Valério Romão

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Valério Romão, 1974, licenciou-se em Filosofia e é escritor, contista, dramaturgo, tradutor. Seleccionado como Jovem Criador nacional no início do século, tem diversos livros publicados e é um dos nomes sonantes da nova literatura em Portugal. Foi finalista do Prix Femina 2016.

Uma história de outro mundo

Mas um dia, Deus desconfiou. E quando um Deus desconfia, a desconfiança tem um tamanho e alcance incomensuráveis.

Do comércio local

Onde vivo, num bairro da baixa de Lisboa, é raro o dia em que não se inaugure uma loja nova

A cultura do copy paste

O escândalo desta semana no Facebook português prende-se com a acusação de plágio que o ministério público moveu contra Tony Carreira e o compositor Ricardo Landum

Auf Wierdersehen, Macau

Os dias que passei em Macau não me ensinaram muito sobre o que é ser chinês. Ou macaense, ou estrangeiro em Macau

Da revisão

Um dos passos mais desmotivadores – e, simultaneamente, mais profícuos – que sucedem à finalização de um romance é a releitura do mesmo.

Como fazer um escritor

“Como é que escreve” é uma das clássicas perguntas que fazem a um escritor.

Don’t be evil

A maioridade trouxe ao Google, para além de lucros incontáveis e de um monopólio no domínio dos motores de busca, alguns percalços e dores de crescimento.

Da infantilização do consumidor

Aristóteles dizia, acertadamente, que a visão é o sentido que nos dá mais mundo. Os publicitários, mesmo não lendo os clássicos gregos da filosofia, perceberam isso com apreciável nitidez.

O mundo das mulheres

Na minha família, já de si diminuta, há poucos homens. As excepções são um tio, um cunhado e dois sobrinhos. O resto são mulheres. E são elas, invariavelmente, os esteios de força pelos quais a coesão familiar se mantém a despeito das mortes e outras tragédias semeadas ao acaso nas vidas das pessoas.

Os objectos estranhos

Sou um apaixonado por ficção científica. É provavelmente o género literário que leio há mais tempo e foi através da ficção científica que me...

Da arte do romance

E de repente um tipo mete-se a escrever um romance e, mal passa das dez páginas sobre as quais alimenta as maiores dúvidas de...

O Facebook para criancinhas

Toda a gente tem Facebook. Os meus amigos todos, os amigos dos meus amigos, os pais destes e até alguns animais de estimação têm Facebook.

E agora, as autárquicas

Este ano teremos eleições autárquicas e, com elas, a multiplicidade infinda de cartazes, porta-chaves, autocolantes e demais brindes de campanha

Que faremos quando tudo arde?

Até agora, 62 mortos. É possível que sejam mais, consequência de um dos piores incêndios de que há memória. Que fazemos? O governo diz que alguma culpa é da oposição. A oposição diz que alguma culpa é do governo.

We are so so lost

Quase todos os indicadores pelos quais se mede o bem-estar e desenvolvimento humanos nos dizem que nunca tivemos tanto dinheiro, tanta tecnologia e tanta saúde.

Do turismo

O turismo chegou para ficar. Pelo menos enquanto Lisboa for a capital do cool e da luz de Byron, os portugueses o povo mais acolhedor da Europa e Portugal um país tão pacífico como ridiculamente barato.

As 72 virgens

As religiões que conheçam postulam, todas elas, um paraíso. Este cumpre a função de resolver da morte e da sombra que esta projecta sobre todo e qualquer homem, sem excepção.

A arma do conto

Diz-se amiúde que o conto não vende. É provavelmente das poucas afirmações sobre a qual existe uma concordância generalizada e transversal aos intervenientes da cena literária

Manual de terrorismo ontológico

Os dois rapazes entraram e sentaram-se. O autocarro estava estranhamente vazio, ao contrário do que seria expectável em hora de ponta

Da desmesurada importância dada à informação

A informação tem, por definição, um carácter neutro. Enquadra os factos, explica-os, mas escusa-se a tomar partido

Do obscurantismo

O recente surto de sarampo em Portugal fez com que a vacinação voltasse a ser discutida, sobretudo nas redes sociais. A vacinação é responsável pela erradicação, por exemplo, da varíola, que só no século XX matou cerca de quinhentos milhões de pessoas.

Cenas de um casamento

Uma amiga foi convidada para tocar piano num casamento e, embora a profissão dela esteja de facto ligada à música, recusou por achar não ter nem talento nem tempo suficiente para se preparar para a ocasião.

Da natureza da discórdia

Há duas semanas estava no Cais do Sodré a beber uma cerveja com amigos quando um homem, imiscuindo-se no grupo, me interpela acerca do assunto que discutíamos: o presidente Trump e a sua capacidade aparentemente inesgotável de fazer inimigos da esquerda à direita.

Da compreensão simplificada do autismo

O dia de ontem, 2 de Abril, é o dia mundial da consciencialização do autismo. O meu filho tem treze anos e, com apenas dois anos e meio, foi diagnosticado com uma perturbação do espectro do autismo.