Governo chinês quer Macau a traduzir rádio e televisão em português

As autoridades chinesas querem que Macau crie um centro de tradução e produção de programas de rádio e televisão em língua portuguesa, disse, na quinta-feira, o “número dois” do regulador chinês do sector audiovisual.

O director-adjunto da Administração Nacional de Rádio e Televisão da China (NRTA, na sigla inglesa), Fan Weiping, defendeu ainda o lançamento no território de iniciativas de cooperação e intercâmbio de conteúdo audiovisual entre a China e os países de língua portuguesa.

A região administrativa especial chinesa poderá ser uma base de intercâmbio de programas para rádio e televisão entre a China e o mundo lusófono, disse o dirigente chinês, num encontro com uma delegação liderada pelo vice-director do Gabinete de Ligação do Governo central chinês em Macau, Xue Xiaofeng.

No ano em que se comemora o 20.º aniversário da transição de administração de Macau, a China quer aproveitar ao máximo a relação próxima entre a cidade e os países de língua portuguesa no campo da rádio e televisão, explicou Fan Weiping, num comunicado divulgado pela NRTA.

O regulador prometeu unir esforços com o Gabinete de Ligação, o Governo de Macau, a Teledifusão de Macau (TDM) e das televisões da cidade vizinha de Zhuhai e da província de Guangdong.

Segundo o comunicado, a reunião contou com a participação de dirigentes da TDM, que opera um canal de televisão e uma rádio em língua portuguesa.

23 Ago 2019

A timidez da coroa

Ao Francisco Amaral, in memoriam

Existe um fenómeno natural que tem um nome poético: timidez da coroa. É um processo observado em algumas espécies arbóreas, em que as copas frondosas das árvores não se tocam entre elas. Vistas do solo criam uma espécie de mapa em que o céu aparece como uma fronteira de azul, como um rio aéreo em que as árvores são as margens. A causa deste fenómeno, descoberto em 1920, ainda não está definitivamente assegurada. Alguns cientistas afirmam que esta timidez existe para proteger as árvores de insectos nocivos; outros concluem que é uma forma de sobrevivência, para que a luz que entra por estes intervalos entre as copas possa permitir uma melhor fotossíntese e, por consequência, um melhor desenvolvimento da árvore. Um entendimento entre gigantes que não se tocam para benefício de todos.

Descobri há dias esta timidez da coroa – belíssimo nome, paradoxo involuntário e genial – graças a um vídeo que me apareceu numa rede social. Pouco antes, a mesma rede social tinha anunciado, de surpresa e sem filtros, a morte de Francisco Amaral, radialista de excelência entre outros atributos. E de imediato achei que ambos os acontecimentos estavam relacionados.

Porque nas nossas vidas existem pessoas assim. Não as conhecemos mas estão próximas.

Olhamos para o lado, vemo-las mas não nos cruzamos. Ajudam-nos sem o saberem. O Francisco Amaral foi uma dessas pessoas, não só para mim mas para muitos que cresciam com a rádio a sinalizar os dias, a libertar todas as emoções. O seu programa, Intima Fracção, era uma referência para os que gostavam e queriam saber da nova música que se fazia na altura. Num registo de sereno lirismo, anunciado pelo genérico do programa – o instrumental Mar d’Outubro, do primeiro disco da Sétima Legião -, a Intima Fracção entrava devagarinho pelo coração adentro, cada emissão a causar espantos vários e nunca repetidos.

Em 1988 o jornal O Independente tinha crítica de rádio. Nada de extraordinário – a não ser em Portugal – mas pouco provável nos dias de hoje. Quem a assinava era eu, jovem deslumbrado e nunca saciado pelo que ia ouvindo. Naturalmente uma das primeiras críticas foi um elogio desavergonhado mas justo ao Intima Fracção. Pouco tempo depois da publicação da crítica recebi uma carta do Francisco, a agradecer de forma singela as minhas palavras. Ainda guardo essa carta. Depois disso cruzámo-nos duas ou três vezes, sempre de raspão.

A rádio continua a ser o mais subestimado dos meios de comunicação. A vertigem televisiva tudo sugou e a própria rádio foi perdendo a sua humanidade em favor de playlists anódinas. O programa de autor quase desapareceu. Quase: o Francisco era um desses autores e tê-lo-á sido até ao fim. Depois de ter sido dispensado de uma rádio sem vocação para o albergar, a RADAR foi buscá-lo porque o compreendiam. Ficou feliz o Francisco, com a felicidade de quem regressa a casa.

Esta crónica, que preferia nunca ter escrito, é também de certa forma um regresso a casa. Um agradecimento a partir do Francisco a todos os gigantes que, sem nos tocarem, nos tocam e nos protegem. O último gesto que recebi do Francisco foi o envio, através de uma familiar que com ele trabalhava, de um pin do Intima Fracção. Amanhã usá-lo-ei, não só para lembrá-lo mas para brindar aos grandes que nos seguram, à timidez das coroas.

17 Abr 2019

Pedro Benjamim, locutor de rádio | O jornalista acidental

Foi um acaso que o levou ao curso de Jornalismo e ao mundo da rádio. E foi um acaso também que o trouxe a Macau. Pedro Benjamim chegou ao território há três meses, por estes dias garante a animação musical nas primeiras horas de emissão da Rádio Macau, logo bem cedo, mas não tem o perfil convencional de quem trabalha num estúdio, entre microfones, música e notícias, com a oralidade como única forma de comunicação. “Não tenho o bichinho da rádio, mas tenho o bichinho da fotografia”, diz, garantindo, no entanto, que gosta muito do que faz.

Vamos ao início. Nasceu em Guimarães, a primeira cidade de todas as cidades portuguesas, há 25 anos. Aos 18 anos, mudou-se para Coimbra, para estudar na universidade, um acaso que tem origem noutro acaso. Quando acabou o ensino secundário, não sabia o que escolher como profissão. Entrar no mundo do trabalho tão cedo estava fora de questão, pelo que foram testes psicotécnicos que o ajudaram a escolher o caminho.

Fiz os testes e o resultado dava-me algo entre jornalismo e tradução.” Na altura de preencher a candidatura ao ensino superior, ocupou as primeiras opções com cursos de Jornalismo, com o Porto como destino preferido. A última opção foi um curso que, “curiosamente”, o teria trazido à RAEM: Tradução Português-Chinês e Chinês-Português do Instituto Politécnico de Leiria, programa que inclui uma passagem de um ano pelo Politécnico de Macau.

Não conseguiu entrar na faculdade no Porto, saiu-lhe a segunda hipótese: Coimbra. “Não tinha um gosto específico por escrever, não tinha gosto por contar histórias. Foi um acidente de percurso.” O outro acidente – ir parar à cidade dos estudantes – acabou por se revelar melhor do que se a vida tivesse corrido como planeado.

A cidade é mais fácil para um estudante porque está muito orientada para esse ambiente. O Porto tem uma realidade totalmente diferente”, constata, com base na experiência dos amigos que foram para faculdades na capital do Norte de Portugal.

Terminada a licenciatura – que, pelo sistema de Bolonha, não demora mais de três anos a fazer – Pedro Benjamim chegou à conclusão, mais uma vez, de que ainda era cedo para arranjar um emprego. “O mestrado acontece da mesma forma como entrei em Jornalismo. Acabei a licenciatura e pensei que ainda não estava preparado para ir trabalhar, as ofertas também não eram muitas.” Além disso, o jovem licenciado não tinha feito sequer um estágio, uma vez que o curso de Coimbra só oferece essa oportunidade durante o mestrado.

Continuar a estudar era o caminho e, no fim do programa curricular, passou três meses na TSF. “Foi fantástico”, diz, sem hesitações. O primeiro contacto com o mundo do jornalismo não podia ter sido melhor, pela forma como, enquanto estagiário, foi recebido na rádio.

Os estagiários curriculares são, em quase todos os locais, usados como mão-de-obra barata.” Na TSF, Benjamim conheceu “uma realidade completamente diferente”. Ao contrário de estagiários de outros locais, não passou os dias a “encher tempo nos noticiários”. “Fazia peças, gravava-as, e no final do dia a equipa juntava-se, ouvíamos e discutíamos o trabalho, era feito de uma forma mais pedagógica.” Deste “acompanhamento mais próximo” resultou uma grande aprendizagem. “Quando conseguimos colocar alguma coisa no ar, sabemos que foi feito com mérito”, nota. Da experiência da TSF não esquece um nome: João Paulo Baltazar. “Foi muito bom trabalhar com ele.”

Venha Macau

Estágio no fim, Pedro Benjamim passou por vários empregos. “Trabalhar, para mim, nunca foi um problema”, assegura. Apesar de estar numa rádio quando lhe surgiu a proposta para Macau, confessa que não se trata de uma paixão. “Também não tenho um gosto especial por rádio. Detesto imprensa, não gosto de escrever. Gosto muito de fotojornalismo, de multimédia, de sites, de vídeo. A rádio surgiu naturalmente.” Com o estágio aprendeu a admirar a linguagem radiofónica, que “permite fazer coisas que outros meios não permitem”, como “criar uma sugestão em alguém só com uma pequena palavra”.

E Macau? Macau são três meses na vida do jovem que, até há bem pouco tempo, era editor numa rádio no Norte de Portugal quando a oportunidade surgiu. “Não estava à procura de nada. Estava a trabalhar, recebi uma chamada, estava naquela altura em que via que o meu percurso não ia sair dali. Estava a pensar em começar a ver outras oportunidades quando surgiu uma chamada, completamente inesperada”, relata. “Disseram-me que estavam à procura de uma pessoa para vir para a rádio em Macau e eu disse: ‘Impecável. Vamos a isso’. Acabei por vir para Macau de forma totalmente inesperada.”

A adaptação também não podia estar a correr melhor. “Fazendo o que se gosta, é sempre mais fácil. Se fosse um emigrante a trabalhar numa área de que não gostasse, custaria muito mais.”

12 Mai 2017

João Picanço, jornalista: “Estou em Macau para ficar”

Chegou há cerca de dois meses a Macau. O convite para trabalhar veio da TDM, depois de ter enviado um currículo, e aceitar a proposta que recebeu foi a “melhor decisão na vida”. João Picanço é uma das vozes da informação quando se sintoniza a 98.0 FM. Depois de muitas decisões que pensou terem sido mal tomadas, com a chegada ao território e a concretização do sonho de trabalhar numa rádio profissional, considera agora que “afinal correu tudo bem”.

A ideia de sair de Portugal e vir para terras distantes era um sonho antigo. Quando soube que vinha para Macau, tentou seguir o conselho daquela que diz ser a mulher da sua vida, a irmã, e não criar expectativas para não se desiludir. “Mas não consigo fazer isso e claro que tive muitas. Quando soube que vinha para cá mentalizei-me de que o território ia ser a minha casa. Saí do Sporting TV, um mês antes, e fui à Bélgica e à Holanda. Não tinha estado em nenhum destes dois países e senti necessidade de me preparar para a mudança com uma viagem”, conta.

As expectativas foram muitas mas a chegada conseguiu, ainda assim, surpreender. “Estava à espera de gostar mas, ao chegar, senti que tinha sido superado. Macau tem uma energia estranha. Pode parecer sufocante e é mesmo, por vezes, uma região claustrofóbica mas, aqui, sinto-me em casa”, refere.

Na rádio desde cedo

A opção pelo jornalismo vem “desde miúdo”. Se no nono ano ainda se é muito novo para saber o que se quer no futuro, João Picanço lembra-se de que já queria ser jornalista sem saber muito bem porquê. “No secundário comecei logo a fazer coisas nesse sentido. Reactivei a Rádio Escola e quando cheguei a Coimbra, onde tirei o curso, tive várias experiências. Tive cinco programas semanais na Rádio Universidade de Coimbra, trabalhei com o Jornal Universitário de Coimbra – A Cabra, e ainda hoje mantenho a ligação a Coimbra com um programa semanal que faço à distância dedicado à música britânica: o “U-Quem?”, relata.

No final do curso, foi estagiar para o Jornal Record, um volte-face nos desejos. A ideia era conseguir uma oportunidade na Blitz porque queria trabalhar na área da música. “Mas ninguém me respondeu. Houve um dia em que a minha coordenadora me disse que tinha mesmo de arranjar um estágio ou teria de fazer uma tese. Preferia o estágio por ser mais prático. Havia uma vaga no Diário das Beiras em Coimbra e outra no Jornal Record em Lisboa. Optei pelo segundo.” O jornalista conta que “nunca tinha feito desporto na vida, gostava de futebol, mas não percebia grande coisa”. “Lembro-me do Bernardo Ribeiro me dizer que apenas ficaria nos quatro meses de estágio porque não tinham lugar para mim. Acabei por ficar seis anos.”

A passagem pelo Record marcou o percurso do jornalista da melhor maneira até porque foi lá que teve oportunidade de fazer uma das suas “melhores histórias e um jornalismo a sério numa vinda à Ásia, em 2014”. “Vim à Indonésia para assinalar os dez anos do tsunami de 2004 e senti que fiz jornalismo mais a sério. Andei à procura do Martunis, o menino que depois do tsunami apareceu vestido com a camisola de Portugal numa imagem que correu mundo. Entrei em contacto com ele no Twitter. Não tinha a certeza que era ele, mas deu-me uma morada e fui lá com o Paulo Calado, um excelente fotojornalista. Saímos de lá a chorar. Foi um dos grandes momentos da minha vida profissional e foi na Ásia. Quase poderia dizer que foi um presságio”, assinala.

No entanto, o jornal não dava a João Picanço a segurança financeira que queria e, depois da reportagem com Martunis, recebeu uma proposta do canal do Sporting TV. “Martunis acabou por ir fazer um estágio no clube e foi quando senti que podia fazer alguma coisa por alguma coisa.”

Entre o jornalismo em Portugal e o de Macau, João Picanço nota já algumas diferenças. “Em Portugal é muito agressivo e aqui ainda há alguns valores, e cooperação entre os profissionais da informação. Vi muitas pessoas com idade para se comportarem de outra forma. Estive rodeado de gente boa, mas também de pessoas que, francamente, acho que não fazem muita falta no mundo.”

A distância não é fácil, principalmente das pessoas de quem se gosta. “Há dias que custam mais do que outros. Felizmente são mais os dias em que me consigo abstrair e ver que o que tenho aqui e agora é bom, que esta casa é boa e que tenho boas pessoas à minha volta.”

Agora, quer dar mais um passo na integração e aprender chinês é uma meta. “Gosto de aprender línguas e acho que é fundamental saber falar a língua do lugar. Além disso, acho que é altamente cool, além de ser útil”, referiu em tom de brincadeira. “No entanto, sinto que, de facto, há aqui alguma distância promovida pelo fosso linguístico e que poderia ser encurtada. Por parte dos portugueses, sinto que já existe alguma resignação e os chineses podiam também tentar aprender um pouco da segunda língua oficial do território”, remata.

7 Abr 2017

Marta Pereira, locutora: “A rádio fala para as pessoas”

Desde pequena que a rádio ocupa grande parte da vida de Marta Pereira. Da infância, recorda que os pais trancavam a porta da sala para não aceder à aparelhagem. Para evitar os discos riscados, eram-lhe oferecidos rádios que “atirava para o chão para tentar ver as pessoas que estavam lá dentro”. Desde essa altura que a paixão pela rádio não a larga “porque é uma magia e continua a ser uma companhia, a rádio fala para as pessoas”.

A locutora da Rádio Macau viu a vida mudar quando sentiu, na pele, o desemprego em Portugal e o avião rumo a Macau foi a solução, ao aceitar uma proposta de emprego no território. “Trabalhava como jornalista em Portugal e, em virtude da situação de crise económica que o país começou a atravessar, os órgãos de comunicação social começaram a definhar e acabei por ficar desempregada”, recorda ao HM.

Incapaz de “ficar parada”, decidiu investir num projecto pessoal e integrar um curso no Cenjor na área de jornalismo digital quando surgiu a proposta para vir trabalhar para Macau. Em registo de surpresa, Marta Pereira decidiu arriscar. “A proposta para vir para cá apanhou-me desprevenida, é certo. As primeiras questões que coloquei foram o que vou fazer e quanto vou ganhar para saber se, realmente, compensaria vir”, explica. Com as respostas na mão, a decisão não durou mais do que uma semana a ser tomada e passado um mês estava a chegar ao território. “Não foi uma decisão difícil, até porque gosto de aventuras e de desafios, e esta oportunidade pareceu-me mais um desafio que poderia colocar na minha carteira”.

Em vésperas de mudar de vida e de lado do mundo, Marta Pereira, que não conhecia Macau, tentou, pelos meios que podia, perceber o lugar que a esperava. “Quando aceitei a proposta comecei à procura de tudo o que dissesse respeito ao território mas não criei muitas expectativas, até porque já aprendi que o não devo fazer. Vinha com os pés relativamente assentes na terra.”

A chegada, há cerca de um ano, foi um misto de sensações em que as questões eram, essencialmente, “que luzes são estas, que cheiro é este?”.

Ninguém se entende

A grande dificuldade que encontrou foi a linguagem. “Sou uma pessoa, se calhar fruto da minha profissão, que gosta de comunicar. Chego a Macau e, de repente, tenho a barreira intransponível da língua.” Ingenuamente, Marta Pereira estava à espera que a língua portuguesa se falasse mais no território. “Queria comunicar e não conseguia, e isso foi muito difícil para mim”. No entanto, o problema “já está devidamente ultrapassado”. A exigência do entendimento atalhou e desenvolveu outros caminhos. “Aprendemos a desenvolver outras formas de comunicação e muitas vezes recorremos à mímica para nos fazermos entender”.

Mas Marta Pereira não cruzou os braços perante o muro linguístico e inscreveu-se na licenciatura de ensino da língua chinesa como língua estrangeira no Instituto Politécnico de Macau por achar que “poderia, de alguma forma, facilitar a comunicação e o conhecimento das vivências da comunidade chinesa, até porque é muito difícil entrar no meio deles, e o facto de falar a língua poderia abrir portas nesse sentido”. Por outro lado, e a pensar no futuro, o facto de conhecer a língua poderia ser uma mais-valia em termos profissionais futuros. A falta de tempo e a complexidade no estudo de um sistema linguístico muito diferente daquele a que estava habituada fazem com que “esteja a ser muito difícil a conjugação entre trabalho e aulas”.

Questões de linguagem à parte, Marta Pereira não sentiu dificuldades de maior. Para a locutora, “o ser humano é camaleónico e adapta-se muito facilmente às circunstâncias”. Hoje, sente-se “perfeitamente aculturada” apesar de existirem ainda algumas diferenças culturais que a perturbam. Mas é também na diferença cultural que encontra o fascínio. “Acho incrível poder conviver com comunidades tão diferentes”, afirma, salientando as particularidades de Macau, “uma cidade que não dorme e de contrastes”.

“Temos a cidade moderna, das luzes e dos casinos e, em contraponto, temos a Macau antiga, com prédios cinzentos, com os rituais de se comer na rua e dos mercados exteriores. Este contraste é absolutamente delicioso.” Entre um e outro, Marta Pereira não tem preferências: gosta de viver em ambos.

18 Nov 2016

História oral | Carreira do locutor Leong Song Fong registada em livro

A colecção “História Oral de Macau” apresenta “Trinta e três anos na Rádio – entrevista com o locutor Leong Song Fong”. O livro acompanha a carreira do profissional. A publicação é acompanhada por uma exposição e duas palestras

O lançamento do livro “Trinta e três anos na Rádio – Entrevista com o locutor Leong Song Fong “, da colecção “História Oral de Macau”, e a inauguração da exposição homónima estão agendados para o próximo dia 26, às 15h, na Academia Jao Tsung-I.

“A voz especial de Leong Song Fong é a voz de uma época”, refere o comunicado que anuncia o evento. Locutor de rádio, dedicou-se à actividade entre os anos de 1952 e 1985, período também considerado a “era de ouro” da radiodifusão de Hong Kong e de Macau. “Nessa altura, os dramas radiofónicos destinavam-se a indivíduos de todas as idades, sendo uma via de divulgação cultural e de divertimento quotidiano da população, que passou a ser memória colectiva dessas gerações contemporâneas de Macau”, explica a nota.

As comédias radiofónicas e as respectivas personagens que Leong Song Fong interpretou foram motivo de sucesso pela maneira de “contar histórias”, e pela capacidade em representar diversas personagens.

O livro “Trinta e três anos na Rádio” conta as experiências de Leong Song Fong como locutor de Macau, os truques de rádio, as carreiras radiofónicas na Rádio Vila Verde e na Rádio Macau, bem como as memórias históricas da “Luta de arte marcial entre o mestre Wu e o mestre Chan”.

Com companhia

Quanto à exposição que acompanha a apresentação da obra, “Trinta e três anos na rádio”, divide-se em três partes: biografia, carreira do locutor, e colegas e amigos. As fotografias, objectos e materiais multimédia cedidos por Leong Song Fong permitem conhecer mais detalhadamente a carreira do homem da rádio.

Após a apresentação da obra, têm lugar duas palestras, entre as 15h e as 17h: “A carreira de arte radiofónica de Leong Song Fong” e “Voz de uma geração”, proferidas pelo próprio locutor e pelo jornalista local Tang Io Weng.

4 Nov 2016