É carnaval ou percebi mal?

Olhem, amigos: está um dia doce, de um azul suave e uma daquelas temperaturas que parecem carícias ternas e castas. Da minha janela entrevejo uma nesga de rio, que como de costume corre indiferente às alegrias e angústias do mundo, seguindo o seu curso com a certeza de que ninguém o irá confinar. Está, portanto, um dia perfeito para a contemplação e para a agrafia serena, uma pausa merecida na batalha ininterrupta destes tempos. Para ser sincero, apetecia-me desfrutar o que se me oferece em silêncio, sem necessidade de tropeçar nas palavras que eu próprio tenho de alinhar. Oh, a doçura do ócio, a vertigem da tranquilidade, a…E foi nesta altura que alguém me lembrou que estávamos no Carnaval.

Percebam: a irritação que tenho com esta quadra é já antiga e forte demais para a conseguir ignorar, até em numa época estranha como a que vivemos. Este “adeus à carne” (do latim tardio carne vale e que alegadamente é a etimologia da palavra) e que antecipa por excesso a austeridade da Quaresma nunca me interessou. A razão é simples: não consigo compreender uma selecção de dias em que a maior ambição da Humanidade é obrigar-se a estar alegre e mascarado de minhota. Mesmo em criança aderia à coisa de forma resignada para que os meus pares continuassem a considerar-me. Infelizmente as provas fotográficas desta afirmação ainda existem e foi sem surpresa que redescobri o Zorro mais melancólico de sempre ou o cowboy com o maior tédio a oeste de Pecos.

Escusam de vir com explicações religiosas ou antropológicas do fenómeno: estou-me nas tintas mas aparentemente não o suficiente. Talvez se vivesse num país onde a tradição carnavalesca fosse forte e ansiada, como é o caso do Brasil. Mas não: vivo num país onde o Carnaval consiste em recriar o sambódromo sob temperaturas abaixo dos 10ºC, enquanto a genuína Escola de Samba Bota-Aí-No-Cangaço da Bairrada de Baixo executa as suas tiritantes coreografias. Não me levem a mal: eu respeito quem gosta e pratica. Tenho muitos amigos (olá,Alcobaça!) que fazem desta data magníficas super-produções de disfarces e alegria durante dias sem dormir. Quase que tenho inveja. Mas não tenho.

Este ano, pelas circunstâncias que sabemos, pensei que a coisa ficasse adiada. Mas ao que parece subestimei a tremenda força de vontade dos foliões e foi assim que soube, estupefacto, que o Carnaval iria ter uma variante online. A sério: pessoas que terão gasto horas preciosas das suas vidas a mascararem-se para em seguida se colocarem em frente a um computador. Foi assim em Torres Vedras mas suspeito que esta versão Zoom da folia teve seguidores um pouco por todo o lado.

De repente, amigos, voltei a transformar-me no Zorro triste que fui em criança. Continuo a não perceber. Apenas fiquei a ansiar ainda mais as penitências da Quaresma. Bem preciso.

17 Fev 2021

Museus | Dia Internacional celebrado com Carnaval a 12 de Maio

O Dia Internacional dos Museus, efeméride com data de 18 de Maio, vai ser celebrado em Macau já a partir de dia 12, domingo, com a anual festa de “carnaval”, designação do evento co-organizado pelo Instituto Cultural, este ano dedicado ao tema “O Museu Móvel – Praia Grande x Hub Cultural”.

O centro das cerimónias vai ser o Anim’Arte Nam Van, em frente aos lagos artificiais, onde uma série de actividades e alguns objectos vão ser trazidos dos museus para interagirem com crianças e famílias, através de jogos, workshops, conversas e brincadeiras.

Além dos planos para animar a Praia Grande, os espaços museológicos também vão ter novidades para os visitantes, conforme a informação divulgada ontem em conferência de imprensa.

Estão incluídos neste projecto as seguintes entidades: Museu de Macau, Museu de Arte de Macau, Centro de Ciência de Macau, Museu Marítimo, Museu das Comunicações, Museu das Ofertas sobre a Transferência de Soberania de Macau, Museu do Grande Prémio, Museu dos Bombeiros, Museu da História da Taipa e Coloane, Museu Memorial Lin Zexu de Macau, Museu do Vinho, Casas da Taipa, Galeria do Arquivo Histórico de Tung Sin Tong, e Espaço Patrimonial – Uma Casa de Penhores Tradicional.

3 Mai 2019