Hoje Macau China / ÁsiaCPLP/30 anos| Brasil diz que português é questão de soberania na era da IA O Brasil defendeu que a língua portuguesa deve ser tratada como um activo estratégico na era da inteligência artificial e afirmou que a CPLP pode desempenhar um papel central na defesa da soberania tecnológica dos países lusófonos. Em entrevista à agência Lusa, o secretário de África e Médio Oriente do Ministério de Relações Exteriores do Brasil, embaixador Carlos Sérgio Sobral Duarte, alertou para os desafios colocados pelos actuais modelos de inteligência artificial. Segundo o diplomata, a concentração do desenvolvimento dessas tecnologias em poucos países faz com que os grandes modelos sejam treinados sobretudo em inglês e chinês. “Quando o português é tratado como língua secundária no treinamento dos modelos, enfraquece-se a soberania das sociedades lusófonas e sua capacidade de desenvolver soluções próprias”, afirmou por ocasião dos 30 anos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se assinalam em 17 de Julho. “Para reverter esse quadro, precisamos tratar a língua portuguesa não apenas como património cultural, mas como activo estratégico. E aqui a CPLP tem um papel central a desempenhar”, completou. Carlos Duarte defendeu que a CPLP promova bases de dados linguísticos partilhados que representem adequadamente todas as variedades da língua portuguesa. Também propôs o reforço da cooperação científica e universitária entre os países da comunidade para ampliar a investigação em inteligência artificial. Segundo o diplomata, as comunidades lusófonas produzem dados relevantes, mas ainda não têm capacidade suficiente para extrair deles maior valor económico. “No plano internacional, a CPLP tem peso suficiente para levar a foros como as Nações Unidas, a UNESCO e a UNCTAD a exigência de que os sistemas de inteligência artificial respeitem a diversidade linguística e cultural”, declarou. O diplomata acrescentou que a integração da CPLP não depende da uniformização da língua, mas da capacidade de transformar a diversidade das variantes do português num património comum. “Em última análise, defender o português no mundo digital é defender a nossa soberania tecnológica, científica e cultural”, concluiu. Mais fortes Ao abordar a convivência entre as diferentes variantes do português, Carlos Duarte afirmou que a diversidade linguística fortalece, e não enfraquece, a comunidade lusófona. “As diferenças entre as variedades do português faladas nos países da CPLP são reais. E não falo apenas de sotaques. Há diferenças de vocabulário, construções gramaticais, expressões idiomáticas, referências culturais e posição do idioma em cada sociedade”, avaliou. “Seria um erro interpretar essas diferenças como um obstáculo à integração. Pelo contrário, o grande desafio da CPLP não é superar a diversidade, mas aprender a valorizá-la”, disse. O responsável considerou que talvez o maior desafio actual da CPLP não seja propriamente linguístico, mas sociopolítico. “Os países da CPLP ainda têm níveis relativamente modestos de circulação de pessoas, estudantes, pesquisadores, livros, produtos audiovisuais e conteúdos digitais”, disse, referindo que brasileiros e africanos lusófonos, por exemplo, conhecem pouco a literatura contemporânea uns dos outros. “A integração da CPLP não depende da uniformização do português, mas da capacidade de transformar a diversidade das variedades lusófonas num património comum”, realçou.
João Santos Filipe Manchete SociedadeYat Yuen fez pagamento de multa de mais de 25 milhões de patacas Companhia aceita multa por abandono de 509 animais e já procedeu ao pagamento junto do IAM. Neste momento, segundo a ANIMA, ainda estão 300 galgos no Canídromo, mas alguns já têm destino A empresa Yat Yuen decidiu aceitar a multa aplicada pelo Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) sobre os galgos deixados no Canídromo e pagou 25,450 milhões de patacas. A informação foi avançada ao HM pelo IAM, que tinha aplicado uma penalização à empresa de 50 mil patacas por cada um dos 509 galgos abandonados no Canídromo, no final da concessão para as corridas deste tipo de animais. Além deste valor a empresa tem vindo a assumir as despesas relacionadas com a manutenção dos cães nas instalações do Canídromo, enquanto o Governo trabalha, numa colaboração com associações, entre elas a ANIMA, para encontrar novos lares para os galgos. Até Dezembro, a empresa já tinha pagado cerca de 5 milhões de patacas para a manutenção dos galgos. Com este desfecho chega ao fim o potencial diferendo entre o Executivo e a Yat Yuen, que poderia ter acabado nos tribunais. Isto porque a empresa poderia ter optado por contestar a natureza da punição de abandono. Em relação ao valor da multa, o Governo optou por sancionar a companhia com 50 mil patacas por cão. De acordo com a lei em vigor, o abandono de animais, infracção que o Governo considerou cometida pela empresa, é punido com uma multa entre 20 mil e 100 mil patacas. Assim, no pior cenário para a Yat Yuen, a empresa poderia ter sido chamada a pagar 100 mil patacas por cão, o que significaria um total de 50,9 milhões de patacas. O Executivo optou por não aplicar a pena mais grave. 300 à espera Neste momento, de acordo com um comunicado de Albano Martins, presidente da ANIMA, numa rede social, ainda estão no Canídromo 300 galgos. Este número tem em conta 10 animais que vão ser enviados hoje para a Europa e Estados Unidos. Ainda segundo o presidente da ANIMA, desde que terminou a concessão da Yat Yuen e o Governo tomou conta das instalações do Canídromo foram realojados 219 galgos. Entre estes, 15 ficaram em Macau, 10 foram enviados para Milão, Itália. Contudo, o país que recebeu mais galgos para adopção foi os Estados Unidos, com um total de 194 animais. Filadélfia, com 69 cães, e Miami, com 40, foram as cidades que mais contribuíram para encontrar um futuro lar para os animais. Também nos próximos dias, mais 30 cães deverão deixar Macau, 15 para os EUA e outros 15 para a Europa. Com estas adopções, o número de cães no Canídromo ficará em 270. Além destas regiões, também em Janeiro deverão começar a ser materializadas as adopções em Hong Kong, que fará com que o número desça ainda mais.