AMCM | Crédito malparado é o mais elevado dos últimos 20 anos

Os últimos dados da Autoridade Monetária e Cambial de Macau sobre a actividade bancária deixam sinais de alerta: o crédito malparado chegou a 5,5 por cento em Novembro, para um total de 55 mil milhões de patacas em dívida. É o valor mais elevado em 20 anos, depois de em 2001 ter atingindo 25,3 por cento

 

O sistema bancário de Macau tem enfrentado, em quase dois anos, 21 aumentos mensais consecutivos do volume do crédito malparado, atingindo em Novembro o registo mais elevado das últimas duas décadas. De acordo com últimos dados divulgados pela Autoridade Monetária e Cambial de Macau (AMCM), em Novembro os empréstimos por pagar representavam 5,5 por cento do total de créditos concedidos pelos bancos, uma subida de 0,1 por cento em relação a Outubro. No total, estavam em dívida 55 mil milhões de patacas.

Estes dados mostram, assim, o maior valor desde 2001, quando o crédito malparado atingiu a fasquia dos 25,3 por cento, logo a seguir à transição.

De resto, o cenário do crédito malparado tem vindo a piorar desde Agosto do ano passado, quando atingiu 5,1 por cento. Seguiu-se Setembro com 5,2 por cento de empréstimos por pagar. Os 5,5 por cento de crédito malparado de Novembro constituem, assim, o 21º aumento mensal consecutivo dos créditos que estão por pagar à banca com atrasos superiores a três meses.

Nas estatísticas divulgadas na última sexta-feira, a AMCM divulgou ainda uma descida ligeira dos depósitos dos residentes em Novembro, em termos mensais, com uma manutenção dos empréstimos por parte dos portadores de BIR face a Outubro, no total de 518,6 mil milhões de patacas. Por sua vez, os empréstimos ao exterior decresceram três por cento para 487,7 mil milhões de patacas.

Alertas de Verão

Em Agosto, o economista António Félix Pontes disse estar preocupado com estes dados. O facto de o crédito malparado estar acima dos 50 mil milhões de patacas em relação a Agosto é sinal de preocupação para o economista, tendo em conta que “excede em 12,4 vezes [relativo aos 50 mil milhões de malparado de Agosto] o montante respeitante a Janeiro de 2022, ou seja, na pandemia, quando se ficava por apenas 3,7 mil milhões de patacas”.

“Estamos, sem dúvida, perante uma situação que pode afectar, de forma adversa, o desenvolvimento da economia de Macau, sendo previsível que os bancos afectados passem a conceder menos empréstimos, com implicações negativas no investimento privado e no consumo dos particulares”, disse Félix Pontes, destacando que se pode mesmo verificar “uma contracção económica”.

Félix Pontes considerou que tal cenário “deveria constituir motivo de preocupação para os nossos governantes” e frisou que “traduz a fragilidade dos sectores não relacionados com a indústria do jogo”.

Em Outubro, numa resposta a uma interpelação escrita da deputada Wong Kit Cheng, a AMCM desvalorizou eventuais perigos para o sistema económico, explicando que os créditos por pagar dizem respeito a empréstimos comerciais garantidos por imóveis residenciais ou comerciais na China ou no estrangeiro, e que têm “garantias suficientes”.

Na mesma resposta, Chan Sau San, presidente do conselho de administração da AMCM, adiantou que “o rácio de crédito malparado dos empréstimos hipotecários, dos residentes, para aquisição de imóveis residenciais em Macau, foi de 0,9 por cento, o que se situava a um nível baixo e controlável”.

6 Jan 2025

Reguladores chineses libertam 86.000 milhões de euros para crédito bancário

[dropcap style≠’circle’]O[/dropcap]s reguladores chineses libertaram mais 100.000 milhões de dólares (86.000 milhões de euros) para crédito bancário, numa decisão que analistas afirmam que poderá tranquilizar investidores, numa altura em que se prevê uma guerra comercial com Washington.

A redução no domingo do rácio das reservas dos bancos faz parte de uma série de cortes que os economistas previram antes do início das disputas com o Presidente norte-americano, Donald Trump.

Mas os analistas consideram que o anúncio poderá servir para aliviar receios de que um aumento das taxas alfandegárias sobre parte das exportações para os EUA afetará o crescimento da economia chinesa.

O banco central afirmou que o corte, o terceiro este ano, depois das reduções em janeiro e abril, visa ajudar as empresas estatais a restruturarem as suas dívidas.

“Contra as tensões, a última redução da China no rácio das reservas, apesar de esperada, serve para contrabalançar sentimentos negativos”, afirmou num relatório Jingyi Pan, da empresa de serviços financeiros IG.

A quantidade de dinheiro que os bancos têm que manter como reservas no banco central será reduzida em 0,5% dos seus depósitos, segundo o comunicado do Banco do Povo Chinês (banco central).

O mesmo comunicado detalha que 200.000 milhões de yuan (mais de 25.000 milhões de euros) destina-se a crédito para pequenos negócios, e o resto para reestruturação de dívida.

Washington anunciou taxas alfandegárias adicionais de 25% sobre uma lista de produtos que, no ano passado, valeram 34 mil milhões de dólares (29.000 milhões de euros) nas exportações chinesas para os EUA, em retaliação contra as alegadas exigências de transferência de tecnologia feitas por Pequim a empresas estrangeiras, em troca de acesso ao mercado chinês.

Pequim prometeu já retaliar, com uma subida das taxas alfandegárias sobre produtos agrícolas norte-americanos.

Trump ameaçou com taxas adicionais que podem cobrir, no total, 450 mil milhões de dólares (386 mil milhões de euros) em produtos chineses, ou 90% das exportações chinesas para o país.

26 Jun 2018