Universidade Nova lidera novo laboratório de electrónica flexível na China

A Universidade Nova de Lisboa está na liderança de um laboratório sino-europeu, na China, dedicado à electrónica flexível, de aplicações biomédicas a células solares que podem ir para o espaço, disse a cientista Elvira Fortunato à Lusa.

A Universidade Nova de Lisboa lidera, no lado europeu, o Laboratório Conjunto de Materiais Electrónicos China-União Europeia, que vai nascer em Hefei, capital da província de Anhui, no leste da China. O consórcio foi reforçado recentemente pela entrada da Universidade de Valência, no leste de Espanha, e conta ainda com o apoio da Academia Europeia de Ciências, disse a antiga ministra portuguesa da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Fortunato indicou que o laboratório vai trabalhar “muito na área da electrónica flexível e na parte da electrónica sustentável” e deu como exemplo aplicações biomédicas, incluindo “membranas com electrónica que se podem conformar, por exemplo, à pele”.

Outra área de investigação deverá ser o desenvolvimento de células fotovoltaicas flexíveis, que possam mesmo “ir para o espaço, com baixo peso e conformáveis a outras áreas”, explicou a cientista.

O acordo para a criação do laboratório conjunto foi assinado em Junho, mas o edifício que vai albergar a instituição ainda está a ser construído “de raiz” em Hefei, disse Fortunato. “Eles estão também a candidatar-se aqui na China a fundos, para montar o laboratório”, disse a investigadora, em Macau.

Futuro traçado

Fortunato e o marido, Rodrigo Martins, conhecidos por terem inventado, com colegas, o chamado “papel electrónico”, o primeiro transístor feito de papel, encontram-se na região onde deram, na quarta-feira, uma conferência sobre materiais avançados sustentáveis.

“Parte da instalação do laboratório já foi aprovada, já tem financiamento” e deverá começar a funcionar “o mais tardar em 2026”, disse à Lusa Martins, que é presidente da Academia Europeia de Ciências desde 2018.

Fortunato notou que, após o laboratório estar montado, o programa prevê o intercâmbio de pessoal e de alunos chineses e portugueses de doutoramento e a organização conjunta de seminário e outros eventos académicos.

Fortunato e Martins irão de seguida deslocar-se a Hefei para um encontro com o governador da província de Anhui, Wang Qingxian, e ver de perto a evolução do laboratório.

Do lado chinês, o consórcio é formado pelos Institutos de Ciências Físicas da Academia Chinesa de Ciências em Hefei, a Universidade de Fuzhou, o Centro Internacional China-Europa de Inovação em Materiais Electrónicos, e a empresa privada Visionox.

Fortunato sublinhou que a Universidade Nova de Lisboa já tinha uma colaboração científica com a Universidade de Qingdao, no leste da China, mas que este será o primeiro laboratório conjunto a ligar os dois países.

16 Jan 2025

CCCM | Inaugurada nova biblioteca Fundação Jorge Álvares

As novas instalações da Biblioteca Fundação Jorge Álvares do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) foram inauguradas na passada segunda-feira. No acervo, existem mais de 27 mil registos bibliográficos em catálogo, que incluem 40.000 ‘slides’ e 5.000 fotografias e ainda uma colecção com 7 mil microfilmes, que guardam mais de 50 mil documentos

 

A ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Governo de Portugal, Elvira Fortunato, elogiou a inauguração das novas instalações da Biblioteca Fundação Jorge Álvares do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM). Em declarações à Agência Lusa, destacou o contributo para a preservação da história de Macau e das relações de Portugal com o território.

“Tem uma importância extremamente elevada. Aliás, tem a história de tudo aquilo que aconteceu em Macau e das relações de Portugal com Macau, que é de extrema importância preservar exactamente e dessa forma garantir que investigadores, historiadores nestas áreas tenham acesso aqui nesta biblioteca a um acervo extremamente grande”, afirmou Elvira Fortunato.

Segundo a Lusa, a biblioteca do CCCM é a mais completa e actualizada biblioteca sobre a China em todo o mundo lusófono, especializada na investigação e ensino, acerca da China/Macau, da Ásia Oriental e das relações entre a Europa e a Ásia.

A sua dimensão internacional e multidisciplinar, funciona em rede com outras bibliotecas e arquivos, nacionais e estrangeiros, de forma a melhor cumprir a sua missão de apoio à investigação e ensino, à informação e à divulgação de conhecimento.

As suas características tornam-na “extremamente útil não só para preservar a história, mas acima de tudo, possibilitar que mais investigação e mais historiadores, e a sociedade no fundo, tire partido de toda esta riqueza que existe aqui em Portugal”, conclui Elvira Fortunato.

A biblioteca dispõe de cerca de 27.000 registos bibliográficos em catálogo, que incluem uma colecção de audiovisuais, que designadamente o fundo de cerca de 40.000 ‘slides’ e 5.000 fotografias, entre outros suportes físicos, de que ressalta a colecção de cerca de 7 mil microfilmes, com mais de 50.000 documentos.

Bons exemplos

A inauguração das novas instalações da Biblioteca Fundação Jorge Álvares do Centro Científico e Cultural de Macau (CCCM) aconteceu em Lisboa, na passada segunda-feira.

Na ocasião, a ministra do Governo português deixou ainda o desejo de que os doutorados bolseiros possam conduzir as investigações fora do ambiente académico, e considerou o Instituto Científico e Cultural de Macau um excelente exemplo dos novos ambientes de investigação.

“Nós queremos proporcionar uma maior integração dos doutorados em ambientes não académicos, portanto, a universidade e os centros de investigação funcionam também como uma plataforma para formar pessoas altamente qualificadas e queremos, ao existirem bolsas de doutoramento em ambiente não académico, como por exemplo aqui no Instituto Científico e Cultural de Macau, ao fazerem doutoramentos nestes ambientes, se proporcione também a sua possibilidade de ficarem aqui integrados como investigadores”, explicou.

21 Dez 2022