pensar culturalmente Macau é também pensar em português. É continuar um legado linguístico e patrimonial. É não negar a existência de uma fatia da sua população e o direito à sua afirmação.

hoje Macau

Calçada de Santo Agostinho, 19
Centro Comercial Nam Yue – 6.º A - Macau
Telefone: +853 28752401
Fax: +853 28752405
E-mail: info@hojemacau.com.mo

Facebook