Valério Romão

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Valério Romão, 1974, licenciou-se em Filosofia e é escritor, contista, dramaturgo, tradutor. Seleccionado como Jovem Criador nacional no início do século, tem diversos livros publicados e é um dos nomes sonantes da nova literatura em Portugal. Foi finalista do Prix Femina 2016.

Escondam o Courbet, eles vêm aí

Veste progresso mas tresanda a retrocesso. Diz-se da liberdade mas age como o mais empedernido fascista.

Do místico onde não há misticismo nenhum

A eleição de Trump é um sintoma claro deste cinismo contemporâneo e desinformado.

A importância das ideias

“Tenho uma ideia bestial para um romance!” Tenho a certeza de que todos os escritores já ouviram isso.

La grande bouffe

Quando é que isto vai parar? Quem é o próximo?

As histórias dos outros

A curiosidade de um escritor é inesgotável.

É isto um festival

Outra das coisas que de certo modo constituem a carcaça daquilo que pode ser chamado “a carreira do escritor” são os festivais literários

Das paranóias dos escritores

Todos os escritores têm as suas paranóias. Alguns, enquanto estão a escrever. De escrever de pé, como Hemingway ou Virginia Woolf, a escrever deitado de barriga para baixo, como Twain

Uma história de outro mundo

Mas um dia, Deus desconfiou. E quando um Deus desconfia, a desconfiança tem um tamanho e alcance incomensuráveis. A dúvida e a desconfiança entranharam-se como uma nódoa, e Deus não mais conseguiu ter sossego.

Do comércio local

Onde vivo, num bairro da baixa de Lisboa, é raro o dia em que não se inaugure uma loja nova

A cultura do copy paste

O escândalo desta semana no Facebook português prende-se com a acusação de plágio que o ministério público moveu contra Tony Carreira e o compositor Ricardo Landum

Auf Wierdersehen, Macau

Os dias que passei em Macau não me ensinaram muito sobre o que é ser chinês. Ou macaense, ou estrangeiro em Macau

Da revisão

Um dos passos mais desmotivadores – e, simultaneamente, mais profícuos – que sucedem à finalização de um romance é a releitura do mesmo.

Como fazer um escritor

“Como é que escreve” é uma das clássicas perguntas que fazem a um escritor.

Don’t be evil

A maioridade trouxe ao Google, para além de lucros incontáveis e de um monopólio no domínio dos motores de busca, alguns percalços e dores de crescimento.

Da infantilização do consumidor

Aristóteles dizia, acertadamente, que a visão é o sentido que nos dá mais mundo. Os publicitários, mesmo não lendo os clássicos gregos da filosofia, perceberam isso com apreciável nitidez.

O mundo das mulheres

Na minha família, já de si diminuta, há poucos homens. As excepções são um tio, um cunhado e dois sobrinhos. O resto são mulheres. E são elas, invariavelmente, os esteios de força pelos quais a coesão familiar se mantém a despeito das mortes e outras tragédias semeadas ao acaso nas vidas das pessoas.

Os objectos estranhos

Sou um apaixonado por ficção científica. É provavelmente o género literário que leio há mais tempo e foi através da ficção científica que me...

Da arte do romance

E de repente um tipo mete-se a escrever um romance e, mal passa das dez páginas sobre as quais alimenta as maiores dúvidas de...

O Facebook para criancinhas

Toda a gente tem Facebook. Os meus amigos todos, os amigos dos meus amigos, os pais destes e até alguns animais de estimação têm Facebook.

E agora, as autárquicas

Este ano teremos eleições autárquicas e, com elas, a multiplicidade infinda de cartazes, porta-chaves, autocolantes e demais brindes de campanha

Que faremos quando tudo arde?

Até agora, 62 mortos. É possível que sejam mais, consequência de um dos piores incêndios de que há memória. Que fazemos? O governo diz que alguma culpa é da oposição. A oposição diz que alguma culpa é do governo.

We are so so lost

Quase todos os indicadores pelos quais se mede o bem-estar e desenvolvimento humanos nos dizem que nunca tivemos tanto dinheiro, tanta tecnologia e tanta saúde.

Do turismo

O turismo chegou para ficar. Pelo menos enquanto Lisboa for a capital do cool e da luz de Byron, os portugueses o povo mais acolhedor da Europa e Portugal um país tão pacífico como ridiculamente barato.

As 72 virgens

As religiões que conheçam postulam, todas elas, um paraíso. Este cumpre a função de resolver da morte e da sombra que esta projecta sobre todo e qualquer homem, sem excepção.