Escândalo generalizado na arbitragem portuguesa

Agora é outra fruta. Jorge Nuno Pinto da Costa já nos deixou. O apito dourado nos dias de hoje é prateado. A arbitragem no futebol português voltou à ribalta pelas piores razões. Bateu no fundo. Na semana passada a média não falou noutra coisa.

Há muita gente ligada ao futebol sob investigação judicial. Árbitros, presidentes de clubes, dirigentes do Conselho de Arbitragem, empresários e os intermediários mafiosos. A movimentação de milhões de euros de carteiras para bolsos de intervenientes num jogo, parece que constitui o último escândalo no mundo sombrio do futebol português. Vieram à baila uma panóplia de suspeitas.

Árbitros nomeados para determinados jogos com duas semanas de antecedência. Presidente de um clube, o Estrela da Amadora, que alegadamente teria gasto muito dinheiro para que o clube não baixasse de divisão na época passada.

Corrupção coordenada por um cartel que só a Polícia Judiciária (PJ) nos poderá esclarecer. As investigações já começaram e foram ouvidas dezenas de pessoas ligadas ao futebol. O antigo e um dos melhores ex-árbitro, Duarte Gomes, demitiu-se das funções superiores que exercia e terá denunciado às autoridades policiais o que teve conhecimento de ilegal no exercício das suas funções.

A PJ está a investigar mensagens e áudios que podem provar manipulações na arbitragem. A demissão de Duarte Gomes do cargo de Director Técnico de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) aconteceu no final de Junho e caiu como uma bomba no seio do futebol português.

Ainda assim, talvez por ser Verão, talvez por estar a decorrer o Campeonato do Mundo, talvez por não terem existido mais consequências práticas evidentes, o caso desvaneceu. Até agora. O assunto veio a público com pormenores graves, como o áudio que demonstra o conhecimento que certos árbitros tinham das suas nomeações com muita antecedência para determinados jogos.

Está em causa, além das nomeações combinadas de árbitros, um milhão de euros que teria sido prometido pelo presidente do Estrela da Amadora, Paulo Lopo, caso o clube não baixasse de divisão.
A FPF limitou-se, quando teve conhecimento da demissão de Duarte Gomes, a emitir um comunicado no qual anunciava que iria encaminhar o caso para o Ministério Público.

A procissão ainda vai no adro. E é curioso que os três maiores clubes, Benfica, Sporting e FC Porto têm-se queixado das arbitragens e dos VAR e que os clubes eventualmente prejudicados estejam caladinhos… Oh, os VAR! Essa é outra grande história.

É estranho… é difícil de entender como um árbitro decide erradamente, mas mais difícil é entender por que o VAR não interfere num lance óbvio. Quando um árbitro está mal, o VAR deve ajudar e porque é que será que temos assistido a uma ajuda nula por parte do VAR em certos lances de vários jogos, especialmente penaltis? Neste sentido, também as investigações judiciais podem incluir árbitros VAR por suspeita de corrupção.

Nesta altura, há um árbitro que está fundamentalmente na berlinda, Hélder Malheiro, o tal árbitro que soube duas semanas antes que iria arbitrar um jogo do Estrela da Amadora, sem ter conhecimento que encontro iria arbitrar no fim-de-semana mais próximo.

E por incrível que possa parecer, este árbitro, que já devia estar suspenso da actividade, foi nomeado VAR para o jogo Sporting-Arouca, uma decisão que recebeu as maiores críticas nos jornais e nas televisões. Mas há outros árbitros que têm a cabeleira ou a careca a arder, como Fábio Veríssimo. Este árbitro terá sido informado de que iria arbitrar o Estrela da Amadora-Famalicão, da 33ª jornada da época passada 2025/26, imaginem, 20 dias antes da data do jogo. Esta é uma prova de que as suspeitas de agora são muito antigas e graves.

Na investigação da PJ, nos telemóveis analisados, já terão sido encontrados indícios de quem pode ter oferecido prémios na ordem de mais de um milhão de euros a dirigentes da arbitragem a troco do benefício no resultado dos jogos de certos clubes. Adicionalmente, existem exemplos concretos de que terão existido condicionalismos. De acordo com as conversas que agora estão na posse da PJ, o FC Porto tentou evitar que Fábio Veríssimo fosse o árbitro nomeado para os quartos de final da Taça de Portugal, contra o Benfica, sendo que a estrutura da FPF estaria disponível para satisfazer a exigência, como se o FC Porto fosse o dono disto tudo…

Na verdade, a PJ recebeu uma participação com suspeitas de corrupção e tráfico de influências na nomeação de árbitros para jogos da Primeira Liga por parte do Conselho de Arbitragem da FPF. As queixas incluem um documento com 20 páginas que reúne mensagens de WhatsApp, capturas de ecrã, chamadas telefónicas, áudios, vídeos e relatos de reuniões na Cidade do Futebol.

Os acontecimentos retratados terão acontecido entre Abril e Junho, na recta final da temporada 2025/26. Ao longo das 20 páginas, o autor da queixa ainda sublinha várias vezes que não pretende substituir-se às autoridades, mas defende que o conjunto de elementos que recolheu justifica a abertura de uma investigação criminal.

Ai, futebol, futebol, que tens andado por caminhos cheios de pedras, grutas e contas bancárias em offshores. É verdadeiramente escandaloso que existam suspeitas de resultados combinados, dinheiros por baixo da mesa, clubes prejudicados como foi o Tondela ao baixar de divisão em detrimento do Estrela da Amadora e que, essencialmente, não tenhamos árbitros sérios.

A verdade desportiva tem sido alegadamente deturpada devido à ganância pelo dinheiro. Os adeptos dos clubes pagam para ver um espectáculo desportivo. Nunca lhes passa pela cabeça que vão assistir a uma mentira combinada…

21 Set 2026

Futebol | Clubes de Macau falham registo nas competições asiáticas

Os clubes de Macau voltaram a falhar, pelo terceiro ano, o licenciamento na Confederação Asiática de Futebol (AFC), confirmou à Lusa o Instituto de Desporto (ID). Nenhuma equipa de Macau consta na lista divulgada pela AFC, em 8 de Junho, para as competições asiáticas, incluindo a Liga Challenge, a terceira competição mais importante da região.

Numa resposta escrita às questões da Lusa, o ID disse que a Associação de Futebol de Macau apresentou à AFC “pedidos dos clubes de futebol de Macau para a licença do Grupo 3”, o nível mais baixo. “No entanto, como parte da documentação apresentada não cumpria integralmente os regulamentos de licenciamento da AFC, a licença 2026/27 não foi concedida”, explicou o ID.

De acordo com o portal da AFC na Internet, o licenciamento de um clube implica requerimentos mínimos para áreas como os cuidados médicos, os escalões de formação e o estádio. “A associação indicou que continuará em contacto com a AFC e auxiliará os clubes locais nos pedidos subsequentes e nas formalidades de licenciamento”, acrescentou o ID.

A Lusa perguntou à Associação de Futebol de Macau e à AFC quais os clubes que tinham pedido o licenciamento e quais as razões para terem sido rejeitadas, sem, no entanto, ter recebido qualquer resposta.

A equipa da MUST IPO venceu a edição de 2025 da Liga de Elite de Macau, com mais um ponto do que a maior surpresa da prova, o Shao Jiang, que estava a fazer a estreia no escalão principal do futebol no território.

A última vez que um clube de Macau participou nas competições asiáticas foi em 2023, quando o campeão Monte Carlo foi eliminado no play-off pelo Taichung Futuro, de Taiwan.

29 Jun 2026

Timor-Leste | Novo presidente da federação de futebol quer reactivar campeonato

O empresário timorense e recém-eleito presidente da Federação de Futebol de Timor-Leste (FFTL), Nilton Gusmão, disse ontem à Lusa que pretende reactivar o campeonato nacional, parado há mais de três anos.

“A minha principal missão será focar-me na reactivação da nossa liga de futebol, que está parada há mais de três anos. A nossa liga precisa de ser reestruturada e revitalizada para garantir que o futebol em Timor-Leste tenha a energia, a organização e o dinamismo necessários para crescer e conquistar o seu lugar de destaque”, disse Nilton Gusmão.

O empresário foi eleito no sábado presidente da Federação de Futebol de Timor-Leste, substituindo no cargo o actual chefe das Forças Armadas timorense, Falur Rate Laek, que assumiu o cargo interinamente.

O novo presidente reconheceu que a FFTL precisa de realizar o campeonato para formar uma selecção nacional, que possa contribuir para o desenvolvimento do futebol timorense. “É importante começar a organizar a liga”, incluindo a criação de uma estrutura definitiva, explicou Nilton Gusmão.

O presidente reconheceu que a Liga Futebol de Timor-Leste está a um nível “muito fraco” e que durante o seu mandato pretende também apostar na formação dos jogadores, salientando a importância do apoio do Governo para o desenvolvimento do futebol.

15 Jan 2025

El Shaarawy troca Roma, de Paulo Fonseca, por Shanghai Shenhua

[dropcap]O[/dropcap] avançado internacional italiano Stephan El Shaarawy trocou a Roma, treinada pelo português Paulo Fonseca, pelo Shanghai Shenhua, anunciou hoje o clube chinês, antepenúltimo classificado do campeonato do país.

O valor da transferência de El Shaarawy, de 26 anos, não foi revelado, mas a comunicação social italiana noticia que o clube romano deverá receber perto de 20 milhões de euros, enquanto o avançado terá um salário anual de aproximadamente 15 ME.

El Shaarawy, que tinha apenas mais um ano de contrato com a equipa treinada por Paulo Fonseca, marcou 11 golos no campeonato italiano da época passada, no qual a Roma terminou no sexto lugar, qualificando-se para a Liga Europa.

8 Jul 2019

As vidas difíceis dos jogadores de futebol

Ser jogador de futebol em Macau significa chutar todos os dias contra as adversidades. Os salários são baixos e os melhores não vão além das 20 mil patacas. Há até quem ganhe metade disso, sem ter direito a casa. Ainda é comum jogar-se com visto de turista, com a permissão da Associação de Futebol de Macau. Mas, no meio do amadorismo, há quem não desista de estar sempre no campo, com a bola nos pés

[dropcap style≠’circle’]R[/dropcap]onaldo vive em Macau desde 2014 e joga futebol no Chao Pak Kei. Tem o mesmo nome da estrela do futebol brasileiro e do português Cristiano Ronaldo. Mas, se estes atletas fizeram fortunas, Ronaldo está longe de ser um jogador de futebol milionário.

O paraguaio diz ter uma vida confortável, se bem que tudo era diferente em 2014, quando chegou. Ronaldo assinou pelo Chao Pak Kei, mas recebia apenas quatro mil patacas por mês. Fazer uma refeição normal era considerado um luxo difícil de suportar.

“Para comer gastávamos, por dia, quase 200 patacas. Tentávamos fazer economias. E se comêssemos comida de luxo, gastávamos muito mais. Pensei em desistir, mas depois pensei: ‘Já que estou aqui, vou tentar aguentar até que apareça algo melhor’. Agora estou muito melhor”, conta ao HM.

O campeonato de futebol de Macau está cheio de histórias como as de Ronaldo. Muitas das equipas que contratam jogadores estrangeiros – na sua maioria vindos de Portugal, Brasil ou de países africanos – não podem pagar salários acima das 20 mil patacas. Os ordenados variam, assim, entre as oito mil e as 20 mil patacas, e há até quem ganhe apenas por jogo.

“Conheço vários jogadores com condições difíceis e estou a morar com jogadores cuja equipa não paga quase nada. Em relação aos documentos está tudo bem, mas o salário quase não existe, nem sequer pagam por jogo”, acrescenta Ronaldo.

Jorge Tavares foi a grande contratação do Sporting de Macau em 2015. Conta que sempre foi bem tratado pelo clube, pois recebia um bom salário e alojamento. Contudo, não é assim com todos.

“Ouvi falar de casos em que chegam a pagar oito mil patacas, pode ir até as 18 mil patacas por mês. Para um profissional de futebol que vive apenas disto, e que tem uma carreira de 12 ou 13 anos, não são valores elevados”, diz.

Tavares, que acabou por deixar o futebol, garante que, sem patrocínios, não é possível fornecer boas condições profissionais aos jogadores. “Os clubes não podem fazer muito mais, não há grandes apoios aos clubes em termos de patrocínios. A própria associação não dá muita visibilidade ao campeonato. Normalmente, os clubes apostam quando há alguém por detrás a investir o seu próprio dinheiro, por gostar muito de futebol. Sem patrocínios, os salários não vão subir muito mais, mas não culpo os clubes por isto.”

João Maria Pegado treinou o Sporting de Macau e garante que o clube sempre teve jogadores legalizados e com boas condições de treino. Ainda assim, Pegado conta que “há jogadores que passam por bastantes dificuldades”.

“O futebol em Macau é completamente amador. Relativamente aos anos passados, só havia duas ou três equipas que podiam pagar salários que permitissem aos jogadores viver só do futebol. Soube de situações de jogadores que passaram por muitas dificuldades, até na procura de uma casa para viverem”, refere.

Benfica dá melhores condições

Longe de pagar os salários milionários que se pagam em muitas outras ligas, alguns clubes de Macau conseguem firmar contratos, tratar dos papéis do blue card e até pagar o alojamento dos jogadores que contratam.

Várias figuras do futebol local asseguraram ao HM que o Benfica de Macau é das equipas mais profissionais nesse aspecto. Em declarações a este jornal, Duarte Alves, presidente do Benfica de Macau, não quis avançar valores salariais, mas garantiu que tudo é feito consoante a lei.

“Cada clube decide o valor que paga e não vou tornar público o acordo que temos com os jogadores. Além da parte financeira, somos responsáveis pela viagem de ida e volta, como manda a lei, e também pelo alojamento. Os jogadores que contratamos ao estrangeiro são assalariados, e como diz a lei laboral, são obrigados a ter o blue card ou o Bilhete de Identidade de Residente (BIR), e nós tratamos desses processos”, explicou o presidente.

Firmino Mendonça, presidente do Monte Carlo, gostava de um dia poder atingir o estatuto da equipa encarnada, mas assegura que, ali, todos os jogadores têm uma vida estável.

“Os jogadores têm todos blue card e contratos anuais com o clube. Têm o salário e o alojamento, com água e luz pagas, incluindo outras despesas da casa. Oferecemos entre sete mil a 20 mil patacas, consoante a experiência do jogador”, explicou Firmino Mendonça.

O dirigente afirma ter conhecimento de profissionais do futebol que têm de fazer contas à vida, mas não quer contar pormenores. “Tenho conhecimento de jogadores que passam dificuldades, mas não quero falar aqui de casos”, aponta.

Se os jogadores estrangeiros recebem salários medianos ou baixos, os locais nem sequer recebem ordenado. “Em Macau não há profissionais, são quase todos amadores, inclusivamente no Benfica. Mas pagam como se fossem profissionais. Não é fácil gerir uma equipa aqui em Macau, porque depende sempre dos patrocinadores. Há alguns locais que também recebem, no Benfica e no Ka I”, diz Firmino Mendonça, que espera que a situação mude para o seu clube.

“O Monte Carlo não tem possibilidade de pagar a toda a gente. Espero que, nos próximos anos, possa ter a disponibilidade que essas equipas têm”, acrescenta.

Dani Pinto, ex-treinador do Benfica de Macau, refere que os patrocínios podem acabar de um dia para o outro. “Há uma pessoa que dá o dinheiro, e depois dá o dinheiro a alguém da equipa. Já houve casos em que esse dinheiro nunca foi entregue aos jogadores. Com a agravante que, de um dia para o outro, esse patrocinador pode chatear-se e dizer que já não dá dinheiro à equipa. Isso é uma prática corrente em Macau e, de um dia para o outro, as equipas deixam de existir.”

Jogar como turista

Quando Timba Éder chegou a Macau, em 2010, não eram assinados contratos com os jogadores, nem eram pedidos os vistos de trabalho com a categoria de jogador de futebol.

“Em 2010 recebíamos por jogo. Na altura essa era prática, e recebia entre 1500 a 2500 patacas por jogo, tudo dependia do acordo feito. Acredito que o Porto foi a primeira equipa que começou a pagar ao mês e que atribuiu blue card aos futebolistas. Antes, não havia isso”, lembra o jogador brasileiro.

Sete anos depois, essa continua a ser a prática em muitos clubes: jogar numa equipa enquanto o carimbo no passaporte o permitir, sair de Macau, voltar, tentar jogar de novo.

Jorge Tavares, que vestiu as cores do Sporting e do Benfica de Macau, defende que, se a Associação de Futebol de Macau (AFM) aceita essas condições, então não constitui uma ilegalidade.

“Acaba por não ser ilegal, porque se a associação permite que os jogadores possam jogar com visto de turista no campeonato, então os clubes aproveitam-se. Enquanto não houver uma ordem superior acho que não é ilegal.”

Há alguns anos, o Sporting de Macau chegou a apresentar uma petição para que apenas jogadores com BIR ou blue card pudessem jogar no campeonato local, mas nunca houve uma mudança. O HM enviou questões à AFM sobre esse assunto, mas não obtivemos resposta.

“Os clubes têm a obrigação de legalizar os jogadores, não é só com um visto de turista que podem jogar. Eles recebem ordenado, é como estar a pagar a um empregado não legalizado. Isso é mau para o futebol. Se a associação quer mudar, tem de fazer muita coisa. É preciso legalizar as coisas como deve ser”, aponta Firmino Mendonça.

Duarte Alves defende que, com o rumo assumido pela própria AFM, é difícil ir mais além. “Tudo depende do molde que a AFM escolhe para actuar e para gerir, pelo menos, a Liga de Elite. Acho que optam pelo total amadorismo.”

O dirigente dá exemplos. “Os contratos entre jogadores e o clube não precisam de ser entregues por escrito à associação, sendo apenas necessário o jogador preencher o boletim de inscrição do clube. Não há necessidade de os jogadores estrangeiros terem o certificado internacional. Não há garantias de que os jogadores não estejam também inscritos noutra liga fora de Macau.”

Nesta perspectiva, a AFM “poderia considerar o registo diferente entre clubes e jogadores, com mais burocracia, para que tudo fosse mais transparente e para que possam ser atingidos outros patamares”.

O jogador que adora café

Timba Éder continua a jogar futebol, depois de ter passado pelo Porto e pelo Sporting de Macau. Chegou há sete anos, vindo de Xangai, depois de uma experiência que não correu bem. Assume que aprendeu muito e errou também, de clube em clube. Ainda na China, teve a possibilidade de regressar ao Brasil, mas não quis.

Quando chegou a Macau e ouviu chineses a falar português, Timba Éder ficou rendido. “No Porto fiz três anos de contrato, tinha blue card. O Adelino Correia cumpriu mais do que devia, para mim e para todos os jogadores estrangeiros. Naquele tempo a equipa não tinha muitos apoios e os dirigentes chegaram a tirar do próprio bolso para nos ajudarem”, recorda.

Além de jogar, Timba Éder dava também aulas de futebol aos mais novos, o que sempre lhe permitiu ter uma folga financeira. “Acredito que a vida dos homens e das mulheres é movida pelo desafio, o importante é encará-lo.”

Depois de umas passagens pelo Lam Pak e pelo Sporting de Macau, Timba Éder casou com uma mulher chinesa, obteve o BIR e até abriu um café com o seu nome. É no Timba Café, localizado na Taipa, que dá asas a uma outra paixão: o café. Tudo começou ainda em Xangai quando, chegado da zona do Recife, ficou fascinado com o espaço de uma conhecida cadeia de cafés. Surgia ali o sonho de ter o seu próprio negócio.

O caso de Timba Éder pode ser considerado raro. Na visão de Dani Pinto, ex-treinador do Benfica de Macau, a falta de profissionalismo do campeonato e os baixos salários acabam por levar a que muitos jogadores se percam no seu percurso.

“Em 90 por cento das vezes, os contratos são verbais. Alguns até falam em alimentação, mas a maior parte não. E pagam um salário simbólico. Há jogadores que vêm para Macau tentar a sua sorte e são esses que passam maiores dificuldades. Já me reportaram casos de jogadores que têm uma certa dificuldade para comer”, conta ao HM.

Dani Pinto considera mesmo que 20 mil patacas “é uma fortuna”. “Na maioria das vezes nem chega perto disso, baixam para metade disso ou mais”, refere.

O antigo treinador do Benfica assegura que há muitos jogadores que acabam por perder o norte. “Muitas vezes há uma falta de humildade. Têm de ser super profissionais, com os pés bem assentes no chão. Alguns jogadores perdem-se na noite, no álcool, e isso é prática comum. Há jogadores que parece que nem estão aí. Acho que a maior parte nem pensa no futuro, pensam no agora. Têm de ser muito poupadinhos e profissionais”, conclui.

11 Mai 2017