Protecção animal | Cães abandonados nas ilhas originam queixas

Dois membros do Conselho dos Serviços Comunitários das Ilhas queixaram-se do número crescente de cães abandonados em Taipa e Coloane, durante uma reunião do organismo realizada na terça-feira. Segundo o jornal Ou Mun, os conselheiros esperam que o Governo resolva o problema de forma célere.

A conselheira Leong Meng Ian citou queixou de um grupo de moradores da Taipa quanto ao surgimento de vários cães abandonados à beira da estrada, o que representa uma potencial ameaça ao trânsito e para a segurança dos próprios animais. A responsável disse ainda que os cães abandonados podem originar problemas de higiene ambiental, espalhando resíduos pelas ruas, contribuindo para o aparecimento de bactérias e ratos. Os locais onde os cães mais aparecem são as proximidades da Taipa Grande e a povoação de Sam Ka.

Por seu turno, o conselheiro Lei Man Chong apontou que o número de cães abandonados aumentou também em Coloane e na povoação de Ka-Hó, verificando-se uma concentração dos animais nas estradas. Segundo o relato do conselheiro, estes perseguem veículos e podem pôr em causa a segurança dos condutores, residentes e turistas.

7 Mai 2026

IAM | André Cheong nega comparação entre alimentar e abandonar animais

Na semana passada, o presidente do IAM equiparou o acto de alimentar animais vadios ao abandono. O secretário para a Administração e Justiça não partilha desta visão. Na sexta-feira, André Cheong comentou que quem alimenta estes animais o faz com o intuito de os proteger

 

[dropcap]O[/dropcap] secretário para a Administração e Justiça contrariou na sexta-feira a forma como o Instituto para os Assuntos Municipais (IAM) encara quem alimenta animais vadios. Para André Cheong, as pessoas que lhes dão água ou ração “não são donos desses animais, apenas querem dar-lhes comida e tentar protegê-los para que não tenham fome”. O secretário acrescentou que o Governo vai “comunicar melhor com o IAM para analisarem bem qual é o entendimento jurídico em relação a isso”.

Em causa estão declarações do presidente do IAM, em resposta a uma interpelação escrita. José Tavares afirmou que na prática não há diferença entre alimentar animais de rua e abandoná-los, apontando que quem os alimenta passa a ser definido como dono.

“De acordo com a Lei de Protecção dos Animais, para o abandono de animais ser uma infração administrativa tem de reunir factores e condições subjectivos e objectivos. Assim, em termos subjectivos, as pessoas que alimentam os animais vadios não estão a praticar o acto de abandono, mas sim a dar carinho e a proteger os animais sem dono”, comunicou o Gabinete de Comunicação Social, ao explicar as declarações do secretário.

No entendimento do secretário, o objectivo do IAM é evitar que as pessoas alimentem os animais de rua para evitar consequências negativas. “O Governo e o IAM têm a mesma intenção, queremos proteger os animais. (…) É verdade que existem muitas limitações, mas tentamos ultrapassá-las”, declarou.

Reforço de sanções

Ao responder às perguntas colocadas em conferência de imprensa do Conselho Executivo, André Cheong afirmou ainda que a sanção para quem viola a Lei de Protecção dos Animais deve ser reforçada, e aproveitou para apelar à população para ser responsável quando decide adoptar ou comprar um animal.

No entanto, concordou com o IAM quanto às dificuldades na implementação do programa de recolha e esterilização. Frisando que essa não tem de ser a via para reduzir o número de animais vadios, o secretário disse que vai comunicar mais com a sociedade sobre como “aproveitar melhor os recursos do governo” para resolver a situação.

14 Set 2020