UNL e MUST querem lançar cursos em nanotecnologia

A Universidade Nova de Lisboa (UNL) e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês) querem lançar programas conjuntos em nanotecnologia, disse à Lusa a cientista Elvira Fortunato.
Em Abril, o Instituto de Nanoestruturas, Nanomodelação e Nanofabricação (i3N) da UNL inaugurou o Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoeletrónica, que ficou sediado em Macau.

Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, coordenador do i3N-NOVA, voltaram esta semana à região, onde chegaram a acordo com a MUST para a formação de estudantes, a partir do laboratório conjunto. A universidade chinesa quer enviar para a UNL, a partir do próximo ano lectivo, 2027/2028, alunos de mestrado e de doutoramento “com supervisão conjunta”, explicou Fortunato.

A cientista sublinhou que o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da MUST tem, “este ano, pela primeira vez” 87 alunos de licenciatura na área das nanotecnologias. Um programa que é “único aqui em Macau e não há muitos no mundo”, acrescentou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024).
A UNL não tem uma licenciatura similar, mas Rodrigo Martins acredita que será possível uma adaptação, com os alunos de Macau a estudarem um ou dois anos em Lisboa.

Entre lá e cá

O também Presidente da Academia Europeia de Ciências acredita que já em 2027 a i3N-NOVA poderá receber entre 20 a 30 alunos de licenciatura da MUST, entre 10 a 15 de mestrado e entre cinco e dez de doutoramento. “A ideia é trazermos também professores para aqui, em períodos curtos”, explicou o cientista, para desenvolver projetos de investigação, que possam ainda “apoiar a formação dos alunos de doutoramento”.

Martins defende ainda que abrir as portas a alunos de licenciatura da MUST pode permitir à UNL “fazer uma internacionalização”, uma vez que Macau “vai fazer a ponte, provavelmente, no futuro, com a China”.
O reitor do Instituto de Ciência e Engenharia de Materiais da MUST admitiu estar entusiasmado porque os alunos “poderão aceder a excelentes oportunidades educacionais em Portugal”.

O objectivo, explicou Lee Shuit-Tong, é que “a próxima geração de cientistas chineses tenha o benefício desta formação multicultural e científica e tecnológica de ponta” em Lisboa. No sentido contrário, o reitor espera a também ida para Macau de alunos da UNL, tanto portugueses como de outros países lusófonos, em uma “excelente plataforma para promover tanto a educação como a investigação”.

No futuro, Lee espera que a colaboração leve à criação em cursos em co-tutela, em que os alunos receberiam diploma das duas instituições. “Gostaríamos que fosse de co-tutela e penso que os estudantes também”, explicou.
A MUST vai pedir autorização ao Governo de Macau para avançar com programas conjuntos e Lee, membro da Academia Chinesa de Ciências, disse estar optimista sobre a resposta.

“Este é também o desejo tanto do Governo de Macau como também do país. Porque Macau tem uma missão muito específica de ser uma espécie de janela da China para o mundo, particularmente na área da ciência e da tecnologia”, explicou Lee. Durante a passagem pela China, Elvira Fortunato soube que foi distinguida com o Prémio de Amizade Chinês, um dos mais prestigiados reconhecimentos atribuídos por Pequim a personalidades estrangeiras.

30 Ago 2026

Optoelectrónica | UN vai abrir em Macau laboratório sino-português

A inauguração do novo espaço, criado em conjunto pela Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, com foco no estudo e aplicação de aparelhos electrónicos que fornecem, detectam e controlam luz, acontece amanhã

A Universidade Nova de Lisboa (UNL) vai inaugurar esta quinta-feira, em Macau, um laboratório sino-português para estudar “energia sustentável, ecrãs de última geração e dispositivos inteligentes”, disse a cientista Elvira Fortunato à Lusa. A nova instituição vai juntar o Instituto de Nano-estruturas, Nano-modelação e Nano-fabricação (i3N) da UNL e o Instituto de Ciências e Engenharia de Materiais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau (MUST, na sigla em inglês).

O Laboratório Conjunto Sino-Português de Optoelectrónica irá reunir “conhecimentos especializados em optoelectrónica, nano-tecnologia e materiais avançados de ambos os lados”, explicou Fortunato. A optoelectrónica é o estudo e aplicação de aparelhos electrónicos que fornecem, detectam e controlam luz, incluindo os computadores do futuro, que poderão funcionar com luz e não só com transições electrónicas.

O objectivo é ser “um espaço onde investigadores de Portugal, China e outros países podem trabalhar (…) em desafios comuns, como energia sustentável, ecrãs de última geração e dispositivos inteligentes”, acrescentou Fortunato.

“Macau, com a sua história singular como ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, é um local natural para este tipo de colaboração”, sublinhou a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2022-2024). Fortunato sublinhou que o laboratório conjunto “representa o culminar de uma longa e profícua parceria” entre as duas universidades, que no final de 2025 assinaram um novo acordo de cooperação.

Apoio da RAEM

O acordo teve o apoio do Governo de Macau e o novo laboratório conta já com financiamento do Fundo para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia. Isto “envia um sinal claro de que o Governo de Macau está empenhado em desenvolver uma capacidade de investigação de classe mundial e em transformar as descobertas científicas em impacto no mundo real”, acrescentou.

Elvira Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, que lidera a Academia Europeia de Ciências desde 2018, são conhecidos por terem inventado, em 2008, com colegas, o chamado “papel electrónico”, o primeiro transístor feito de papel. Martins, coordenador do i3N-NOVA, sublinhou que o instituto está também a desenvolver um outro projecto de investigação em parceria com a MUST sobre “os chamados materiais funcionais avançados” para a energia.

Em paralelo com a inauguração do laboratório, a MUST irá acolher um fórum de três dias sobre materiais optoelectrónicos, em colaboração com a Universidade de Suzhou, no leste da China. Numa nota enviada à Lusa, a MUST sublinhou que “este laboratório é o primeiro do seu género em Macau e o primeiro laboratório de investigação conjunta China-Portugal (…) dedicado à optoelectrónica”.

8 Abr 2026

Universidade Nova lidera novo laboratório de electrónica flexível na China

A Universidade Nova de Lisboa está na liderança de um laboratório sino-europeu, na China, dedicado à electrónica flexível, de aplicações biomédicas a células solares que podem ir para o espaço, disse a cientista Elvira Fortunato à Lusa.

A Universidade Nova de Lisboa lidera, no lado europeu, o Laboratório Conjunto de Materiais Electrónicos China-União Europeia, que vai nascer em Hefei, capital da província de Anhui, no leste da China. O consórcio foi reforçado recentemente pela entrada da Universidade de Valência, no leste de Espanha, e conta ainda com o apoio da Academia Europeia de Ciências, disse a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Fortunato indicou que o laboratório vai trabalhar “muito na área da electrónica flexível e na parte da electrónica sustentável” e deu como exemplo aplicações biomédicas, incluindo “membranas com electrónica que se podem conformar, por exemplo, à pele”.

Outra área de investigação deverá ser o desenvolvimento de células fotovoltaicas flexíveis, que possam mesmo “ir para o espaço, com baixo peso e conformáveis a outras áreas”, explicou a cientista.

O acordo para a criação do laboratório conjunto foi assinado em Junho, mas o edifício que vai albergar a instituição ainda está a ser construído “de raiz” em Hefei, disse Fortunato. “Eles estão também a candidatar-se aqui na China a fundos, para montar o laboratório”, disse a investigadora, em Macau.

Futuro traçado

Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, conhecidos por terem inventado, com colegas, o chamado “papel electrónico”, o primeiro transístor feito de papel, encontram-se na região onde deram, na quarta-feira, uma conferência sobre materiais avançados sustentáveis.

“Parte da instalação do laboratório já foi aprovada, já tem financiamento” e deverá começar a funcionar “o mais tardar em 2026”, disse à Lusa Martins, que é presidente da Academia Europeia de Ciências desde 2018.

Fortunato notou que, após o laboratório estar montado, o programa prevê o intercâmbio de pessoal e de alunos chineses e portugueses de doutoramento e a organização conjunta de seminário e outros eventos académicos.

Fortunato e Martins irão de seguida deslocar-se a Hefei para um encontro com o governador da província de Anhui, Wang Qingxian, e ver de perto a evolução do laboratório.

Do lado chinês, o consórcio é formado pelos Institutos de Ciências Físicas da Academia Chinesa de Ciências em Hefei, a Universidade de Fuzhou, o Centro Internacional China-Europa de Inovação em Materiais Electrónicos, e a empresa privada Visionox.

Fortunato sublinhou que a Universidade Nova de Lisboa já tinha uma colaboração científica com a Universidade de Qingdao, no leste da China, mas que este será o primeiro laboratório conjunto a ligar os dois países.

16 Jan 2025

CCCM | Inaugurada nova biblioteca Fundação Jorge Álvares

As novas instalações da Biblioteca Fundação Jorge Álvares do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) foram inauguradas na passada segunda-feira. No acervo, existem mais de 27 mil registos bibliográficos em catálogo, que incluem 40.000 ‘slides’ e 5.000 fotografias e ainda uma colecção com 7 mil microfilmes, que guardam mais de 50 mil documentos

 

A ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Governo de Portugal, Elvira Fortunato, elogiou a inauguração das novas instalações da Biblioteca Fundação Jorge Álvares do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). Em declarações à Agência Lusa, destacou o contributo para a preservação da história de Macau e das relações de Portugal com o território.

“Tem uma importância extremamente elevada. Aliás, tem a história de tudo aquilo que aconteceu em Macau e das relações de Portugal com Macau, que é de extrema importância preservar exactamente e dessa forma garantir que investigadores, historiadores nestas áreas tenham acesso aqui nesta biblioteca a um acervo extremamente grande”, afirmou Elvira Fortunato.

Segundo a Lusa, a biblioteca do CCCM é a mais completa e actualizada biblioteca sobre a China em todo o mundo lusófono, especializada na investigação e ensino, acerca da China/Macau, da Ásia Oriental e das relações entre a Europa e a Ásia.

A sua dimensão internacional e multidisciplinar, funciona em rede com outras bibliotecas e arquivos, nacionais e estrangeiros, de forma a melhor cumprir a sua missão de apoio à investigação e ensino, à informação e à divulgação de conhecimento.

As suas características tornam-na “extremamente útil não só para preservar a história, mas acima de tudo, possibilitar que mais investigação e mais historiadores, e a sociedade no fundo, tire partido de toda esta riqueza que existe aqui em Portugal”, conclui Elvira Fortunato.

A biblioteca dispõe de cerca de 27.000 registos bibliográficos em catálogo, que incluem uma colecção de audiovisuais, que designadamente o fundo de cerca de 40.000 ‘slides’ e 5.000 fotografias, entre outros suportes físicos, de que ressalta a colecção de cerca de 7 mil microfilmes, com mais de 50.000 documentos.

Bons exemplos

A inauguração das novas instalações da Biblioteca Fundação Jorge Álvares do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) aconteceu em Lisboa, na passada segunda-feira.

Na ocasião, a ministra do Governo português deixou ainda o desejo de que os doutorados bolseiros possam conduzir as investigações fora do ambiente académico, e considerou o Instituto Científico e Cultural de Macau um excelente exemplo dos novos ambientes de investigação.

“Nós queremos proporcionar uma maior integração dos doutorados em ambientes não académicos, portanto, a universidade e os centros de investigação funcionam também como uma plataforma para formar pessoas altamente qualificadas e queremos, ao existirem bolsas de doutoramento em ambiente não académico, como por exemplo aqui no Instituto Científico e Cultural de Macau, ao fazerem doutoramentos nestes ambientes, se proporcione também a sua possibilidade de ficarem aqui integrados como investigadores”, explicou.

21 Dez 2022